«Kanikosen - O Navio dos Homens»

«Vamos ao inferno». Assim começa a história - editada, este ano, em Portugal, pela nova editora «Clube do Autor» - de um grupo de pescadores a bordo de um navio pesqueiro, durante a faina no mar de Kamchatka, em condições inimagináveis, insuportáveis e profundamente desumanas. «Kanikosen - O Navio dos Homens» foi escrito em 1929 e o seu autor, Takiji Kobayashi, assassinado em 1933, pela polícia secreta, é considerado o mais revolucionário dos escritores japoneses, tornando-se um mártir do movimento operário.

Takiji Kobayashi nasceu em Obade, em 1903. Depois de concluídos os estudos, foi trabalhar para um dos principais bancos do Japão. Em 1926 começou a colaborar com o movimento sindical e com o Partido Comunista, participando em actividades políticas consideradas «radicais», como revoltas de trabalhadores e greves de camponeses.

As páginas do seu livro, à venda nas livrarias portuguesas, falam de sofrimento, de vidas pejadas de dor e humilhação, de actos impiedosos. «Enquanto o vento morde a coberta e a neve transforma os barcos em espectros, o patrão da expedição pesqueira força os tripulantes a trabalharem até ao esgotamento e aplica-lhes castigos brutais, se se atreverem a protestar. A pouco e pouco, espalham-se as sementes da revolta e, apesar das embarcações da marinha imperial que patrulham a região para manter a ordem, rebenta o inevitável motim», lê-se na apresentação da obra.



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