RUPTURA COM A POLÍTICA DE DIREITA

Destaque: «O caminho é a luta de massas e o reforço do Partido»

OComité Central do PCP, reunido no passado fim-de-semana, procedeu a uma análise aprofundada da situação económica e social do País, abordou alguns aspectos marcantes da situação mundial e debateu a actividade do Partido, definindo linhas de trabalho, orientações e tarefas visando dar resposta às múltiplas exigências que se colocam ao colectivo partidário comunista.
Procedendo à avaliação da grave situação económica e social existente – e situando justamente as causas dessa gravidade na política de direita - o Comité Central, apontou como questão decisiva da situação nacional a ruptura com essa política e a consequente implementação de uma nova política - uma política de esquerda que inicie a resolução dos muitos e graves problemas que pesam sobre os trabalhadores, o povo e o País.
Ao mesmo tempo, o Comité Central alertou para as manobras em curso visando criar condições para o prosseguimento dessa política por parte dos seus três executantes tradicionais: o PS, o PSD e o CDS/PP, os quais, no meio de enorme alarido, simulam divergências insanáveis entre si, assim procurando esconder a profunda convergência que os une em tudo quanto é essencial.
E o que os três se propõem fazer no futuro – alegando quererem resolver os problemas existentes - é o mesmo que os mesmos três têm vindo a fazer de há trinta e quatro anos a esta parte e que gerou todos esses problemas: a política de direita que conduziu Portugal à dramática situação em que se encontra, com sucessivas falências de empresas; com o aparelho produtivo destruído; com uma dependência externa que vai roubando pedaços significativos da independência e da soberania nacional; com o desemprego a crescer; com a precariedade a alastrar ameaçando generalizar-se; com a diminuição dos salários; com a repressão nas empresas; com o agravamento das injustiças e desigualdades; com o alastrar da pobreza, da miséria, da fome; enfim, sempre com mais sacrifícios e uma vida pior para os trabalhadores e o povo. E sempre cumprindo os ditames e servindo os interesses do grande capital e satisfazendo a gula dos grandes grupos económicos e financeiros, que arrecadam todos os dias mais lucros e mais benesses à custa do aumento da exploração e da opressão.

Então, como sublinha o Comité Central do PCP, o que a situação exige e impõe é, não a continuação desta política de desastre nacional, que arrastou o País para o mar de dificuldades que atravessa, mas sim uma corajosa e inadiável ruptura com essa política, capaz de abrir um outro rumo para o País, assente no desenvolvimento económico, no combate às injustiças e desigualdades, na afirmação de direitos e conquistas sociais, na defesa do interesse e da soberania nacional.
Para essa ruptura e para esse outro rumo – para dar a volta a isto – o Comité Central salienta que a luta de massas, a par do reforço do PCP, constituem condições fundamentais e indispensáveis.
E é dando continuidade às lutas desenvolvidas nos últimos meses, intensificando-as e alargando-as, dando-lhes mais força, que se constrói o caminho da mudança.
É desenvolvendo as lutas em torno das mais diversas reivindicações - combatendo o desemprego e a precariedade e exigindo o direito ao trabalho com direitos; exigindo melhores salários; combatendo a desregulamentação e o prolongamento dos horários de trabalho – que se atraem mais e mais trabalhadores a acções em defesa dos seus interesses e direitos.
É engrossando a luta, estendendo-a a novos sectores, empresas e locais de trabalho, tanto do sector público como do privado, que cresce a força organizada dos trabalhadores e, assim, crescem as possibilidades de eles verem satisfeitas as suas justas reivindicações.
E, quando as circunstâncias ditam, é fazendo convergir todas as lutas numa luta que se criam melhores condições para as batalhas do futuro imediato.
Daí o apelo do Comité Central – à classe operária e a todos os trabalhadores, a todos os que sofrem as consequências da política de direita – para que façam das comemorações do 1º de Maio organizadas pela CGTP-IN, uma grande jornada de luta pela defesa dos direitos, interesses e aspirações dos trabalhadores, pela ruptura com a política de direita e por uma alternativa de esquerda.

Muito justamente, o Comité Central sublinhou e valorizou o vasto conjunto de acções e iniciativas do mais diverso tipo levadas a cabo, nos primeiros meses deste ano, pelo colectivo partidário, desde comemorações de datas relevantes da história do Partido, até à concretização de campanhas levando junto dos trabalhadores a informação e o esclarecimento sobre as causas dos seus problemas, paralelamente à aplicação das medidas constantes da acção «Avante! Por um PCP mais forte», cujos avanços registados mostram as enormes potencialidades existentes.
Nessa actividade avulta o papel desempenhado pelos militantes comunistas na dinamização da luta dos trabalhadores e das populações.
E toda esta intensa actividade demonstra que não há silenciamento nem manipulação nem descriminação que possam escamotear o papel do PCP como motor da luta popular, como força de ruptura e de mudança para uma política de esquerda, rumo a uma democracia avançada e ao socialismo.
Foi apelando ao empenhamento das organizações e dos militantes numa intervenção forte, determinada e confiante, que o Comité Central definiu várias linhas de acção imediatas, com lugar destacado para as acções com vista à intensificação e ampliação da luta de massas e ao reforço do Partido.