«Conflitos»?

Passos Coelho voltou às discursatas do Pontal (uma cópia manhosa dos discursos da Festa do Avante! enjorcada pelo PSD algures numa esplanada algarvia, à fresca e à boa mesa à volta dum palco de feira). E a coisa foi muito festejada pois – dizem os entendidos – «há 18 anos que um líder do PSD não ia à festa do Pontal».

Se calhar era o melhor que faziam, dado que, nessas festas, nenhum líder do PSD produziu o que quer que fosse que beneficiasse o País.

Ora o que se ouviu de Passos foi não só mais do mesmo, mas tudo em muito pior. Resumidamente, o que o homem disse no Pontal foi que «os sacrifícios» vinham aí em grande e que ele estava aqui, de peito feito, para os fazer «cumprir ao milímetro».

Depois disto, teve o descaramento de pedir «aos parceiros sociais» (ou seja, aos sindicatos) para não seguirem «os caminhos da conflitualidade».

Então o homem anuncia a mais selvática ofensiva aos direitos e aos salários dos trabalhadores e depois «pede» que não sigam «os caminhos da conflitualidade»?

Mas quem está a desencadear a conflitualidade é ele e o seu Governo! Espera que os trabalhadores amochem e se fiquem?

Vai ver que está muito enganado, senhor Coelho...

 

Espanhóis

 

De acordo com a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), o número de turistas espanhóis em férias no Algarve aumentou 33,4% até ao passado mês de Junho, em comparação com o mesmo período do ano passado.

A AHETA atribui o fenómeno à proximidade, à qualidade das vias de comunicação, às praias e à gastronomia da região, mas não deixa de ponderar que «a crise que afecta o país vizinho poderá também estar a impelir os turistas espanhóis a procurar destinos mais próximos das suas residências».

É claro que é a crise que (também) está a empurrar os espanhóis para o lado de cá da fronteira! Ou julgam que são as boas estradas de acesso e os petiscos algarvios a fazer aumentar os turistas 33,4% de um ano para o outro?

 

A fuga

 

De Janeiro a Maio últimos Portugual viu «fugir» para paraísos fiscais mais de mil e 300 milhões de euros, o que dá uma média astronómica de nove milhões/dia sem pagar um cêntimo ao Fisco.

Assinale-se que isto são números do Banco de Portugal e estes 1350 milhões de euros (mais precisamente) é uma quantia superior aos mil milhões que o Governo pretende esbulhar aos trabalhadores e pensionistas com o corte de 50% do próximo subsídio de Natal.

Acrescente-se a isto mais mil e 600 milhões de euros de lucros e dividendos em empresas e acções que tiveram igual destino: fuga para o exterior para não dar um chavo às Finanças.

O ministro da tutela, Vítor Gaspar, assumiu que seria «contraproducente» taxar estas mais valias pois pretendia-se «incentivar as poupanças».

Viu-se: 1600 milhões, inteirinhos, de riqueza nacional a desaparecerem nos «paraísos».

Com tudo isto, a conta é astronómica: estamos a falar num total de dois mil milhões de euros que fugiram aos impostos sob a protecção do Governo.

Um nojo. E uma intragável revolta.



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