Partido Comunista renasce na Roménia

Contra o capitalismo

O novo Par­tido Co­mu­nista Ro­meno (PCR) re­a­lizou, sá­bado, 3, em Bu­ca­reste o seu con­gresso fun­dador que reuniu mais de 400 de­le­gados e con­vi­dados.

Con­gresso guardou si­lêncio pelas ví­timas do ca­pi­ta­lismo

Apesar de par­ti­lhar a de­sig­nação do his­tó­rico par­tido co­mu­nista ro­meno, o novo PCR re­sulta da mu­dança de nome do já exis­tente Par­tido Ali­ança So­ci­a­lista, que não dispõe de re­pre­sen­tação par­la­mentar.

O seu líder, Cons­tanti Ro­taru, fez um ba­lanço dos 20 anos trans­cor­ridos desde o golpe de Es­tado em De­zembro de 1989, que der­rubou o re­gime so­ci­a­lista, con­si­de­rando que a res­tau­ração do ca­pi­ta­lismo pro­vocou um ver­da­deiro «ge­no­cído so­cial». Em me­mória das ví­timas do ca­pi­ta­lismo no país, o con­gresso guardou um mi­nuto de si­lêncio.

Ro­taru re­feriu o saque dos ser­viços e em­presas pú­blicas e a des­truição ge­ne­ra­li­zada do apa­relho pro­du­tivo, que re­duziu a po­pu­lação à mi­séria, for­çando mi­lhões de ro­menos a aban­donar o país em busca de tra­balho.

Entre muitos exem­plos con­cretos, re­feriu que restam ac­tu­al­mente apenas 54 por cento dos hos­pi­tais exis­tentes em 1989, a pro­dução têxtil re­pre­senta 13 por cento, a ex­tracção de carvão é de 36% por cento, a pro­dução de aço, de 19 por cento, a pro­dução de ma­qui­naria está re­du­zida a cinco por cento, restam 31 por cento do gado bo­vino e a pro­dução de carne re­duziu-se para 14 por cento do nível de há 20 anos.

Em co­mu­ni­cado, ci­tado pela agência AFP, o PCR afirma que «se lança na luta para co­locar fim à pi­lhagem à qual o país está sub­me­tido», co­lo­cando como ob­jec­tivo a eleição de uma re­pre­sen­tação par­la­mentar. No seu pro­grama de­fende a gra­tui­dade da edu­cação pú­blica e a pro­pri­e­dade es­tatal em sec­tores es­tra­té­gicos.

To­davia, a le­ga­li­zação do novo par­tido é uma ba­talha que se afi­gura di­fícil, já que uma lei de 1991 proíbe ex­pres­sa­mente «ma­ni­fes­ta­ções pú­blicas que per­sigam a pro­pa­ganda de ideias to­ta­li­tá­rias de na­tu­reza fas­cista, co­mu­nista, ra­cista ou qual­quer or­ga­ni­zação ter­ro­rista».



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