Paz sim! Nato não!
Os Estados Unidos, a NATO e os seus principais membros são ainda acusadas de crimes contra a paz, contra a humanidade
No comício de encerramento da Festa do Avante!, o Secretário-geral do PCP aconselhou aqueles que nos criticaram quando o Partido em 2009 apontava a necessidade de confirmação pelos factos dos elaborados discursos das promessas de paz mundial, do Prémio Nobel para Obama, de mudança, de diálogo, do fim do unilateralismo, a falarem e contarem o que pensam hoje da «profusão dos focos de tensão em todo o Mundo», da «hipocrisia dos Estados Unidos e da NATO relativamente à questão nuclear», da «reabilitação em várias partes do Mundo da guerra das estrelas de Reagan, de Bush e agora de Obama», da «permanência de 50 000 militares dos EUA no Iraque», da «chacina em curso no Afeganistão», do «alargamento da guerra ao Paquistão», da «estratégia de tensão e ingerência em todo o Médio Oriente» e dos «crimes de Israel contra os povos da região como o libanês e o martirizado povo palestiniano».
Os mais jovens e os que estão preocupados com as ameaças e perigos contra a paz poderão verificar num precioso dossier intitulado «Por Abril, pela Paz, Não à NATO!», publicado no último número de O Militante (Setembro/Outubro), como desde a sua fundação até aos nossos dias aquela aliança militar imperialista se tem atolado cada vez mais no pântano da mentira e da hipocrisia. E para aqueles que poderão pensar tratar-se de uma avaliação exclusiva dos comunistas basta ler o libelo acusatório da Comissão Independente para a Investigação dos Crimes de Guerra dos Estados Unidos e da NATO contra o Povo da Jugoslávia dirigida pelo antigo ministro da Justiça norte-americano Ramsey Clark. São factos comprovados e indiscutíveis que num mundo verdadeiramente livre e democrático deveriam conduzir à imediata dissolução da NATO, tais como «planeamento e execução do desmantelamento, da confrontação étnica e empobrecimento da Jugoslávia; impedimento e sabotagem dos esforço para a manutenção da unidade, da paz e da estabilidade na Jugoslávia; liquidação do papel de garante da paz das Nações Unidas; destruição e danificação em toda a Jugoslávia de edifícios, recursos e valores materiais de instituições económicas, sociais, culturais, de saúde, diplomáticas e religiosas; ataques contra alvos necessários à vida das populações; ataques contra edifícios contendo perigosas substâncias químicas e energéticas como fábricas, depósitos de petróleo e de gás; morte e ferimento de pessoas indefesas; utilização de bombas de fragmentação, de urânio e de outras armas proibidas; guerra contra o meio ambiente; aplicação de sanções; criação de um tribunal ilegal ad-hoc para liquidar e diabolizar os dirigentes sérvios; tentativa para a liquidação da soberania, da democracia e da cultura dos povos eslavos e de outros povos da Jugoslávia...». No documento da Comissão Clark, os Estados Unidos, a NATO e os seus principais membros são ainda acusadas de crimes contra a paz, contra a humanidade.
Como salientou Jerónimo de Sousa, as cimeiras da guerra das Lajes e de Lisboa distinguir-se-ão pela fotografia onde Barroso será substituído por Sócrates. A infidelidade do primeiro-ministro e Secretário-Geral do PS aos ideais de Abril não impedirá que na Avenida da Liberdade, a 20 de Novembro, o povo que os capitães de Abril ajudaram a libertar da guerra colonial e de um regime fascista fundador da NATO, grite bem alto «Paz Sim ! NATO Não!».