O desporto adaptado voltou a ocupar um merecido e justo lugar na programação das actividades desportivas. Nem podia ser de outra forma no quadro de uma iniciativa promovida por um Partido, como o PCP, que pugna pelo «desporto para todos», sem distinções, alicerçado numa perspectiva de desenvolvimento integral do indivíduo.
Trata-se, afinal de encarar os cidadãos portadores de deficiência como iguais, respeitando as diferenças e garantindo os seus direitos.
Com esse espírito trabalha também seguramente aquela que é desde Janeiro a Associação de Paralisia Cerebral de Almada e Seixal (antes núcleo da Associação com o mesmo nome de Lisboa) e que levou à Festa um grupo de jovens atletas da sua escola de BOCCIA, cujo desempenho foi atenta e carinhosamente seguido por centenas de pessoas.
Da autonomia alcançada por aquela instituição da Margem Sul falou ao Avante! o seu presidente, José Patrício, para frisar que esse passo representou um «salto» qualitativo que veio permitir avançar para novos projectos.
«Foi um ano de profundo crescimento, tendo mais que duplicado (passou de 11 para 26) o número de atletas em relação a 2010», informou, frisando que isso obrigou à mudança para um novo espaço, que ocorrerá ainda neste mês de Setembro.
Não obstante as dificuldades, sobretudo de ordem financeira, que obrigaram inclusivamente a repensar o projecto de instalações para o Centro de Reabilitação, comfiança no futuro é o que não falta aos responsáveis por esta Associação, como provam as iniciativas que têm em mãos, caso do projecto pioneiro em Portugal que é a realização já este ano lectivo de um torneio inter-escolar, a finalizar em Abril, envolvendo todas as básicas 2 e 3 e as secundárias do concelho do Seixal, no qual participam equipas mistas onde se incluem jovens com necessidades educativas especiais (motoras e mentais).
Voleibol em cadeira de rodas
A despertar o interesse do público esteve também a demonstração de voleibol em cadeira de rodas, modalidade ainda pouco divulgada, sem carácter de competição (confina-se a demonstrações), e que conta com cerca de duas dezenas de atletas.
Desenvolver esta modalidade é uma das apostas da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência, adiantou ao repórter o seu vice-presidente, José Pavoeiro, que vem há Festa à quatro anos e «com todo o gosto».
Defensor acérrimo do «desporto para todos», considera que o problema está muitas vezes na inadaptação do meio à prática desportiva para as pessoas com deficiência, o que «as leva a ficar em casa».
Do que se trata, pois, é de «adaptar o meio» - no caso do voleibol, por exemplo, ajustar a dimensão da rede e sua altura - , sendo que a Festa do Avante!, concluiu, é um excelente veículo para «sensibilizar e fazer chegar esta mensagem às pessoas».