INEM

Um re­la­tório do Tri­bunal de Contas sobre o Ins­ti­tuto Na­ci­onal de Emer­gência Mé­dica (INEM) apre­senta al­gumas con­clu­sões es­cla­re­ce­doras. Por exemplo, re­gista-se tempo ex­ces­sivo a atender as cha­madas te­le­fó­nicas de ur­gência mé­dica e «no que res­peita à in­ter­venção de meios de Su­porte Avan­çado de Vida através de Vi­a­turas Mé­dicas de Emer­gência e Re­a­ni­mação (VMER), apenas 9,8% das res­postas ocor­reram mo in­ter­valo de oito mi­nutos», pe­ríodo de tempo de­fi­nido pelo Pro­jecto Eu­ropeu de Re­colha de Dados de Emer­gência.

Além disso, os custos com o pes­soal na rede do INEM au­men­taram 84% em 2009, de­vido à so­bre­carga de tra­balho que o en­cer­ra­mento de vá­rias ur­gên­cias pro­vocou. Esse au­mento de custos cifra-se em 24 mi­lhões de euros, pelo que convém ave­ri­guar o que se ga­nhou, em pou­panças, com o en­cer­ra­mento das ur­gên­cias.

Quem perdeu, já sa­bemos: o pú­blico em geral e as po­pu­la­ções das zonas de en­cer­ra­mento, em par­ti­cular.

 

Es­panha

 

Em apenas quatro anos, cerca de 25 mil por­tu­gueses a tra­ba­lhar em Es­panha per­deram os seus em­pregos, o que sig­ni­fica que foi re­du­zido em mais de um terço o nú­mero dos nossos com­pa­tri­otas a ga­nhar a vida no país vi­zinho.

É claro que estes por­tu­gueses ti­veram de re­gressar às ori­gens, mas de cer­teza que o Go­verno de Só­crates não vai contar com eles – nem para lhes dar tra­balho, evi­den­te­mente, muito menos para os sub­si­diar e nem se­quer para os in­cluir nas es­ta­tís­ticas do de­sem­prego. Era só o que fal­tava, virem de Es­panha es­tragar as belas es­ta­tís­ticas que o Go­verno de Só­crates tão la­bo­ri­o­sa­mente cons­trói, dé­cima a dé­cima, sobre as «des­cidas» do de­sem­prego em Por­tugal!

 

Lo­jistas

 

Os­cilam entre os 25% e os 30% as que­bras re­gis­tadas na fac­tu­ração dos saldos de In­verno deste ano, a de­correr até 28 de Fe­ve­reiro pre­sente. Os dados são das as­so­ci­a­ções de co­mer­ci­antes e a si­tu­ação an­gus­ti­ante atinge a ge­ne­ra­li­dade do pe­queno co­mércio de Norte a Sul do País. As his­tó­rias de co­mer­ci­antes em apuros para manter as portas abertas mul­ti­plicam-se também por todo o ter­ri­tório na­ci­onal e muitos já têm di­fi­cul­dades em ad­quirir novas mer­ca­do­rias, dado con­ti­nu­arem com os ar­ma­zéns sem es­co­a­mento. «Mesmo com 70% de des­conto os cli­entes não com­pram», é uma queixa fre­quente.

Que se pode es­perar com quase um mi­lhão de de­sem­pre­gados?

 

BES

 

Em con­tra­par­tida, a «fac­tu­ração» vai de vento em popa no BES (e no sector ban­cário em geral, valha a ver­dade). O úl­timo «truque» do banco di­ri­gido por Ri­cardo Sal­gado con­sistiu em ter au­men­tado a sua par­ti­ci­pação ac­ci­o­nista na PT, su­bindo-a de 8,32% para 10,03% e be­ne­fi­ci­ando, com isso, de isenção de im­postos con­ce­dida, en­tre­tanto, pelo Go­verno de Só­crates no Or­ça­mento deste ano a todas as en­ti­dades que de­te­nham mais de 10% do ca­pital de uma de­ter­mi­nada em­presa.

Vêem como isto da crise não é para todos? E como o Go­verno sabe zelar, cer­teiro, pelos in­te­resses de al­guém?

São é os in­te­resses dos po­de­rosos. Mas está tudo cor­recto, pois estes aben­ço­ados go­vernos agem sempre «em nome do povo e da pá­tria»...



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