- Nº 1952 (2011/04/28)
PCP alerta para roubo e rejeita ingerência externa

Não à capitulação

Assembleia da República

O ultimar de um plano de saque aos portugueses e aos recursos nacionais, inserido num inadmissível processo de ingerência, assim é vista pelo PCP a acção da troika do FMI, BCE e União Europeia no nosso País.

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Uma presença indesejável em território nacional que, na opinião da bancada comunista, «não está cá para negociar nada com ninguém» mas para impor «uma ditadura financeira à custa de sacrifícios injustos ao povo».

Foi o que disse na passada semana em declaração política na comissão permanente do Parlamento o deputado comunista António Filipe, vendo neste desenlace «uma humilhação maior e com muito mais graves consequências do que a do ultimatum inglês de 1890».

«Anda aí uma troika, instalada no Ministério das Finanças que, qual homem do fraque, vem cobrar aos trabalhadores e ao povo português uma dívida que resulta da especulação que a própria União Europeia e os chamados mercados financeiros propiciaram e para isso quer impor o esmagamento de direitos e salários e o agravamento de todos os problemas económicos e sociais do País», denunciou o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PCP.

Imputando quer ao Governo PS quer ao PSD e CDS a responsabilidade exclusiva pela entrada do FMI em Portugal, António Filipe referiu ainda que a receita que há a esperar desta entidade predadora internacional – cortes de salários, de subsídios, de pensões, empobrecimento, mais impostos e privatizações –, mais não é, afinal, do que a mesma receita que consta dos programas com que os «partidos do FMI (PS, PSD e CDS-PP) se apresentam às próximas eleições».

Depois de demonstrar que a situação a que o País chegou é «uma vergonha nacional» e tem responsáveis – foram 35 anos consecutivos da mesma política de direita levada a cabo por PS, PSD e CDS-PP –, o deputado comunista voltou a alertar para as consequências das imposições do FMI e da UE, sublinhando, nomeadamente, que tais entidades «não estão cá para ajudar Portugal a sair da crise», ao invés, estão para «defender os interesses imediatos dos especuladores internacionais à custa do roubo dos salários e das pensões, do corte das prestações sociais, da redução das funções sociais do Estado, das privatizações, dos apoios à banca e aos grupos económicos, da recessão e da alienação de importantes parcelas da soberania nacional».

Reiterada, por fim, foi a certeza de que há alternativa à capitulação em curso, a qual, do ponto de vista do PCP, passa pela renegociação da dívida externa (nos prazos, juros e montantes devidos), pela diversificação das fontes de financiamento, pela acção convergente com outros países igualmente vítimas da especulação financeira e do Euro, pela aposta na produção nacional, pela redução das importações em simultâneo com o aumento das exportações e da diversificação das relações comerciais.

 

O «problema democrático»


A intervenção no período das declarações políticas do ministro dos Assuntos Parlamentares foi toda ela marcada pela tentativa de alijar as responsabilidades do Executivo pela situação a que País chegou e pela defesa acérrima do rumo a que alguns querem amarrar Portugal. De tal maneira que o líder parlamentar do PCP não resistiu em dizer que, quem tenha ouvido o governante, seria levado a pensar que a «solução para o País é a troika de aceitação das imposições ilegítimas do FMI e da União Europeia que o PS, o PSD e o CDS constituem neste momento».

E sobre a afirmação de Jorge Lacão, numa alusão ao PCP e ao BE, de que estes partidos são «um problema democrático para o País», imputando-lhes mesmo uma quota parte de responsabilidade pela situação actual, Bernardino Soares, sem apelo nem agravo, confirmou que há de facto um «problema democrático a resolver no País» só que não é o que o governante apontou mas sim um outro: «terminar com este ciclo em que PS, PSD e CDS andam há 35 anos a afundar o País e a criar as condições para a situação em que estamos todos hoje».