Apesar de terem vencido as legislativas, o resultado obtido pelos sociais-democratas checos não lhes permite formar governo face à maioria obtida pelos partidos da direita.
Os conservadores do ODS (democratas cívicos), que ficaram em segundo lugar nas eleições com 20,21 por cento e 51 deputados, deverão liderar o próximo governo da República Checa, em coligação com outras formações de direita e de extrema-direita.
Logo na noite de sábado, 29, o líder dos sociais-democratas, Jiri Paroubek, reconheceu que era impossível formar governo, apesar de o seu partido ter sido a força mais votada, com 22,08 por cento e 57 deputados.
Desiludido com tão magra vitória, sobretudo depois de as sondagens o terem apresentado como o favorito com mais de dez pontos percentuais de avanço sobre os conservadores, Paroubek anunciou a sua demissão da liderança do partido.
Em contrapartida, Petr Necas, chefe do ODS, rejubilou com os resultados, considerando que oferecem «uma grande oportunidade para constituir uma coligação responsável, que o país precisa nestes tempos difíceis».
Essa coligação deverá ser formada com o novo partido de direita TOP09, que obteve 16,70 por cento e 41 deputados, e com o Veci Verejne (Assuntos Públicos), de centro direita, que alcançou 10,88 por cento e 25 deputados.
Segundo os resultados divulgados no sábado, 29, com 99 por cento dos votos contados, o Partido Comunista da Boémia Morávia (KSCM) obteve 11,27 por cento e 26 deputados. Este resultado dos comunistas, embora represente uma ligeira queda percentual em comparação com os 12,81 por cento obtidos nas eleições de 2006, permitiu manter a totalidade dos seus deputados, que constituem a quarta força no parlamento checo.
A taxa de participação elevou-se a 62,59 por cento, tendo votado 8,3 milhões de eleitores.
Recorde-se que a República Checa era dirigida desde há 13 meses por um governo provisório, após a queda do governo de centro direita do liberal Mirek Topolanek (ODS), derrubado na sequência de uma moção de censura apresentada pelos sociais-democratas.