17.º FMJE é em Dezembro na África do Sul

O inestimável valor de resistir

O Acampamento de Avis serviu também para divulgar o 17.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE), que se realiza em Dezembro na África do Sul. As expectativas em torno do evento são elevadas.

Espera-se na cerimónia de abertura do 17.º FMJE 60 mil pessoas

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Pela primeira vez na história, o FMJE realizar-se-á na África austral, mais exactamente em Joanesburgo, na África do Sul. Também a data escolhida não é comum: não será em Agosto, como de costume, mas em Dezembro, mais precisamente entre 13 e 21. Todas estas novidades não assustam os organizadores do evento, que confiam que este será um grande Festival.

Como testemunhou ao Avante! Tiago Vieira, dirigente da JCP e actual presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática, tudo indica que a participação será semelhante à verificada na Venezuela em 2005. Para a cerimónia de abertura, prevista para o Estádio de Orlando, nos arredores de Joanesburgo, está prevista a presença de 60 mil pessoas.

A grande diferença virá, prevê o jovem dirigente comunista, da «forte e ampla» participação dos países do Sul de África, nomeadamente da Namíbia, de Moçambique, de Angola e do Zimbabué (para além da anfitriã África do Sul) que «trará ao Festival uma grande riqueza, que não terá sido possível em festivais anteriores». Para além das lutas históricas dos povos africanos, contra o colonialismo ou o apartheid (regime de segregação racial e dominação branca na África do Sul, que terminou na década de 90 do século passado), estarão presentes os combates actuais travados pela juventude africana e, particularmente, sul-africana – nomeadamente as lutas pela gratuitidade do ensino, pela nacionalização dos recursos naturais, em particular das minas, e contra a militarização do continente, levada a cabo pelos Estados Unidos da América.

Para além das temáticas específicas de África, pelo Festival passarão outros temas. Tiago Vieira, após revelar que o programa do Festival está já fechado, afirmou que as questões da guerra e da paz, e da resistência à dominação imperialista, serão as temáticas centrais. Os direitos sociais e as liberdades e direitos democráticos terão igualmente um lugar de destaque. O ambiente é outra das questões com forte presença, que será colocada «do ponto de vista anti-imperialista». «Não entramos no jogo de colocar esta questão acima das outras e desligada delas», assumiu o presidente da Federação.

Já no debate realizado na tarde de sábado, Tiago Vieira revelara que estão previstas cerca de 120 actividades nos nove dias do Festival, das mais variadas. Exemplo disto é o torneio de futebol, que terá como lema Dá um chuto no imperialismo.

Uma forte presença portuguesa

Boas são igualmente as perspectivas em torno da participação portuguesa no Festival da África do Sul, confessou Tiago Vieira. «O trabalho tem vindo a avançar», afirmou, acrescentando que o Comité Nacional Preparatório português conta já com mais de 30 organizações.

Tiago Vieira reconhece que a data de Dezembro é um «desafio» a exigir que quem queira participar tome já as medidas necessárias, na escola ou no trabalho. Mas pelos jovens entretanto inscritos e pelo entusiasmo existente em torno do evento, espera-se que a participação portuguesa no Festival possa vir a ser maior e mais diversificada do que aquela que marcou presença em Caracas há cinco anos.

É muito forte – e antiga – a ligação dos jovens portugueses com o movimento dos festivais mundiais da juventude e dos estudantes. Impedidos de participar nos três primeiros (ver caixa), jovens portugueses, reunidos numa delegação do Movimento de Unidade Democrática Juvenil, estão em Bucareste em 1953. De regresso a Portugal, são presos por participação em «actividades subversivas».

O Festival da Roménia fica ainda marcado por ter sido aí a primeira vez que os povos das então colónias portuguesas viram reconhecida a sua nacionalidade. Até então integrados na delegação do MUD Juvenil, os jovens africanos autonomizaram-se em representações de Angola, Moçambique, Guiné e São Tomé. Oito anos antes do início das guerras de libertação. 

 

Os outros festivais

Jovens do vasto mundo

O primeiro Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes realizou-se em Praga, na então Checoslováquia. Estava-se ainda nos escombros da Segunda Guerra Mundial quando 17 mil jovens rumaram a Praga sob o lema Juventude Unida por uma Paz Duradoura. Nesse festival, onde pela primeira vez de ouviu o Hino da Juventude Democrática (Jovens do Vasto Mundo...), foi simbolicamente reconstruída uma ponte arrasada pelas forças nazis.

Embalados pelo sucesso do primeiro festival, a juventude progressista do mundo esperou apenas dois anos para realizar o segundo FMJE, em Budapeste, na Hungria. Participaram mais de 10 mil jovens oriundos de 82 países, reunidos sob o lema Juventude Unida, Avante por uma Paz Duradoura, Democracia, Independência Nacional e um Futuro Melhor para os Povos.

O terceiro festival teve lugar em 1951, em Berlim, capital da então República Democrática Alemã. No auge da Guerra Fria, o lema expressava as preocupações de então: Pela Paz e a Amizade – Contra as Armas Nucleares. Estiveram presentes 26 mil jovens de 104 países.

Bucareste , na Roménia, recebeu em 1953 o quarto FMJE – o tal que contou com a participação de uma delegação portuguesa e das então colónias portuguesas. Sob o lema Pela Paz e a Amizade, o evento contou com 30 mil participantes de 111 países.  Oriundos de 114 países, 30 mil jovens marcaram presença em Varsóvia, na Polónia, para o quinto Festival, realizado em 1955. O lema revela bem a conjuntura da época: Pela Paz e a Amizade – Contra os Pactos Militares Agressivos do Imperialismo.

 O sexto FMJE teve lugar em Moscovo em 1957. Pela Paz e a Amizade foi o lema que reuniu 34 mil jovens de 131 países. O sétimo Festival, realizado em 1959, teve a particularidade de ter tido lugar fora dos países do campo socialista – em Viena, capital da Áustria. Pela Paz, Amizade e Coexistência Pacífica foi o lema. Estiveram presentes 18 mil pessoas de 112 países. Três anos depois, foi a vez de Helsínquia receber o FMJE e os seus 18 mil participantes em representação de 137 países. O lema foi Pela Paz e a Amizade.

 O nono Festival teve lugar em Sófia, na Bulgária, em 1968. 20 mil jovens, de 142 países, reuniram-se Pela Solidariedade, a Paz e a Amizade. Em 1973, o Festival volta a Berlim para a sua décima edição. 25 mil pessoas, de 140 países, marcam presença. Pela Solidariedade Anti-Imperialista, a Paz e a Amizade foi o lema.

 1978 marca a realização do Festival fora da Europa pela primeira vez. Havana, capital de Cuba, foi o local escolhido. De 145 países seguem 18 500 participantes, sob o mesmo lema da edição anterior. Sete anos depois, o FMJE regressa a Moscovo. Participam 26 mil jovens de 157 países. Em 1989, o Festival volta a sair da Europa, mas agora para a Ásia. Pyongyang, capital da República Popular Democrática da Coreia, recebe 22 mil jovens de 177 países.

 Em 1997, o FMJE regressa a Havana para a sua 14.ª edição. Mais de 12 mil jovens, de 136 nacionalidades, participam movidos Pela Solidariedade Anti-Imperialista, a Paz e a Amizade. Em 2001, o Festival realiza-se pela primeira vez em África, nomeadamente na Argélia. Milhares de jovens assumem: Globalizemos a Luta pela Paz, Solidariedade e Desenvolvimento, Contra o Imperialismo

Caracas , capital da República Bolivariana da Venezuela, recebeu a 16.ª edição do FMJE e os seus 17 mil participantes (oriundos de 144 países). Pela Paz e Solidariedade, Lutamos contra o Imperialismo e a Guerra foi o mote. 



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Inserido na campanha «Paz Sim! NATO Não!» e com o objectivo de divulgar o 17.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes – que tem lugar em Dezembro em Joanesburgo, na África do Sul –, realizou-se no fim-de-semana, em Avis, um acampamento com mais de 250 jovens de todo o País.

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