VIVA A GREVE GERAL

«O for­mi­dável êxito da Greve Geral cons­titui um po­de­roso im­pulso para as ba­ta­lhas fu­turas»

Foi a maior, a mais par­ti­ci­pada, a mais forte Greve Geral de sempre. En­vol­vendo todos os sec­tores de ac­ti­vi­dade, pú­blicos e pri­vados, tratou-se de uma das mais ex­pres­sivas ma­ni­fes­ta­ções con­cretas da voz do tra­balho, da força or­ga­ni­zada dos tra­ba­lha­dores e, si­mul­ta­ne­a­mente, de con­fir­mação plena das po­ten­ci­a­li­dades de luta exis­tentes.

É por de­mais sig­ni­fi­ca­tiva a adesão mas­siva à Greve Geral de jo­vens em re­gime de pre­ca­ri­e­dade, tra­ba­lha­dores que pela pri­meira vez par­ti­ci­param numa greve – mi­lhares e mi­lhares de jo­vens tra­ba­lha­dores que, ven­cendo medos, ame­aças e chan­ta­gens, passam a in­te­grar, re­for­çando-o, o mo­vi­mento das massas tra­ba­lha­doras que lu­tando contra a po­lí­tica de di­reita, lutam pelos seus di­reitos e in­te­resses.

Os recém-che­gados à luta são a ga­rantia de que ela será mais ampla e mais forte no fu­turo ime­diato e que, com isso, fi­carão mais perto os ob­jec­tivos de rup­tura com a po­lí­tica de di­reita e de con­quista de um novo rumo para Por­tugal.

Er­guida a pulso, a Greve Geral foi a con­clu­dente re­jeição do «con­for­mismo», da «re­sig­nação», do «não vale a pena» pro­pa­lados pelos porta-vozes dos in­te­resses do grande ca­pital ex­plo­rador e opressor.

Foram mais de três mi­lhões de ho­mens, mu­lheres e jo­vens a dizer não à po­lí­tica de di­reita ao ser­viço dos in­te­resses do grande ca­pital e a exigir uma po­lí­tica aos ser­viço dos in­te­resses dos tra­ba­lha­dores, do povo e do País.

E, como acen­tuou o se­cre­tário-geral do PCP, de­pois desta Greve Geral «nada fi­cará como dantes. O Go­verno e os par­tidos que apoiam a sua po­lí­tica, e o Pre­si­dente da Re­pú­blica que a pa­tro­cina, ti­veram nesta jor­nada de luta uma clara con­de­nação, um sério aviso e uma firme exi­gência de rup­tura com a po­lí­tica que pro­movem».

 

Como é há­bito nestas si­tu­a­ções, os go­ver­nantes e os pro­pa­gan­distas de ser­viço à po­lí­tica de di­reita, tudo fi­zeram, pri­meiro, para evitar que a Greve ti­vesse a ex­tra­or­di­nária adesão que teve – e nesse sen­tido, valeu tudo, desde as ha­bi­tuais chan­ta­gens e ame­aças até à des­va­lo­ri­zação sis­te­má­tica da im­por­tância da Greve.

De­pois, frus­trados os seus in­tentos pela re­a­li­dade que foi a po­de­rosa Greve Geral, pas­saram à fase, também ha­bi­tual, da mi­ni­mi­zação do seu êxito, de­sig­na­da­mente pro­cu­rando re­duzi-la a uma greve do sector pú­blico – in­tentos bal­dados pela re­a­li­dade con­creta que foi a Greve.

Ao mesmo tempo, e na linha da ofen­siva ide­o­ló­gica que têm vindo a levar a cabo, esses pro­pa­gan­distas apon­taram as suas ba­te­rias em força para a des­va­lo­ri­zação dos efeitos da Greve, a qual, se­gundo pro­pa­gan­deiam é inútil e não con­du­zirá nada, porque o Go­verno não vai re­cuar, etc, etc.

Ora, a ver­dade é que, se nin­guém ig­nora que o Go­verno do ca­pital, abu­sando dos po­deres de que dispõe, fará tudo o que for pos­sível para pros­se­guir esta po­lí­tica, também é ver­dade que cresce o nú­mero de tra­ba­lha­dores cons­ci­entes de que a luta é o único ca­minho para al­cançar o ob­jec­tivo de der­rotar essa po­lí­tica e impor uma po­lí­tica de sen­tido oposto – e cresce a cons­ci­ência de que a luta é para con­ti­nuar.

Es­tamos a viver uma si­tu­ação em que o grande ca­pital e os seus ho­mens-de-mão no Go­verno de­cla­raram uma guerra sem tré­guas contra os in­te­resses e di­reitos dos tra­ba­lha­dores e do povo, e a res­posta a essa si­tu­ação é a luta de massas – uma luta pela força das cir­cuns­tân­cias di­fícil, longa e per­sis­tente e cuja força es­sen­cial está nas muitas grandes, mé­dias e pe­quenas ba­ta­lhas que a in­te­gram. E que é para vencer.

Assim, à Greve Geral do dia 24, se­guir-se-ão ne­ces­sa­ri­a­mente, im­pe­ra­ti­va­mente, muitas ou­tras lutas de di­men­sões di­versas, porque se os ini­migos dos tra­ba­lha­dores não des­cansam na sua acção pre­da­dora, os tra­ba­lha­dores não lhes darão tré­guas.

Nesse sen­tido, o for­mi­dável êxito da Greve Geral cons­titui um po­de­roso im­pulso para as ba­ta­lhas fu­turas.

 

Já aqui es­cre­vemos – mas nunca é de­mais re­petir – que o PCP não se li­mitou a ma­ni­festar so­li­da­ri­e­dade com a Greve Geral: de­sem­pe­nhou, desde que a CGTP-IN a con­vocou, um papel ac­tivo na sua cons­trução, quer através da acção dos mi­lhares de di­ri­gentes e ac­ti­vistas sin­di­cais mi­li­tantes do Par­tido, quer através da in­ter­venção in­tensa das suas or­ga­ni­za­ções em todo o País.

Em todas as muitas e com­plexas exi­gên­cias que, em ma­téria de pre­pa­ração, uma greve como esta com­porta – desde o es­cla­re­ci­mento e a mo­bi­li­zação dos tra­ba­lha­dores até à cons­ti­tuição, or­ga­ni­zação e fun­ci­o­na­mento dos in­dis­pen­sá­veis pi­quetes de greve - o co­lec­tivo par­ti­dário co­mu­nista con­tri­buiu com a sua acção de­ter­mi­nada e con­fi­ante, com a sua longa e rica ex­pe­ri­ência fruto da sua par­ti­ci­pação, desde que existe, em pra­ti­ca­mente todas as lutas dos tra­ba­lha­dores e do povo por­tu­guês.

Su­bli­nhando este facto, não pre­ten­demos chamar a nós quais­quer louros pelo êxito me­mo­rável desta Greve Geral. Na sua luta, os co­mu­nistas não são, nunca foram, nunca serão, mo­vidos por de­sejos de tais no­to­ri­e­dades: foram, são e serão, isso sim, uma força – a única no nosso País - com a qual os tra­ba­lha­dores por­tu­gueses podem contar em todos os mo­mentos e em todas as cir­cuns­tân­cias.

Por isso, nesta Greve Geral - a maior de sempre re­a­li­zada pelos tra­ba­lha­dores por­tu­gueses - o PCP en­quanto par­tido da classe ope­rária e de todos os tra­ba­lha­dores, os seus mi­li­tantes, as suas or­ga­ni­za­ções, es­ti­veram onde de­viam estar: na pri­meira fila da luta das massas tra­ba­lha­doras - ocu­pando o lugar que é seu por di­reito con­quis­tado ao longo de quase no­venta anos de vida e de luta.

E assim será nos dias que aí vêm. Porque a luta con­tinua.