Deputados chumbam 86 horas semanais

Vitória dos camionistas

Uma maioria de deputados da Comissão de Emprego do Parlamento Europeu chumbou uma proposta da Comissão Europeia que visava o alargamento da semana de trabalho dos camionistas «independentes» para as 86 horas.

Bruxelas insiste no aumento da semana de trabalho

A alteração foi rejeitada, no dia 28, por 30 votos contra 19 pela Comissão do Emprego e Assuntos Sociais, de que a deputada do PCP, Ilda Figueiredo, é vice-presidente. Algumas horas antes, um comboio de camiões com uma centena de activistas tinha chegado a Bruxelas para manifestar a oposição dos camionistas filiados na Federação Europeia dos Trabalhadores dos Transportes (FETT).

Desde dia 18 de Abril que a FETT iniciou uma campanha por vários países contra o alargamento da semana de trabalho, actualmente limitada a 48 horas em média, segundo a directiva em vigor de 2002.

Para a Federação a proposta da Comissão Europeia, que alegadamente se aplicaria apenas aos «camionistas independentes», não só degradaria significativamente as condições de trabalho de todos os assalariados do sector, como seria uma fonte acrescida de insegurança nas estradas.

«Conduzir 86 horas por semana é um perigo para todos os motoristas profissionais», insiste a Federação que continuará a promover campanhas de sensibilização até à votação final do relatório pelo parlamento Europeu.

Como notou o deputado alemão Thomas Händel (GUE/NGL), a medida preconizada por Bruxelas «agravaria o dumping social caucionando e alargando o fenómeno dos falsos motoristas independentes, e pondo igualmente em perigo o tempo de trabalho e a segurança rodoviária».

Isto porque os empregadores tenderiam a empurrar os actuais assalariados para o dito «trabalho independente» de modo a «responder ao objectivo sempre imperioso da competitividade», salientou ainda o mesmo deputado.

Para Ilda Figueiredo, a decisão da comissão parlamentar constituiu «um primeiro passo para lutar contra o falso trabalho independente e contra a precariedade». Notando que desta vez «os imperativos sociais e a segurança rodoviária sobrepuseram-se aos interesses económicos», apelou à Comissão Europeia para que retire a proposta.

De qualquer modo, este novo ataque cirúrgico contra a semana de trabalho é um sinal claro de que Bruxelas e o grande capital que representa não desistiram do objectivo de romper o actual quadro que rege o tempo de trabalho na UE.



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