O embuste nas creches
O anúncio, feito pelo Governo, da criação de 20 mil vagas em creches representa um «escandaloso embuste», segundo a Comissão do PCP para os Assuntos Sociais, que denuncia que estas «vagas» são obtidas não na base do investimento no alargamento da oferta com os padrões de qualidade e segurança exigidos, «mas sim pela artificiosa alteração do número de crianças por sala».
E especifica: «A intenção do Governo de aumentar de oito para 10 o número de crianças em salas de berçário, de 10 para 14 crianças entre o berçário e os 24 meses e de 15 para 18 nas crianças entre os dois e os três anos representa um verdadeiro atentado contra os direitos dos filhos das classes trabalhadoras».
Estas medidas – que procuram «esconder a opção por cortes brutais no investimento público em novos equipamentos» nas creches – apontam, também claramente, para uma «linha de acentuação das desigualdades na qualidade da oferta dos equipamentos de apoio às crianças: uns, superlotados e sem os recursos humanos necessários à garantia de qualidade, são destinados aos filhos das classes trabalhadoras; e outros, “de luxo”, destinados aos filhos das elites».
O PCP manifesta a sua determinação em intervir no plano legislativo sobre a matéria e, ao mesmo tempo, a lutar pela existência de uma Rede Pública de Creches, de qualidade e acessível às famílias.