O CAMINHO A SEGUIR
«A questão central que hoje se coloca aos portugueses é a rejeição do pacto das troikas »
O brutal agravamento das condições de vida dos trabalhadores e das populações, por efeito da aplicação do programa das troikas, continua a ser o traço característico fundamental da actual situação.
E assim será, e sempre para pior, enquanto se não puser cobro à política de afundamento nacional levada a cabo pelo Governo PSD/CDS – na continuidade de todos os governos dos últimos trinta e cinco anos e agora fortemente agravada com o famigerado programa das troikas.
Tudo isso torna mais evidente a necessidade imperiosa de as massas trabalhadoras e populares, com a sua força organizada, fazerem ouvir a sua voz, pondo termo a esta situação e abrindo o caminho que conduzirá à necessária alternativa patriótica e de esquerda.
Com efeito – e como o PCP tem vindo a afirmar – a questão central que hoje se coloca aos portugueses é a da rejeição do pacto das troikas, desse sinistro programa de agressão decidido pela troika ocupante – FMI, UE e BCE – e aceite servilmente pela troika colaboracionista – PS, PSD e CDS.
Para o povo português, a atitude patriótica e democrática que se impõe – e que constitui um imperativo nacional – é rejeitar esse programa de agressão e submissão; é responder com um inequívoco «não» às imposições do grande capital, da União Europeia e do submisso Governo que os serve; é exigir que a política antipatriótica e de direita, responsável maior pela situação existente, seja substituída por uma política de sentido oposto.
Bem sabemos que se trata de objectivos difíceis de alcançar, mas sabemos igualmente que eles são alcançáveis através da intensificação da luta de massas e do seu alargamento, com a integração nela de segmentos das massas trabalhadoras e populares até agora mais distanciados.
Como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa, na conferência de imprensa da passada segunda-feira, «para o PCP há dois caminhos opostos que se colocam neste momento. Ou o caminho que o Governo PSD/CDS, com o comprometimento do PS, está a prosseguir, e que não é mais do que o mesmo rumo de desastre que nos conduziu à actual situação, ou o caminho da rejeição do programa de agressão, o caminho da defesa dos direitos de quem trabalha e produz riqueza, da defesa da independência e da soberania nacional, como únicos e verdadeiros desígnios nacionais.»
Assim é, de facto, e a opção é clara.
Os comunistas têm feito, e farão, tudo o que estiver ao seu alcance para que o caminho certo seja seguido – porque, como sempre aconteceu ao longo dos noventa anos de vida do PCP, o colectivo partidário comunista está na linha da frente na defesa das nossas soberania e independência, do desenvolvimento do País, dos interesses dos trabalhadores e do povo.
Por isso, e como sublinhou o Secretário-geral do PCP, estamos e estaremos profundamente empenhados: no esclarecimento para a mobilização e para a participação na luta de todos os que são vítimas da política de direita – que são, recorde-se, a imensa maioria dos portugueses; no combate ao conformismo, à resignação e aos medos gerados pela ofensiva ideológica ao serviço da política de direita; na demonstração de que o declínio do País não é uma inevitabilidade, como não são inevitáveis o desemprego, o roubo nos salários, nas reformas e no subsídio da Natal, a destruição de serviços públicos essenciais, e todo o longo cortejo das malfeitorias que caracterizam esta política de direita cujo objectivo essencial é o de encher mais e mais os cofres dos grandes grupos económicos e financeiros; na exemplificação de que, com esta política, o que é inevitável é mais dependência externa, mais ruína para a economia nacional, mais desemprego, mais pobreza, mais miséria, mais fome; enfim, na demonstração e na confirmação de que a luta de massas pode conseguir tudo o que se propuser alcançar – pois a força organizada dos trabalhadores é a mais poderosa de todas as forças.
Por tudo isso, a grande tarefa do momento actual para o colectivo partidário comunista é a de dar o seu contributo para o prosseguimento, a ampliação e a intensificação da luta das massas trabalhadoras e populares. Uma luta que será tanto mais forte – e portanto tanto mais eficaz – quanto mais ampla e sólida for a convergência na exigência da rejeição do pacto das troikas por parte de todos os que são as grandes vítimas das suas consequências: a classe operária e restantes trabalhadores, as populações, os jovens, as mulheres, os reformados, os micro, pequenos e médios empresários – todos aqueles que constituem, nunca é demais repetir, a imensa maioria dos portugueses.
Esse contributo indispensável e decisivo dos comunistas para o crescimento das acções de massas, tem como objectivo, no curto prazo – para além de dar andamento às várias lutas de empresas e de utentes em curso – fazer da jornada de luta convocada pela CGTP-IN para o dia 1 de Outubro, em Lisboa e no Porto, um momento alto da intervenção organizada dos trabalhadores e das populações e um ponto de passagem para as importantes acções futuras que a situação exige.
Porque a luta não só não pode parar como tem que ser mais e mais forte, mais e mais participada, mais e mais consciente.
As massas trabalhadoras e populares, em unidade e em movimento, com determinação e confiança, têm nas suas mãos a possibilidade de concretizar a ruptura necessária com o rumo de desastre nacional que tem vindo a afundar o País e de impor a necessária política patriótica e de esquerda, ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País.
E é esse o caminho a seguir.