Mulheres contra Berlusconi

Cerca de 100 mil mulheres italianas subscreveram um abaixo-assinado que condena o machismo do primeiro ministro, Silvio Berlusconi, e se rebela contra «a cretinização das mulheres, da democracia e da política».
O desbragamento de il cavaliere não é propriamente uma novidade. Porém, a forma insultuosa como, há três semanas, se dirigiu à ministra da Saúde, Rosy Bindi, foi a gota que fez transbordar o copo.
Rosy Bindi participava como convidada num programa televisivo da estação pública Rai 1, no qual se discutia a decisão do tribunal constitucional de suspender a imunidade do primeiro-ministro. Subitamente, o apresentador da a palavra Berlusconi que ao telefone fez questão de interromper o debate para insultar a ministra com estas palavras: «Você sempre foi mais bonita que inteligente». Ao que Bindi retorquiu: «Presidente, sou uma mulher que não está à sua disposição».
O episódio provocou uma indignação geral e a resposta da ministra transformou-se num slogan. O diário La Repubblica divulgou de imediato um manifesto redigido pelas intelectuais Michela Marzano, Barbara Spinelli e Nadia Urbinatti. O texto, que de imediato recolheu um apoio maciço, constata que «nas mãos do presidente do Governo, o corpo da mulher se converteu numa arma política de capital importância», apelando às mulheres que se exprimam a sua indignação e protesto.
A ministra Rosy Bindi manifestou-se satisfeita com a adesão ao documento, declarando ao La Repubblica que «durante os últimos anos as mulheres italianas, sobretudo das gerações mais jovens, que não precisaram de combater pelos seus direitos, pareciam adormecidas. O ataque do primeiro-ministro fê-las despertar dessa espécie de letargia».


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