Vasco Cardoso garante

Privadas ganham com aumento de propinas

O ensino privado é o grande beneficiário do aumento das propinas. Vasco Cardoso explica: «É fácil optar por ficar numa universidade privada na sua terra natal ou ir para uma universidade do interior pagar 852 euros de propinas, mais deslocações, alojamento e alimentação.»
O dirigente da JCP afirma que o objectivo do Governo a médio prazo é tornar iguais as propinas e os custos reais da licenciatura e, portanto, equiparar os custos de frequência do sistema público e do sistema privado.
«Quando deixar de haver diferença entre ambos, o caminho para a privatização do ensino público estará definitivamente aberto», refere Vasco Cardoso, acrescentando que assim se acentua o fosso entre quem pode e quem não pode pagar a educação, se alienam as responsabilidades históricas do Estado na oferta de ensino gratuito e se prepara um futuro em que haja razões objectivas para privatizar o ensino público. «Um instrumento indispensável é o facto das propinas do público e do privado serem equivalentes», diz.

Influência da JSD e da JS nas AEs prejudica contestação

As direcções das associações de estudantes estão fortemente partidarizadas. A presença da JS e da JSD é muito visível, o que se reflecte na contestação às políticas do Ministério do Ensino Superior.
«Essas AEs não defendem os estudantes, mas sim as suas estruturas políticas. Como é que é possível que em fases de grande ofensiva do Governo, como no ano passado, tenham existido AEs que sucessivamente dessem o benefício da dúvida às medidas apresentadas e que boicotassem deliberadamente acções de luta, como a greve nacional? Isto não é compreensível à luz de diferenças de opinião dentro do movimento estudantil, mas sim com uma forte partidarização», salienta Vasco Cardoso.
«Falamos de elitização do ensino superior, mas no quadro associativo esta elitização ainda é mais forte», realça o dirigente da JCP, falando das exigências de participação das AEs e do desrespeito pelo estatuto de dirigente associativo. «Vai para a AE, não quem é respeitado pelos colegas ou quem tem condições para transformar a escola, mas quem pode suportar financeiramente os encargos. Isto perverte o quadro do movimento estudantil.»
No entanto, o papel das associações de estudantes é insubstituível. Vasco Cardoso garante que «mesmo no quadro de dificuldades de intervenção e elitização do movimento associativo, estão-se a criar condições para a unidade na luta. A ofensiva é tão violenta que as estruturas associativas partidarizadas não tiveram coragem de aceitar o aumento de propinas. Não tiveram outro remédio senão embarcar na luta.»

Licenciados desempregados podem desenvolver o País

A falta de saídas profissionais é um dos grandes problemas dos jovens licenciados, em particular das faculdades de letras. Para Vasco Cardoso, a criação de cursos não deve estar condicionada nem dependente do mercado de trabalho actual, mas das necessidades de desenvolvimento do País.
«Portugal tem atrasos consideráveis em relação a outros países. Não se pode deixar de estudar ou investigar porque não há mercado de trabalho nessas áreas. O desenvolvimento científico e cultural do País não pode estar condicionado por isso», defende, dando o exemplo dos docentes que não foram colocados neste ano lectivo.
«Estão mais de 30 mil professores no desemprego, mas verificam-se sérias lacunas na capacidade de resposta do corpo docente das escolas do ensino básico e secundário. Outro caso é o negócio das explicações, que poderia funcionar como aulas de apoio dentro das escolas.»
Vasco Cardoso lembra ainda que no ano passado foram encerrados 200 cursos, inclusivamente em áreas tecnológicas: «O Governo fecha cursos e vagas no público para que as universidades privadas os possam vir a assumir.»

JCP lança campanha

A JCP lançou uma campanha de informação e mobilização dos estudantes do ensino superior, com a intervenção directa dos colectivos dos jovens comunistas nas suas escolas. A assinatura simbólica pelos estudantes de um cheque de setecentos e setenta euros «sem cobertura» é um dos pretextos para abordar directamente os colegas.
Está também prevista a distribuição de um folheto sobre a posição da JCP em relação às propinas e às restantes medidas do Governo, a organização de debates, a colagem de cartazes, a colocação de faixas e a pintura de murais. A Campanha decorre até ao fim de Outubro.


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