A CDU CRESCE

«São muitas as razões para o grande capital tentar travar o crescimento da CDU»

A campanha para as legislativas está em marcha: a mistificação bipolarizadora, procurando apresentar PS e PSD como alternativa um ao outro, avança enunciada pelos próprios e amplamente difundida pelos média do grande capital; o mesmo em relação à falsa ideia, ora posta às claras ora insinuada, de que as eleições vão eleger um primeiro-ministro - e para que a farsa se vá completando, também as sondagens, após o descalabro verificado nas europeias, reapareceram, iguais a si próprias no alarde e nos objectivos.
Entretanto, o Governo prossegue a única política que sabe fazer – a política de direita – e José Sócrates garante que, se o PS ganhar as legislativas, é essa mesma política que continuará a fazer – mas «actualizada» por António Vitorino e por mais uns quantos advogados da política de direita, todos escolhidos a dedo, todos com provas dadas no afundamento do País.
Enquanto isso, Manuela Ferreira Leite – que de repente, à moda dos treinadores de futebol, passou de besta a bestial para a generalidade dos analistas – empertiga-se e garante que, se o PSD ganhar as legislativas, vai «mudar» isto tudo: sem se rir, antes ostentando aquele ar que sempre foi o dela e que, agora, para os tais analistas, passou a «transmitir seriedade», a líder do PSD fala em «mudança» - certamente tendo como referência a política levada a cabo pelos vários governos PSD ao longo das últimas três décadas e em alguns dos quais ela foi protagonista de má memória.
Ao mesmo tempo, o CDS/PP e o BE são alvo de crescentes louvores pelos média do grande capital que apresentam o primeiro como candidato a integrar um governo saído das legislativas – seja ele PS ou PSD; e exibem o segundo como possível muleta de um minoritário governo PS – e tratam ambos com particulares atenções e desvelos, mais efusivos, por razões compreensíveis, no caso do BE, agora não apenas levado ao colo, mas carinhosamente embalado, e ternamente alimentado a biberão de marca.

Quanto ao tratamento dado ao PCP e à CDU, esses média do grande capital estão a fazer o que se julgava impossível: lograram superar-se a si próprios, desnudando-se e desnudando impudicamente os seus conceitos de pluralismo, isenção e imparcialidade… Depois dos feitos cometidos, nessa matéria, no decorrer das europeias, o silenciamento das iniciativas da CDU é agora mais vasto e profundo e a ocultação ou deturpação das suas posições atingiu novos patamares e novas dimensões.
Anote-se, por exemplo, o pesado manto de silêncio em torno do anúncio de candidatos da CDU em mais de quinze distritos, anúncios na maior parte dos casos seguidos de iniciativas públicas envolvendo cada uma delas centenas de participantes, a confirmar que a CDU cresce – e compare-se com o tratamento dado a situações do mesmo tipo envolvendo outros partidos: é a noite e o dia.
Registe-se, outro exemplo, as várias peças jornalísticas em torno das legislativas e das perspectivas futuras de cada partido, com análises desenvolvidas em relação a todas as forças… e nem uma palavra sobre o PCP/CDU.
Acresce que não se trata apenas da quantidade das notícias e das referências feitas. Trata-se, e talvez essencialmente, do conteúdo dessas notícias e dessas referências: sempre a desvalorizar, a menorizar ou a caricaturar as posições dos comunistas e dos seus aliados; a sua análise crítica à política de direita e às suas consequências para a imensa maioria dos portugueses; as suas propostas concretas para resolver os problemas do povo e do País – afinal, confirmando que a análise séria da realidade nacional e a procura de soluções para a grave situação a que a política de direita conduziu o País são coisas que não cabem no calendário noticioso e analítico dos média dominantes, cuja tarefa principal é defender a política de direita e assegurar a sua continuação tendo o PS ou o PSD, para o caso tanto faz, a executá-la.

Quer tudo isto dizer que os resultados obtidos pela CDU nas europeias incomodaram – e de que maneira! – o grande capital dono desses média.
Na verdade, a subida eleitoral da CDU em todos os distritos e nas regiões autónomas, traduzida em mais 70 mil votos e mais 1,6 pontos percentuais; e a sua afirmação como força mais votada em três distritos e em mais de trinta concelhos, constitui um resultado não apenas notável pela força desses números mas, sobretudo, pelas potencialidades de crescimento da CDU que revela.
Ora, quem tais resultados obteve foi a força que os ideólogos do grande capital não se cansam de condenar a um por eles desejado «declínio eleitoral irreversível» - e que, como eles sabem, é a única força que, inequivocamente, se opõe e combate a política de direita – seja qual for o seu executante de serviço - e lhe contrapõe uma alternativa de esquerda ao serviço não dos interesse exclusivos dos grandes grupos económicos e financeiros mas dos legítimos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.
Como se vê, tudo razões para o grande capital temer e tentar travar o crescimento da CDU e, com esse objectivo, contra ela soltar e açular os seus cães de guarda mediáticos…
Só que, ao contrário dos seus desígnios, contrariando-os e desfazendo as suas «irreversibilidades», para os militantes comunistas e restantes activistas da CDU, bem como para milhares e milhares de outros portugueses, a luta continua – pela defesa dos interesses e dos direitos dos trabalhadores e das populações, pela ruptura com a política de direita, por uma política alternativa e por uma alternativa política. E a CDU cresce.
E esse, sim, é um facto irreversível.