Eleito no sábado, 25, para a liderança do Partido Trabalhista, Ed Miliband foi apontado ao longo da campanha como o candidato da esquerda. Ao contrário do seu irmão David, adepto do «novo laborismo» e tido como favorito na corrida, Ed soube captar o apoio decisivo dos sindicatos, que pesa um terço no colégio eleitoral, projectando uma ruptura com o passado de má memória da «terceira via» blarista.
Para ganhar os votos da «esquerda», não hesitou em declarar a morte do «novo trabalhismo», que definiu como «um capitalismo embrutecido ao estilo norte-americano». E foi na base deste discurso que os poderosos sindicatos Unite, Unison e GMB proporcionaram a vitória a Ed «Vermelho» sobre o seu irmão mais velho, ainda que com uma escassa vantagem de 1,3 por cento.
Todavia, Ed não demorou muito a demarcar-se de «radicalismos». Na sua primeira entrevista aos meios de comunicação britânicos, o sucessor de Gordon Brown disse que sua eleição é a vitória de «uma nova geração», mas negou com veemência que tal represente «uma viragem à esquerda do partido».
Garantindo que pertence ao centro, declarou como objectivo o combate «às grandes injustiças» e notou que «não é preciso ser de esquerda para achar que alguns excessos a que assistimos no topo da sociedade são errados».
Interrogado sobre o apoio maciço que recebeu dos grandes sindicatos britânicos, enjeitou compromissos: «Não sou o homem de ninguém, sou senhor de mim próprio». E acrescentou: «Francamente, essas imagens (de mim) como “Ed Vermelho” são tão cansativas como estúpidas».