UMA CANDIDATURA PARA A LUTA
«E que outra candidatura pode – dizendo a verdade – dizer o mesmo?»
A apresentação da declaração de candidatura de Francisco Lopes constituiu um momento alto do processo que culminará com a eleição do futuro Presidente da República.
Na verdade, mostram os factos que estamos perante uma candidatura diferente de todas as restantes. Mais do que diferente: única - na análise que faz à situação do País e às causas dessa situação; nos caminhos que aponta para a resolução dos gravíssimos problemas existentes; na definição que faz dos protagonistas indispensáveis à luta por um novo rumo para Portugal.
Como afirmou Francisco Lopes, «o declínio nacional, a descaracterização do regime democrático e o ataque à soberania e independência nacionais, marcam hoje a realidade do País» - e esta realidade é o resultado de mais de três décadas de sucessivos governos PS e PSD (com ou sem o CDS/PP), partilhando alternadamente o poder, ambos aplicando, no essencial, a mesma política de desprezo, desrespeito e confronto com os valores e os ideais de Abril, ambos aplicando a política de direita que conduziu Portugal à dramática situação em que se encontra.
Ora, nenhuma das candidaturas já conhecidas (aí incluída a mais do que previsível candidatura de Cavaco Silva) vê as coisas desta maneira. Pelo contrário: todas elas, directa ou indirectamente, estão ligadas a essas três décadas de devastação do País e a preocupação maior de todas parece ser a de assegurar a continuação do mais do mesmo que tem vindo a flagelar os interesses dos trabalhadores, do povo e do País,
A candidatura de Francisco Lopes afirma a sua oposição – e opõe-se, de facto – à política de direita ao serviço do grande capital sejam quais forem os seus protagonista em cada momento; assume a exigência de uma profunda ruptura e de uma efectiva mudança em relação às orientações políticas seguidas nas últimas décadas, uma mudança no caminho do desenvolvimento, da justiça e do progresso social.
E que outra candidatura pode – dizendo a verdade – dizer o mesmo?
Para a candidatura do PCP, a mudança necessária implica um compromisso empenhado com os valores, os ideais, o projecto de Abril – projecto de democracia política, económica, social e cultural, assente na afirmação inequívoca da independência e da soberania nacionais; projecto inscrito na Constituição da República Portuguesa, apesar das mutilações a que os partidos da política de direita têm submetido a Lei Fundamental do Pais, roubando-lhe pedaços de Abril através de sucessivas revisões.
Sendo certo que a situação a que o País chegou tem raízes numa prática governativa e presidencial de desrespeito sistemático, por violação grosseira ou por omissão, do texto constitucional, o respeito e o cumprimento da Constituição apresenta-se como caminho para inverter esta situação, para defender e ampliar o regime democrático constitucional, projectando no nosso futuro próximo os valores de Abril e o seu horizonte de liberdade, de igualdade e justiça social, da fraternidade, de participação popular.
É assim que a candidatura do PCP, intervindo na defesa e na afirmação do regime democrático, propugna inequivocamente o respeito pelo cumprimento da Constituição da República, afirma a sua determinação de combater as práticas que a desrespeitam, bem como os projectos que visam a sua subversão – como é o caso do actual projecto do PSD - e apresenta e protagoniza uma alternativa para o exercício das funções do Presidente da República, assente na confiança na força dos trabalhadores e do povo.
Como afirmou Francisco Lopes, «o Presidente da República, no quadro dos seus poderes, pode e deve intervir de forma inequívoca na concretização do compromisso que assume de “defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa”».
E que outra candidatura pode – dizendo a verdade – dizer o mesmo?
Esta é uma candidatura que se insere na luta das massas trabalhadoras e populares – e que, porque dessa luta nasceu e dela é parte integrante, não tem hesitações nem alimenta equívocos nem ambiguidades no que respeita às medidas, orientações e soluções indispensáveis para resgatar o País do declínio para o qual foi empurrado por 34 anos de sucessivos governos dos três partidos da política de direita – PS, PSD e CDS/PP.
Esta é uma candidatura que aponta a luta dos trabalhadores e do povo como caminho indispensável para assegurar a ruptura com a política de direita contrapondo-lhe uma política alternativa e uma alternativa política.
Esta é uma candidatura que, porque é patriótica, considera que é ao povo português, e não aos grandes grupos económicos e financeiros nacionais e internacionais - que compete decidir o destino do País – um destino que não dispensa a independência e a soberania nacionais.
Esta é uma candidatura que, claramente, aponta um rumo de ruptura com a natureza antipatriótica do processo de integração europeia e com a postura de submissão ao imperialismo e à NATO.
Esta é uma candidatura que, porque é de esquerda, tem um compromisso essencial com os valores de Abril; com os trabalhadores e os seus interesses de classe; com os direitos e aspirações do povo português.
Esta é uma candidatura que transporta um projecto coerente e um combativo percurso na defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.
Esta é uma candidatura de luta e para a luta – e que, por isso, com toda a confiança, diz aos trabalhadores e ao povo que «é preciso transformar desânimos e resignações em esperança combativa», que a luta é o caminho.
E que outra candidatura pode – dizendo a verdade – dizer o mesmo?