As páginas, os olhos... e a Festa
As páginas dos jornais não mostraram da Festa do Avante! o que tantos olhos viram dela.
O que saberia da Festa quem se limitasse à informação publicada? Que Jerónimo de Sousa interveio na abertura e no comício de encerramento. Se apenas lesse os jornais de domingo, nem ficaria a saber nada).
Os leitores do Público ficariam na dúvida sobre quantas pessoas ouviram sexta-feira o Secretário-geral do PCP. O jornal destacava que foram «centenas», no parágrafo seguinte referia «a multidão que encheu a Praça da Paz», e apenas mostrou uma foto com oito dirigentes, em contraluz, e outra foto do orador, com uma desfocada «multidão» em segundo plano. O comício de domingo voltou a ser ilustrado com uma foto do Secretário-geral – um detalhe obtido por uma câmara que virou costas à «multidão que encheu o campo defronte do Palco 25 de Abril» e que, assegura o jornal, «reagiu obedientemente às palavras de Jerónimo».
O Correio da Manhã dedicou muito pouco espaço à Festa, em páginas muito interiores. Sábado, mostrou Jerónimo de Sousa, cumprimentando um camarada, com mais alguns por fundo. Num curto texto, o CM deu nota de «uma agenda cheia», com «debates, gastronomia» e «muita música», e indicou o programa para essa noite (não disse que era só do palco principal). Na segunda-feira, o CM gastou com o comício... meia coluna da página 30!
O DN também não mostrou a gente que esteve na Festa. Na abertura, o fotógrafo baixou-se atrás de Jerónimo, e é num longínquo plano que surgem rostos alegres de jovens com bandeiras e punhos no ar – rostos que já não apareceram segunda-feira: sob um Secretário-geral de dedo em riste, enquadrado por umas dezenas de camaradas no palco, as outras três imagens contêm sete figuras humanas. O texto conta que «muitos são atraídos à Atalaia pela magia da própria festa», e até há uma tentativa de reportagem sobre «uma festa de mil cores», onde «muitos assumiam um look tradicional nestas festas de esquerda». Quais serão as outras «festas de esquerda»?
Idêntico é o tratamento no JN, que reduz a Festa aos dois momentos em que interveio Jerónimo de Sousa, arrumando como «milhares de militantes» o público presente no comício de domingo e optando por não mostrar qualquer imagem do povo que inundou a Quinta da Atalaia.
Na Visão, no Expresso, na Sábado e na Focus a Festa não mereceu notícia - nem pouco, nem poucochinho: zero! No Sol, a propósito das eleições legislativas, lá vêm umas alusões às palavras de Jerónimo no comício. Imagens da Festa, apenas uma, muito pequena, páginas mais adiante: um painel da exposição «(R)Evolução da Vida»! Na revista Tabu, um pormenor do palco do comício ilustra uma página sobre Jerónimo e as iniciativas de campanha. Já não faltou espaço nem desfaçatez, contudo, para inserir no revisteiro apêndice duas páginas de uma obscena banda desenhada acerca de uma Festa do Avante! que, não podendo mostrar, o Sol decidiu inventar.
Muitos milhares de olhos viram a Festa sem relatos de intermediários, sem filtros, sem silenciamentos, sem deturpações. Para todo o País, no relato vivido de comunistas e não comunistas, de homens e mulheres, de jovens e velhos, de muitos pais e mães com crianças e bebés (sinal inconfundível de à-vontade e confiança), saíram da Quinta da Atalaia notícias da verdade da Festa.
É assim que ela se impõe e vence a barreira dos jornais que não quiseram mostrar a Festa do Avante! que tantos olhos viram e tantos braços construíram.
O que saberia da Festa quem se limitasse à informação publicada? Que Jerónimo de Sousa interveio na abertura e no comício de encerramento. Se apenas lesse os jornais de domingo, nem ficaria a saber nada).
Os leitores do Público ficariam na dúvida sobre quantas pessoas ouviram sexta-feira o Secretário-geral do PCP. O jornal destacava que foram «centenas», no parágrafo seguinte referia «a multidão que encheu a Praça da Paz», e apenas mostrou uma foto com oito dirigentes, em contraluz, e outra foto do orador, com uma desfocada «multidão» em segundo plano. O comício de domingo voltou a ser ilustrado com uma foto do Secretário-geral – um detalhe obtido por uma câmara que virou costas à «multidão que encheu o campo defronte do Palco 25 de Abril» e que, assegura o jornal, «reagiu obedientemente às palavras de Jerónimo».
O Correio da Manhã dedicou muito pouco espaço à Festa, em páginas muito interiores. Sábado, mostrou Jerónimo de Sousa, cumprimentando um camarada, com mais alguns por fundo. Num curto texto, o CM deu nota de «uma agenda cheia», com «debates, gastronomia» e «muita música», e indicou o programa para essa noite (não disse que era só do palco principal). Na segunda-feira, o CM gastou com o comício... meia coluna da página 30!
O DN também não mostrou a gente que esteve na Festa. Na abertura, o fotógrafo baixou-se atrás de Jerónimo, e é num longínquo plano que surgem rostos alegres de jovens com bandeiras e punhos no ar – rostos que já não apareceram segunda-feira: sob um Secretário-geral de dedo em riste, enquadrado por umas dezenas de camaradas no palco, as outras três imagens contêm sete figuras humanas. O texto conta que «muitos são atraídos à Atalaia pela magia da própria festa», e até há uma tentativa de reportagem sobre «uma festa de mil cores», onde «muitos assumiam um look tradicional nestas festas de esquerda». Quais serão as outras «festas de esquerda»?
Idêntico é o tratamento no JN, que reduz a Festa aos dois momentos em que interveio Jerónimo de Sousa, arrumando como «milhares de militantes» o público presente no comício de domingo e optando por não mostrar qualquer imagem do povo que inundou a Quinta da Atalaia.
Na Visão, no Expresso, na Sábado e na Focus a Festa não mereceu notícia - nem pouco, nem poucochinho: zero! No Sol, a propósito das eleições legislativas, lá vêm umas alusões às palavras de Jerónimo no comício. Imagens da Festa, apenas uma, muito pequena, páginas mais adiante: um painel da exposição «(R)Evolução da Vida»! Na revista Tabu, um pormenor do palco do comício ilustra uma página sobre Jerónimo e as iniciativas de campanha. Já não faltou espaço nem desfaçatez, contudo, para inserir no revisteiro apêndice duas páginas de uma obscena banda desenhada acerca de uma Festa do Avante! que, não podendo mostrar, o Sol decidiu inventar.
Muitos milhares de olhos viram a Festa sem relatos de intermediários, sem filtros, sem silenciamentos, sem deturpações. Para todo o País, no relato vivido de comunistas e não comunistas, de homens e mulheres, de jovens e velhos, de muitos pais e mães com crianças e bebés (sinal inconfundível de à-vontade e confiança), saíram da Quinta da Atalaia notícias da verdade da Festa.
É assim que ela se impõe e vence a barreira dos jornais que não quiseram mostrar a Festa do Avante! que tantos olhos viram e tantos braços construíram.