- Nº 1967 (2011/08/11)
Após ruptura com centro-direita

Christofias forma novo governo

Europa

O presidente de Chipre, Demetris Christofias, formou um novo governo, constituído exclusivamente por militantes do partido, o AKEL, e por personalidades escolhidas pela sua competência técnica.

A decisão foi anunciada na sexta-feira, 5, dois dias após Marios Karoyian, líder do DIKO (partido democrata), ter rompido com a coligação governamental, alegando divergências na gestão da crise.

O DIKO foi um dos partidos que em 2008 apoiou a candidatura de Christofias, a qual também recebeu na altura o apoio do partido social-democrata (EDEK). Entretanto, no ano passado, os sociais-democratas abandonaram a coligação governamental, evocando então incompatibilidades com o chefe de Estado sobre a questão da reunificação da ilha (cuja região Norte está ocupada desde 1974 pelas tropas turcas).

Christofias decidiu remodelar o governo na sequência da crise política provocada pela explosão de um paiol a 11 de Julho, que destruiu a principal central eléctrica do país e causou 13 mortos.

O grave acidente, que causou quebras no fornecimento de electricidade e água, gerou indignação popular e motivou acusações de negligência na imprensa, que levaram à demissão dos dois ministros do DIKO (Negócios Estrangeiros e Defesa).

Com o novo executivo, o presidente Christofias pretende recuperar a credibilidade das instituições e fazer face ao período de dificuldades económicas.

Recorde-se que os comunistas consolidaram a sua posição nas eleições legislativas de 22 de Maio, recolhendo 32,67 por cento (+1,36% face a 2006) e elegendo um novo deputado, num total de 19 em 56. No entanto, o partido conservador (DISY) continuou a ser o mais votado com 34,28 por cento dos votos e 20 deputados (+2).

A maioria no parlamento ficou então assegurada através da coligação com o DIKO, que obteve 15,76 por cento e nove deputados (-2). Por seu turno, os sociais-democratas (EDEK) mantiveram cinco deputados (8,93%), o partido de extrema-direita Evroko elegeu dois deputados (-1), com 3,88 por cento, e os verdes um deputado (2,21%).