
- Nº 1896 (2010/04/1)
Perante o repúdio dos europeus à guerra no Afeganistão
CIA planeia manipular opinião pública
Internacional
Um documento confidencial, divulgado pelo sítio wikileaks, revela que os serviços secretos norte-americanos planeiam manipular a opinião pública europeia a respeito da guerra no Afeganistão. O objectivo é conter o repúdio crescente contra a ocupação e invasão daquele país, sobretudo depois do governo holandês ter recuado no apoio à missão da coligação ocupante, ISAF.
O texto contém, por exemplo, sugestões para que em França se exagere o sofrimento das mulheres afegãs e se destaquem as preocupações para com a violação dos direitos humanos. «As mulheres afegãs poderiam servir de mensageiros ideais para humanizar o papel da ISAF no combate contra os talibãs, uma vez que estas têm a capacidade de falar de forma credível da sua experiência com os talibãs, das suas aspirações para o futuro e dos seus receios quanto a uma vitória talibã», indica o relatório preparado pela chamada «célula vermelha» da CIA.
Na Alemanha, a CIA propõe que se estimule a campanha em torno das consequências de um fracasso da NATO naquele território. «A exposição da Alemanha ao terrorismo e ao ópio, e a questão dos refugiados podiam ajudar a que a guerra seja mais importante para os cépticos», destaca.
«Alguns estados da NATO, nomeadamente a França e Alemanha, têm contado com a apatia pública para aumentarem os seus contingentes no Afeganistão, mas a indiferença podia converter-se em hostilidade activa», adverte-se. Tal cenário poderia ser desencadeado caso «alguns prognósticos de um Verão sangrento no Afeganistão se convertam em realidade», isto é, na hipótese de as campanhas militares em curso resultarem num «aumento das vítimas entre os militares ou os civis afegãos», precisa ainda documento.
O trunfo Obama
Nesta autêntica confissão de propostas visando a formatação da consciência das amplas massas no velho continente, nem o presidente dos EUA fica de fora. Para a CIA, o facto de Barack Obama manter na Europa a simpatia popular que perdeu em poucos meses nos EUA, pode funcionar como um trunfo.
«Quando se recordou aos entrevistados [numa sondagem de opinião] que o próprio presidente Obama solicitou o aumento dos destacamentos no Afeganistão, o apoio à aprovação deste pedido nos países considerados cresceu drasticamente: de 4 para 15 por cento entre os franceses, e de 7 para 13 por centro entre os alemães», sublinha a agência.