Junho mortal para a NATO no Afeganistão
Quase 100 soldados ocupantes morreram durante o mês de Junho no Afeganistão, tornando este período o mais negro para os militares da NATO desde o início da guerra no território.
«O total de ocupantes abatidos este mês elevou-se para 99»
Enquanto o chefe da CIA, Leon Panetta, admitia em entrevista a um canal de televisão que o combate contra os grupos talibã é mais duro e prolongado que o previsto, o número de baixas militares estrangeiras no Afeganistão durante este mês aproximava-se da centena.
Com a morte de um soldado britânico na região de Helmand e de quatro uniformizados noruegueses na província de Faryab, domingo, o total de ocupantes abatidos este mês elevou-se para 99. No total, desde o início do ano de 2010, já morreram cerca de 319 militares da NATO na guerra que se desenrola naquele país.
O mês de Junho é mais o mais negro para a Aliança Atlântica desde o início da invasão e ocupação do território centro-asiático. Até agora, Agosto de 2009 era o mês mais sangrento para a NATO no Afeganistão, com 77 vítimas mortais entre as suas fileiras.
Desagregação interna
A semana fica ainda marcada pela substituição do chefe das tropas ocupantes no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, pelo seu homólogo David Petraeus. Na base da decisão de Barack Obama estão as críticas jocosas feitas por McChystal à administração norte-americana, publicadas na revista Rolling Stone.
O vice-presidente Joe Biden e o embaixador norte-americano no Afeganistão não escapam aos comentários ácidos que McChrystal, facto que não agradou a Obama. O presidente dos EUA considerou a entrevista um equívoco, mas deixou escapar mais que isso.
No discurso de nomeação de Patraeus, Obama lembrou que não vai tolerar «divisões no seio da sua equipa». Se a isto juntarmos que, enquanto Obama falava à comunicação social, o próprio McChrystal emitia um comunicado anunciando a sua demissão, vislumbram-se sinais de desagregação interna no seio do mais alto comando militar norte-americano.
Recorde-se que McChrystal foi o general designado por Obama para levar por diante a chamada «nova estratégia para a guerra no Afeganistão», substituindo o general David McKiernan, fustigado pelas críticas e pelo insucesso militar.
O andamento do conflito parece confirmar que não há estratégia que resista à injustiça da guerra, por muitos bodes expiatórios que se encontrem.
Talibãs falam em fracasso
Reagindo à demissão do general McChrystal, um dos grupos que resiste à ocupação do país sublinhou que a questão fundamental é que «a estratégia de Obama é um fracasso». O grupo talibã sublinhou ainda que Obama «é ardiloso, lavando suas mãos com McChrystal a fim de manter a própria imagem e a do seu partido nos EUA e no mundo».
O grupo considera ainda que a ocupação do Afeganistão não se resolverá trocando de generais.
Obama perde popularidade
Entretanto, uma sondagem publicada quinta-feira da semana passada pela NBC e pelo The Wall Street Journal mostra que os norte-americanos são cada vez mais críticos face ao governo Obama. 62 por cento dos inquiridos considera que o país não está no rumo certo, o nível mais elevado desde as eleições de 2008.
Pouco mais de 30 por cento acha que a economia vai melhorar, isto é, menos cerca de 7 por cento que em Maio, arrastando o nível de confiança dos norte-americanos na recuperação da economia para o ponto mais baixo desde que Obama assumiu a Casa Branca.