A FESTA

«Dela se diz, e é bem ver­dade, que não há festa como esta»

É assim todos os anos: por esta al­tura, a cons­trução da Festa do Avante! cons­titui a grande ta­refa do co­lec­tivo par­ti­dário co­mu­nista.

Uma ta­refa que, con­tudo – e apesar da sua di­mensão - não es­gota a ca­pa­ci­dade de in­ter­venção par­ti­dária, nem nada que se pa­reça.

Na ver­dade, como a re­a­li­dade nos mostra, ao mesmo tempo que a Festa é cons­truída, a acção dos mi­li­tantes co­mu­nistas con­tinua a de­sen­volver-se onde é ne­ces­sário de­sen­volver-se: na luta contra a po­lí­tica de di­reita, pela rup­tura e pela mu­dança, através da sua in­ter­venção quer nas es­tru­turas uni­tá­rias do mo­vi­mento sin­dical e das po­pu­la­ções, quer nas múl­ti­plas ac­ções de ini­ci­a­tiva par­ti­dária, no­me­a­da­mente as que têm como ob­jec­tivo dar com­bate ao fa­mi­ge­rado PEC PS/​PSD – sempre pro­cu­rando in­ten­si­ficar a luta de massas, torná-la mais ampla, mais par­ti­ci­pada, mais forte, mais eficaz.

Para além disso, pros­segue a cam­panha de re­forço do Par­tido, le­vando por di­ante as ori­en­ta­ções de­fi­nidas pelo Con­gresso e pelo Co­mité Cen­tral – ori­en­ta­ções de­fi­nidas co­lec­ti­va­mente e co­lec­ti­va­mente apli­cadas, como é ca­rac­te­rís­tico dos co­mu­nistas, e das quais emergem, pela im­por­tância cru­cial de que se re­vestem, a in­ten­si­fi­cação e alar­ga­mento da li­gação às massas – par­ti­cu­lar­mente às massas tra­ba­lha­doras - e o re­cru­ta­mento de novos mi­li­tantes, com a sua cor­recta in­te­gração or­gâ­nica.

E, como acima se disse, pros­segue a cons­trução da Festa do Avante.

A quem even­tu­al­mente se in­ter­rogue sobre como é pos­sível dar res­posta si­mul­tânea a tantas e tão com­plexas ta­refas, res­pon­demos que o se­gredo está no con­teúdo da mi­li­tância co­mu­nista, nessa ca­pa­ci­dade de in­ter­venção que, porque as­su­mida com ele­vada cons­ci­ência po­lí­tica, ide­o­ló­gica, par­ti­dária, re­vo­lu­ci­o­nária, é ge­ra­dora de dis­po­ni­bi­li­dades, de­di­ca­ções, von­tades, en­tregas ca­pazes de re­mover mon­ta­nhas e só pos­sí­veis em mi­li­tantes de um par­tido por­tador de um pro­jecto cujo ob­jec­tivo maior é a cons­trução de uma so­ci­e­dade li­berta de todas as formas de opressão e de ex­plo­ração.

 

Dela se diz, e é bem ver­dade, que não há Festa como esta.

Tanto assim é que es­tando a cerca de dois meses da sua aber­tura, ela já chegou, já está con­nosco, fa­zendo parte das nossas vidas.

Aí a temos, por exemplo, em todas as edi­ções do nosso jornal de há uns tempos a esta parte – e hoje com um su­ple­mento de oito pá­ginas de­di­cado aos es­pec­tá­culos; aí a temos, nas jor­nadas de tra­balho vo­lun­tário, que desde Maio são, também elas, uma festa: a festa da ami­zade e da ca­ma­ra­dagem; aí a temos, nos car­tazes e fo­lhetos que, afi­xados e dis­tri­buídos por todo o País, nos falam dela; aí a temos, no tra­balho com que as di­versas or­ga­ni­za­ções re­gi­o­nais pre­param a sua pre­sença no es­paço da Ata­laia no pri­meiro fim-de-se­mana de Se­tembro; aí a temos, na acção de mi­lhares de mi­li­tantes que con­cebem e ela­boram as ex­po­si­ções, os es­pec­tá­culos, os de­bates, as provas des­por­tivas que, du­rante três dias, serão a Festa; aí a temos, na pre­o­cu­pação co­lec­tiva de as­se­gurar aos mi­lhares e mi­lhares de vi­si­tantes todas as con­di­ções para a viver em pleno.

A Festa do Avante! é como que a me­nina dos olhos do co­lec­tivo par­ti­dário co­mu­nista.

Cer­ta­mente porque, como ne­nhuma outra re­a­li­zação par­ti­dária, ela ex­pressa lu­mi­nar­mente o Par­tido e a sua iden­ti­dade: a sua na­tu­reza de classe, o seu pro­jecto de so­ci­e­dade, a sua ide­o­logia, as suas normas de fun­ci­o­na­mento in­terno, o seu in­ter­na­ci­o­na­lismo pro­le­tário, a sua li­gação às massas e aos seus in­te­resses e as­pi­ra­ções.

Com efeito, a Festa – no tempo da sua cons­trução e nos seus três dias de du­ração - é o tra­balho co­lec­tivo e a mi­li­tância; é o re­la­ci­o­na­mento fra­terno, so­li­dário, leal; é o ponto de en­contro de mi­lhares e mi­lhares de mi­li­tantes e de amigos do Par­tido; é a mú­sica, o te­atro, as artes plás­ticas, a li­te­ra­tura, a cul­tura; é o ar­te­sa­nato e a gas­tro­nomia; é o de­bate em torno de grandes ques­tões da ac­tu­a­li­dade na­ci­onal e in­ter­na­ci­onal; é a so­li­da­ri­e­dade in­ter­na­ci­o­na­lista; é o con­vívio fra­terno entre mi­lhares e mi­lhares de cons­tru­tores e vi­si­tantes; é um es­paço novo de li­ber­dade e de de­mo­cracia, um es­paço a apontar para o fu­turo que Abril nos con­firmou ser pos­sível e pelo qual lu­tamos com a cons­ci­ência de ele será nosso.

 

Este ano as­si­na­lamos o 20.º ani­ver­sário da pri­meira Festa na Ata­laia – no ter­reno que é nosso e cuja compra, através de uma cam­panha de fundos à es­cala na­ci­onal, pôs termo a um sem nú­mero de pro­blemas, di­fi­cul­dades e obs­tá­culos – e que, por tudo isso, cons­ti­tuiu um acon­te­ci­mento me­mo­rável.

Obri­gado, desde 1976 – ano da pri­meira edição da Festa do Avante, na FIL - a saltar de ter­reno em ter­reno (Jamor, Alto da Ajuda, Loures) e a des­bravar cada novo ter­reno à custa de muito tra­balho e muito es­forço; su­jeito a ma­no­bras e a gol­paças su­ces­sivas  por parte da­queles que, desde que a Festa nasceu, não pensam noutra coisa que não seja acabar com ela – o co­lec­tivo par­ti­dário fez da compra do ter­reno da Ata­laia uma re­le­vante con­quista do Par­tido.

É claro que a ofen­siva contra a Festa não ter­minou. O êxito que ela é en­quanto a maior re­a­li­zação po­lí­tica, cul­tural, de massas e con­vi­vial - com a sua as­si­na­lável par­ti­ci­pação po­pular e, so­bre­tudo, ju­venil - in­co­moda os mesmos de sempre que, de então para cá, não se têm pou­pado a es­forços para al­cançar o seu ob­jec­tivo. Exem­plos disso são as leis dos par­tidos e do seu fi­nan­ci­a­mento, con­ge­mi­nadas e apro­vadas pelos par­tidos da po­lí­tica de di­reita e que têm como alvos prin­ci­pais, para não dizer ex­clu­sivos, o PCP e a Festa do Avante.

Mas a Festa ven­cerá. Cada ano mais bo­nita e mais par­ti­ci­pada, como iremos de­mons­trar nos pró­ximos dias 3, 4 e 5 de Se­tembro.