O desporto adaptado tem presença obrigatória na Festa. O que decorre da perspectiva do PCP sobre a prática desportiva, encarada como elemento essencial na formação integral do indivíduo, um direito que a ninguém deve ser vedado.
BOCCIA
Pelo quarto ano consecutivo, quem passou pela área confinante ao Espaço Ciência, junto ao Lago, com o Tejo logo ali em pano de fundo, pôde assistir à demonstração de BOCCIA pela escola do Núcleo de Almada/Seixal da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa.
Participação que voltou a ser marcada pelo êxito, assegurado não só pela presença massiva de pessoas que seguiram atentamente o desempenho dos jovens atletas, como, sobretudo, pelo que representou para estes a sua própria presença na Festa.
«É onde têm mais gente a assistir e onde são mais acarinhados», declarou ao Avante! José Patrício, presidente daquela instituição da Margem Sul, que revelou ser por essa razão que os atletas elegem a Festa como o local onde «mais gostam de participar».
Afinal, e como não podia deixar de ser, é ali que são olhados como iguais, dentro das suas limitações, por quem procura dar-lhes o melhor e garantir os seus direitos.
Com um trabalho exemplar no apoio às pessoas com paralisia cerebral, aquela estrutura tem em curso um processo de autonomização, visando deixar de ser Núcleo e afirmar-se como Associação de Paralisia Cerebral de Almada/Seixal.
Igualmente em mãos, a acalentar o sonho dos associados, está a construção do Centro de Reabilitação Terapêutica. Apesar do apoio incondicional da Câmara do Seixal, que inclusive cedeu já o terreno, o projecto continua a debater-se com dificuldades de financiamento, designadamente da administração central.
«Não temos conseguido enquadrar a candidatura em projectos comunitários», explicou o responsável da associação, adiantando, contudo, que nem este nem qualquer outro obstáculo os fará «desistir» do projecto. «Essa é palavra que nunca utilizaremos», garantiu, antes de deixar o apelo a um «maior envolvimento das famílias e da comunidade» no sentido do apoio ao trabalho da associação e à realização dos seus projectos.
Andebol em cadeira de rodas
Ainda no plano do desporto adaptado, a marcar presença de destaque no Polidesportivo, esteve a equipa de basquetebol da Associação Portuguesa de Deficientes de Lisboa, que fez no sábado uma demonstração não do que é considerado por estes atletas, internacionalmente, o seu «desporto-rei» – o basquetebol – mas sim de Andebol em Cadeira de Rodas.
Constituída por 20 atletas, esta é uma das 15 equipas existentes no País (seis destas são de outros núcleos da APD), participando regularmente em campeonatos nacionais e internacionais, como nos revelou Jorge Almeida, seu atleta e treinador.
Satisfeito pela inclusão da sua equipa no programa do Desporto na Festa, onde são sempre bem acolhidos, valorizou esta participação, entendendo que ela permite mostrar sobretudo que, «havendo meios, as pessoas portadoras de deficiência podem praticar qualquer desporto».
E isso é extraordinariamente importante porque, enfatizou, a prática desportiva «melhora as condições físicas» e, nessa medida, «facilita o dia-a-dia», ajuda a «vencer dificuldades e barreiras», pode mesmo «mudar a vida» de algumas pessoas.
O problema é que quase sempre esses meios escasseiam ou faltam mesmo, principalmente os oriundos do Estado, lamentou, exemplificando a propósito com as dificuldades agora sentidas pela Selecção Nacional de Basquetebol na sua deslocação à República Checa, onde disputará o Campeonato Europeu em Cadeira de Rodas, Divisão B, para não falar do que foi a sua ausência há poucos anos no Campeonato da Grécia por falta de apoios.