«Espionagens»
«Espionagem política», foi como o ministro da Economia, Vieira da Silva, classificou as certidões passadas pelo tribunal de Aveiro às escutas ao arguido Armando Vara, no âmbito das investigações em curso do processo «Face Oculta», onde surgiam conversas deste com o seu amigo, o primeiro-ministro José Sócrates.
Trata-de de um argumento extraodinário. Para o governante, as magistraturas fazem «espionagem política» quando apanham, nas gravações ordenadas judicialmente às comunicações de um suspeito, conversas mantidas entre este e o primeiro-ministro.
Não interessa que as conversas registadas em certidão o tenham sido porque, declaradamente, configuravam situações que lesavam o Estado e, lesando o Estado, assumiam particular relevo por envolverem o primeiro-ministro.
Para Vieira da Silva, não há investigação judicial que possa envolver o primeiro-ministro em suspeições, mesmo fundamentadas em conversas do próprio – este é que envolve qualquer investigação judicial na suspeição de que está a praticar «espionagem política», mal se atreva a interceptar-lhe conversas comprometedoras com suspeitos seus amigos, em casos sob investigação judicial.
O que parece conduzir a duas coisas: uma, que o primeiro-ministro deve pairar, absolutamente intocável, acima da lei; outra, que as magistraturas e a investigação criminal são, em Portugal, uma corja de espiões, pelo menos quando interceptam informações comprometedoras para o primeiro-ministro ou o seu Governo.
Só falta levar até ao fim esta visão do poder «à Berlusconi» e legislar de modo a que o primeiro-ministro fique, em definitivo, ao abrigo de qualquer investigação judicial.
Mas ainda estas enormidades de Vieira da Silva não tinham arrefecido no éter – nem sofrido qualquer emenda ou reparo do primeiro-ministro – e já outra figura do poder socrático, o inenarrável José Lello, lançava nova estocada. Num debate pluripartidário ocorrido na RTP-N sobre esta questão das escutas a Armando Vara, José Lello referiu-se, repentina e displicentemente, ao «jovem magistrado de Aveiro» que decidiu ordenar as certidões às escutas envolvendo José Sócrates.
O representante comunista, Honório Novo, denunciou de imediato este insidioso expediente de fragilizar o magistrado através da idade, equiparando tal afirmação à «espionagem política» de Vieira da Silva, no que foi apoiado por todos os participantes no debate.
O que importa reter é que, para o PS de Sócrates, o funcionamento da Justiça em Portugal se transforma em «perseguição política» quando as investigações criminais atingem figuras gradas do partido. Já foi assim no «processo Casa Pia», onde uma investigação de pedofilia com abundantes testemunhos das vítimas foi apelidado de «cabala contra o PS» quando nomes sonantes do partido foram apanhados no inquérito, é assim agora no «processo Face Oculta», onde a investigação de um polvo de corrupção envolvendo o poder político, empresas públicas e os seus altos quadros já é apelidado, sem rebuços, de «espionagem política» ao tropeçar (mais uma vez) em nomes tão destacados do PS como o próprio primeiro-ministro.
Portanto, para o PS de Sócrates não tem qualquer importância que figuras gradas do partido sejam suspeitas de crimes em investigações judiciais. O crime está em haver suspeitas sobre figuras gradas do PS nessas investigações.
O que confirma e consolida a famosa afirmação de Jorge Coelho «Quem se mete com o PS, leva!». Agora até a Justiça «leva».
Até que seja o PS a levar... o inevitável troco.
Trata-de de um argumento extraodinário. Para o governante, as magistraturas fazem «espionagem política» quando apanham, nas gravações ordenadas judicialmente às comunicações de um suspeito, conversas mantidas entre este e o primeiro-ministro.
Não interessa que as conversas registadas em certidão o tenham sido porque, declaradamente, configuravam situações que lesavam o Estado e, lesando o Estado, assumiam particular relevo por envolverem o primeiro-ministro.
Para Vieira da Silva, não há investigação judicial que possa envolver o primeiro-ministro em suspeições, mesmo fundamentadas em conversas do próprio – este é que envolve qualquer investigação judicial na suspeição de que está a praticar «espionagem política», mal se atreva a interceptar-lhe conversas comprometedoras com suspeitos seus amigos, em casos sob investigação judicial.
O que parece conduzir a duas coisas: uma, que o primeiro-ministro deve pairar, absolutamente intocável, acima da lei; outra, que as magistraturas e a investigação criminal são, em Portugal, uma corja de espiões, pelo menos quando interceptam informações comprometedoras para o primeiro-ministro ou o seu Governo.
Só falta levar até ao fim esta visão do poder «à Berlusconi» e legislar de modo a que o primeiro-ministro fique, em definitivo, ao abrigo de qualquer investigação judicial.
Mas ainda estas enormidades de Vieira da Silva não tinham arrefecido no éter – nem sofrido qualquer emenda ou reparo do primeiro-ministro – e já outra figura do poder socrático, o inenarrável José Lello, lançava nova estocada. Num debate pluripartidário ocorrido na RTP-N sobre esta questão das escutas a Armando Vara, José Lello referiu-se, repentina e displicentemente, ao «jovem magistrado de Aveiro» que decidiu ordenar as certidões às escutas envolvendo José Sócrates.
O representante comunista, Honório Novo, denunciou de imediato este insidioso expediente de fragilizar o magistrado através da idade, equiparando tal afirmação à «espionagem política» de Vieira da Silva, no que foi apoiado por todos os participantes no debate.
O que importa reter é que, para o PS de Sócrates, o funcionamento da Justiça em Portugal se transforma em «perseguição política» quando as investigações criminais atingem figuras gradas do partido. Já foi assim no «processo Casa Pia», onde uma investigação de pedofilia com abundantes testemunhos das vítimas foi apelidado de «cabala contra o PS» quando nomes sonantes do partido foram apanhados no inquérito, é assim agora no «processo Face Oculta», onde a investigação de um polvo de corrupção envolvendo o poder político, empresas públicas e os seus altos quadros já é apelidado, sem rebuços, de «espionagem política» ao tropeçar (mais uma vez) em nomes tão destacados do PS como o próprio primeiro-ministro.
Portanto, para o PS de Sócrates não tem qualquer importância que figuras gradas do partido sejam suspeitas de crimes em investigações judiciais. O crime está em haver suspeitas sobre figuras gradas do PS nessas investigações.
O que confirma e consolida a famosa afirmação de Jorge Coelho «Quem se mete com o PS, leva!». Agora até a Justiça «leva».
Até que seja o PS a levar... o inevitável troco.