
- Nº 1899 (2010/04/22)
LÉNINE ACTUAL
Editorial
Assinala-se hoje, em todo o mundo, o 140.º aniversário do nascimento de Lenine, o genial teórico continuador de Marx e de Engels, o criador do partido proletário de novo tipo, o dirigente da Revolução de Outubro, o fundador do primeiro Estado de operários e camponeses.
Da obra e da acção de Lenine pode dizer-se que se mantêm tão vivas e actuais quanto o foram no tempo da concretização desse acontecimento capital na história da humanidade que foi a primeira revolução socialista - ponto de viragem na história a marcar de forma inequívoca e impressiva o início da época de transição do capitalismo para o socialismo e o comunismo.
Os êxitos da Revolução de Outubro, as suas históricas conquistas políticas, económicas, sociais, culturais, civilizacionais - conquistas que jamais haviam sido alcançadas em qualquer outro período da história – tiveram um impacto e uma repercussão formidáveis à escala planetária. Os trabalhadores de todo o mundo, inspirados e estimulados pela Revolução e por essas conquistas, que sentiam como suas, fizeram delas suas bandeiras de luta e obrigaram o capitalismo a reconhecer-lhes e a consagrar na lei direitos sociais e políticos fundamentais.
O direito ao trabalho, a jornada de oito horas, as férias pagas, a igualdade de homem e mulher, o direito à saúde, à educação, à cultura, à segurança social, à infância, à velhice, nasceram com a Revolução de Outubro e fizeram caminho enquanto conquistas obtidas através da luta dos trabalhadores em vários países – designadamente os trabalhadores portugueses que, ainda no tempo do fascismo conquistaram a jornada das oito horas e que, com a Revolução de Abril, deram gigantescos passos em frente.
É por demais significativo que, hoje, passados vinte anos sobre a tragédia que foi a derrota do socialismo e o fim da União Soviética, esses direitos dos trabalhadores sejam, em todo o mundo capitalista, o alvo principal da ofensiva do grande capital e dos governos seus serventuários, ofensiva à qual os trabalhadores respondem com a sua força organizada, lutando, lutando sempre – e, sabendo-o ou não, tendo como referência essencial da sua luta o pensamento, a obra, o exemplo de acção de Lénine.
Foi tendo na mira essas conquistas dos trabalhadores portugueses que o PS e os restantes partidos da política de direita, congeminaram e aprovaram o sinistro Código do Trabalho, bem como toda uma vasta gama de instrumentos e mecanismos que têm como objectivo essencial retirar esses direitos aos trabalhadores com vista a acentuar a exploração e aumentar os lucros dos grandes grupos económicos e financeiros.
E é visando liquidar importantes direitos sociais que o Governo de José Sócrates apresenta o seu PEC, assim mantendo a tradição dos governos PS ao longo de três décadas, de protagonizarem as medidas mais gravosas para os trabalhadores, o povo e o País – sempre apoiados por quem beneficia, de facto, com essas medidas, como o ilustra a ampla convergência, envolvendo, o PSD, o Presidente da República e o grande capital, procurando assegurar, com os seus aplausos ao PEC, que o PS leve por diante o aprofundamento da política de direita.
Tudo isto confirmando que a luta contra a política de direita é também a luta contra o capitalismo e pelo socialismo, contra o brutal sistema assente na exploração e na opressão dos trabalhadores e dos povos e pelo sistema socialista – e é, sempre, a luta por Abril, as suas conquistas e os seus ideais.
Uma luta que, superando muitos e poderosos obstáculos, continua; que se amplia e que se intensifica, como o testemunham as múltiplas acções – greves, concentrações, marchas – levadas a cabo nos últimos dias, designadamente, pelos trabalhadores dos TST, da Administração Pública, da Galp, bem como as expressivas marchas contra as Portagens nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto e Aveiro.
Uma luta feita de muitas lutas, que prosseguirão e que confluirão na grande jornada de luta do próximo 1.º de Maio.
É também tendo presente a influência marcante das ideias e do exemplo de Lénine na formação, na vida e na actividade do PCP que o colectivo partidário comunista, através de uma prática militante singular no panorama partidário nacional, desenvolve a sua vasta e diversificada acção. Levando por diante um conjunto de iniciativas de denúncia da política de direita e de afirmação das propostas do Partido, as organizações e os militantes comunistas prosseguem a aplicação das medidas e acções visando o reforço do Partido, assim dando sequência às orientações do XVIII Congresso e do Comité Central.
Ao mesmo tempo que, com a realização do Seminário contra a pobreza e pela justiça social – que contou com a presença do secretário-geral do Partido - dá o pontapé de saída para as 500 acções a levar a cabo em todo o País durante os próximos cinco meses, o colectivo partidário dá mais força orgânica, interventiva e ideológica ao Partido.
As centenas de assembleias das organizações realizadas ou em vias de realização – desde assembleias das organizações de base a outras como o Congresso da Organização do Partido na Região Autónoma dos Açores, realizado no passado fim-de-semana – são a expressão de um Partido que, porque nele o debate amplo e democrático é um princípio e o trabalho colectivo constitui uma forma natural de funcionamento, se reforça todos os dias e todos os dias cria melhores condições para cumprir o seu papel junto da classe operária, dos trabalhadores e do povo.
Sempre tendo presente, como referência maior, o objectivo supremo de construir em Portugal uma sociedade socialista.