Jornadas Parlamentares apontam soluções e propostas concretas para uma nova política

Responder aos problemas

Nas suas jor­nadas Par­la­men­tares re­a­li­zadas esta se­gunda e terça-feira, em San­tarém, o PCP apre­sentou pro­postas con­cretas no plano da des­pesa e re­ceita fiscal, a par de um con­junto de me­didas contra o des­pe­sismo dos di­nheiros pú­blicos, ori­en­tadas todas elas no sen­tido de dar corpo a um outro rumo para o País.

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É que um Or­ça­mento do Es­tado na linha desta po­lí­tica só agra­vará os pro­blemas, ad­vertem os de­pu­tados co­mu­nistas, in­sis­tindo em que o ca­minho certo passa pelo au­mento dos sa­lá­rios, re­formas e pen­sões e por um in­ves­ti­mento pú­blico que pro­mova o cres­ci­mento eco­nó­mico.

A re­jeição da ideia de que o ca­minho tra­çado por PS e PSD para o País é «ine­vi­tável» es­teve muito pre­sente ao longo destes dois dias de tra­balho, no de­curso dos quais, ao invés, foi de­mons­trada a exis­tência de al­ter­na­tivas e de  so­lu­ções para os graves pro­blemas e di­fi­cul­dades ac­tuais.

As res­postas de quem, como o PCP, co­nhece bem a re­a­li­dade, está perto das po­pu­la­ções e se iden­ti­fica com o seu sentir e as­pi­ra­ções, acom­panha a «eco­nomia con­creta e real que sofre com a ca­pi­tu­lação do Go­verno e da di­reita aos es­pe­cu­la­dores, ao sector fi­nan­ceiro e às ori­en­ta­ções dos po­deres de facto da União Eu­ro­peia».

Disse-o Ber­nar­dino So­ares na aber­tura das Jor­nadas, onde in­ter­veio igual­mente Je­ró­nimo de Sousa, Se­cre­tário-geral do PCP, e a ver­dade é que essa voltou a ser uma marca muito forte nesta Jor­nadas, onde os de­pu­tados ti­veram en­sejo de tomar o pulso à re­a­li­dade eco­nó­mica e so­cial da re­gião, no­me­a­da­mente por via de vi­sitas e en­con­tros com tra­ba­lha­dores e agri­cul­tores e res­pec­tivas es­tru­turas re­pre­sen­ta­tivas.


 Acção des­trui­dora

 

A reter dessas vi­sitas, como traço fun­da­mental, fica a cons­ta­tação de que este é um dis­trito, tal como no resto do País, muito fus­ti­gado pela grave si­tu­ação eco­nó­mica e so­cial, sendo ob­ser­vá­veis, entre ou­tros, pro­blemas como   a des­truição do apa­relho pro­du­tivo na­ci­onal, de­sem­prego, pre­ca­ri­e­dade, baixos sa­lá­rios, em­prego não qua­li­fi­cado, re­curso ge­ne­ra­li­zado a em­presas de sub­con­tra­tação de mão-de-obra.

As­pectos todos eles re­fe­ren­ci­ados nas con­clu­sões das Jor­nadas apre­sen­tadas an­te­ontem em con­fe­rência de im­prensa pelo líder par­la­mentar do PCP, que alertou so­bre­tudo para o nú­mero de de­sem­pre­gados ali re­gis­tados - 19 000 tra­ba­lha­dores, 27% dos quais não tem qual­quer apoio -, a par da falta de in­ves­ti­mento pú­blico (com  con­sequên­cias graves no en­cer­ra­mento e fa­lência de em­presas de cons­trução civil).

Não menos grave é a perda de di­reitos in­di­vi­duais e co­lec­tivos que tem vindo a re­gistar-se, como a im­po­sição do banco de horas em vá­rios sec­tores, ta­bela sa­la­rial abaixo do sa­lário mí­nimo na­ci­onal (como no sector da cons­trução e ma­deiras onde são pra­ti­cados sa­lá­rios de 459€), boi­cote do pa­tro­nato à ac­tu­a­li­zação sa­la­rial e ca­du­ci­dade dos con­tratos co­lec­tivos de tra­balho, me­didas re­pres­sivas e au­to­ri­tá­rias sobre os tra­ba­lha­dores, boi­cote e des­res­peito pelos di­reitos sin­di­cais, di­fi­cul­dade de acesso à jus­tiça.

A des­truição do apa­relho pro­du­tivo tem igual­mente vindo a atingir o dis­trito de San­tarém, como pu­deram cons­tatar os de­pu­tados do PCP, com pro­cessos de in­sol­vência em inú­meras em­presas, não es­ca­pando a agri­cul­tura, com o fim da pro­dução e trans­for­mação da be­ter­raba sa­ca­rina no Vale do Sor­raia.

À se­me­lhança do que se passa nou­tros pontos do ter­ri­tório, também o pro­cesso de en­cer­ra­mento de ser­viços pú­blicos é uma «do­ença» que ataca o dis­trito de San­tarém. São   ser­viços de saúde, es­colas, bal­cões da se­gu­rança so­cial a so­frer o ataque des­ca­be­lado do Go­verno, obe­de­cendo a uma po­lí­tica eco­no­mi­cista, mesmo que seja à custa da «de­ser­ti­fi­cação do País, do agra­va­mento das as­si­me­trias re­gi­o­nais, da con­de­nação de muitas lo­ca­li­dades ao en­ve­lhe­ci­mento e ao de­clínio».


 O dé­fice da pro­dução

 

Ob­jecto de aná­lise cui­dada nas Jor­nadas foi também a grave crise com que o País se con­fronta, «uma das mais graves das úl­timas dé­cadas», se­gundo as con­clu­sões, que su­bli­nham que «o grave dé­fice que en­fren­tamos é o dé­fice de pro­dução, bem re­flec­tido no cres­cente en­di­vi­da­mento ex­terno da eco­nomia por­tu­guesa».

Na origem dos pro­blemas, para o PCP, está uma «po­lí­tica vin­cu­lada aos in­te­resses dos grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros, de ab­di­cação dos in­te­resses na­ci­o­nais, de de­sa­pro­vei­ta­mento dos seus re­cursos», cuja per­sis­tência, alerta, agra­vará a ac­tual si­tu­ação, con­di­ci­o­nando ainda mais o fu­turo  do País.

Foi pois a firme de­núncia desta po­lí­tica e seus exe­cu­tantes que es­teve pre­sente nas Jor­nadas, de onde saiu a re­a­fir­mação clara de que «Por­tugal não é um país pobre» e de que é na «de­fesa da pro­dução e do apa­relho pro­du­tivo  na­ci­onal» que re­side a «in­con­tor­nável res­posta ao ac­tual pro­cesso de de­clínio eco­nó­mico».



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