Passados 23 anos do encerramento da Mundet, no Seixal, os trabalhadores começaram a receber as suas indemnizações – entre os 26 cêntimos e os 30 euros. Para o Executivo da Comissão Concelhia do Seixal do PCP, tratam-se de valores vergonhosos e um «atentado à dignidade humana dos trabalhadores». A decisão do Tribunal da Relação de Lisboa resulta, na opinião dos comunistas, do cumprimento das decisões políticas de sucessivos governos de privilegiar a banca em detrimento dos trabalhadores.
A Mundet encontrava-se em falência técnica e à beira da falência em Maio de 1974, mas foi salva graças à luta dos trabalhadores e a constituição, em Julho de 1975, de uma comissão administrativa, que a salvou e desenvolveu. Como lembra o PCP, «seguiu-se um período de intenso trabalho, fruto de uma vastíssima carteira de encomendas, grande parte dela sustentada pelos países socialistas de então, e que permitiu retirar a empresa do atoleiro que a administração corrupta, fascista e incompetente a tinha colocado».
Posteriormente, Mário Soares, então primeiro-ministro, recusou transformar a Mundet numa empresa pública, optando por entregá-la aos antigos patrões, contra a vontade dos trabalhadores. Começa aí o definhamento da empresa que, em 1985, já não pagava atempadamente os salários aos seus trabalhadores. Por iniciativa dos trabalhadores e dos seus representantes, chegou a ser aprovado em assembleia-geral de credores um plano de viabilização da empresa, que os governos PS, PSD e CDS não respeitaram, «preferindo optar pela criação de monopólio no sector corticeiro e entregá-lo à família Amorim».
A Mundet encerrou em 1988, com uma dívida na ordem dos 120 mil contos. Em 1993, ascendiam a 882 mil contos. Ficaram salários por pagar, bem como as respectivas indemnizações.