Mentiras não são solução
Reagindo às declarações do primeiro-ministro, o PCP e a CGTP-IN alertaram para a gravidade do problema do desemprego, que não pode ser combatido com acções de propaganda e soluções assentes na mistificação.
A PT reduz pessoal e contrata empresas prestadoras de serviços, para ter menos custos
José Sócrates apadrinhou segunda-feira a assinatura de protocolos entre a Portugal Telecom, o IEFP e a CM de Santo Tirso, para a criação de um centro de atendimento a clientes da PT. Segundo foi na altura divulgado, o call-center ocupará 3700 metros quadrados, em terreno cedido pela Câmara, próximo do centro da cidade, e terá 600 postos de serviço, o que deverá equivaler a cerca de 1200 trabalhadores, que serão colocados através de empresas prestadoras de serviços. Na decisão da PT sobre a localização terão pesado factores como a rotatividade de emprego dos trabalhadores (menor do que nos grandes centros urbanos), a existência de uma população jovem e com níveis elevados de escolaridade e qualificação profissional, bem como a alta taxa de desemprego do concelho.
«Continua a enganar»
No que toca a emprego, o Governo do PS «continua a enganar o País», afirma-se na nota que o Gabinete de Imprensa do PCP divulgou ontem.
«Face ao anúncio que o primeiro-ministro realizou esta semana em Santo Tirso, de construção de um centro de atendimento a clientes da PT, que supostamente irá criar cerca de 1200 postos de trabalho e cuja abertura está prevista para o final do próximo ano, o PCP considera o seguinte:
1 – Esta iniciativa constituiu mais uma manobra de propaganda, que visa ocultar as consequências da sua política, que tem sido responsável pela destruição do aparelho produtivo, pela desvalorização dos salários, pelo aumento do desemprego e da precariedade;
2 – Construído na base de uma falsa ideia de promoção das chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), este anúncio em nada contraria a continuada destruição do aparelho produtivo nacional, nem contribui para a necessária modernização do País e o desenvolvimento das chamadas TIC.
3 – Prosseguindo uma intensa campanha de manipulação dos números sobre a criação de emprego, à qual não tem sido alheio o papel desempenhado e as informações divulgadas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, esta iniciativa, apresentada como “criadora de emprego”, constitui, na prática, não apenas uma redistribuição de postos de trabalho dentro do Grupo PT, mas também a substituição de vínculos de trabalho permanentes por trabalho precário, com menos direitos e mais baixos salários, como aliás pode ser confirmado pela estratégia seguida pelo Conselho de Administração desta empresa.
4 – Aproveitando as compreensíveis expectativas que este anúncio recolhe, o Governo prossegue uma intervenção que procura enganar os trabalhadores, as populações e o País e que, a manter-se, continuará a agravar os problemas já existentes.»
Virar a página
A CGTP-IN, numa nota que divulgou segunda-feira, considera que «é imperioso criar emprego, mas é fundamental que este assente numa estratégia de desenvolvimento e que não seja para servir de propaganda e que tenha estabilidade e qualidade», salientando que «impõe-se mudar a página do trabalho precário e mal remunerado».
Observa a central que o primeiro-ministro «teve necessidade de se concentrar no tema do emprego, porque a taxa do desemprego continua elevada (7,3 por cento, segundo os últimos dados divulgados pelo INE) e o desemprego de longa duração tem vindo a aumentar, atingindo mais de 49 por cento dos desempregados», e «a precariedade do emprego acentuou-se, atingindo o seu maior valor, ou seja, 23,3 por cento dos trabalhadores por conta de outrem têm trabalho precário, sendo sobretudo jovens».
O anúncio da criação de mais 1200 empregos, com a instalação daquele call-center, «pode tratar-se de um embuste, dado que, certamente, o que vai acontecer é uma deslocalização de serviços desta empresa, substituindo trabalhadores por outros trabalhadores, ou seja, encerram serviços da PT em Lisboa, transferindo-os para Santo Tirso, com o objectivo de reduzir custos». Acresce que «a Câmara Municipal de Santo Tirso, cujo presidente é do PS, ofereceu o terreno para construir as instalações», e a Portugal Telecom, por sua vez, pode vir a vender as instalações em Lisboa onde funcionam estes serviços, operações que, «para além de pagarem o investimento, geram mais-valias». Recorda a CGTP-IN que, «no primeiro trimestre de 2008, a venda de património já rendeu 11 milhões de euros de mais-valias à empresa».
José Sócrates, contudo, «não explicou à custa de quê e que tipo de emprego vai criar». A Intersindical Nacional recorda que, «nos call-centers existentes, 100 por cento dos trabalhadores são precários, trabalham quatro a seis horas diárias e recebem cerca de 500 euros, sendo grande parte licenciados e no mínimo têm de ter o 12.º ano de escolaridade».
«Em zonas deprimidas, como no Vale do Ave, o Governo vai permitir que a PT desenvolva uma política ainda de maior exploração do trabalho, dado haver um índice elevado de desemprego, nomeadamente de jovens, em resultado da destruição do parque industrial, e de ser das zonas do País onde os salários são dos mais baixos», acusa a Inter.
Por fim, a CGTP-IN lamenta que o primeiro-ministro «não tenha tido uma palavra para com os trabalhadores que estão com salários em atraso e em risco de desemprego, seguindo a mesma linha do presidente da Câmara de Santo Tirso, que não recebe os trabalhadores da região e nunca manifestou preocupações em relação à situação social destes, numa região assolada com graves problemas de desemprego, nomeadamente no sector têxtil, e de pobreza».
«Continua a enganar»
No que toca a emprego, o Governo do PS «continua a enganar o País», afirma-se na nota que o Gabinete de Imprensa do PCP divulgou ontem.
«Face ao anúncio que o primeiro-ministro realizou esta semana em Santo Tirso, de construção de um centro de atendimento a clientes da PT, que supostamente irá criar cerca de 1200 postos de trabalho e cuja abertura está prevista para o final do próximo ano, o PCP considera o seguinte:
1 – Esta iniciativa constituiu mais uma manobra de propaganda, que visa ocultar as consequências da sua política, que tem sido responsável pela destruição do aparelho produtivo, pela desvalorização dos salários, pelo aumento do desemprego e da precariedade;
2 – Construído na base de uma falsa ideia de promoção das chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), este anúncio em nada contraria a continuada destruição do aparelho produtivo nacional, nem contribui para a necessária modernização do País e o desenvolvimento das chamadas TIC.
3 – Prosseguindo uma intensa campanha de manipulação dos números sobre a criação de emprego, à qual não tem sido alheio o papel desempenhado e as informações divulgadas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, esta iniciativa, apresentada como “criadora de emprego”, constitui, na prática, não apenas uma redistribuição de postos de trabalho dentro do Grupo PT, mas também a substituição de vínculos de trabalho permanentes por trabalho precário, com menos direitos e mais baixos salários, como aliás pode ser confirmado pela estratégia seguida pelo Conselho de Administração desta empresa.
4 – Aproveitando as compreensíveis expectativas que este anúncio recolhe, o Governo prossegue uma intervenção que procura enganar os trabalhadores, as populações e o País e que, a manter-se, continuará a agravar os problemas já existentes.»
Virar a página
A CGTP-IN, numa nota que divulgou segunda-feira, considera que «é imperioso criar emprego, mas é fundamental que este assente numa estratégia de desenvolvimento e que não seja para servir de propaganda e que tenha estabilidade e qualidade», salientando que «impõe-se mudar a página do trabalho precário e mal remunerado».
Observa a central que o primeiro-ministro «teve necessidade de se concentrar no tema do emprego, porque a taxa do desemprego continua elevada (7,3 por cento, segundo os últimos dados divulgados pelo INE) e o desemprego de longa duração tem vindo a aumentar, atingindo mais de 49 por cento dos desempregados», e «a precariedade do emprego acentuou-se, atingindo o seu maior valor, ou seja, 23,3 por cento dos trabalhadores por conta de outrem têm trabalho precário, sendo sobretudo jovens».
O anúncio da criação de mais 1200 empregos, com a instalação daquele call-center, «pode tratar-se de um embuste, dado que, certamente, o que vai acontecer é uma deslocalização de serviços desta empresa, substituindo trabalhadores por outros trabalhadores, ou seja, encerram serviços da PT em Lisboa, transferindo-os para Santo Tirso, com o objectivo de reduzir custos». Acresce que «a Câmara Municipal de Santo Tirso, cujo presidente é do PS, ofereceu o terreno para construir as instalações», e a Portugal Telecom, por sua vez, pode vir a vender as instalações em Lisboa onde funcionam estes serviços, operações que, «para além de pagarem o investimento, geram mais-valias». Recorda a CGTP-IN que, «no primeiro trimestre de 2008, a venda de património já rendeu 11 milhões de euros de mais-valias à empresa».
José Sócrates, contudo, «não explicou à custa de quê e que tipo de emprego vai criar». A Intersindical Nacional recorda que, «nos call-centers existentes, 100 por cento dos trabalhadores são precários, trabalham quatro a seis horas diárias e recebem cerca de 500 euros, sendo grande parte licenciados e no mínimo têm de ter o 12.º ano de escolaridade».
«Em zonas deprimidas, como no Vale do Ave, o Governo vai permitir que a PT desenvolva uma política ainda de maior exploração do trabalho, dado haver um índice elevado de desemprego, nomeadamente de jovens, em resultado da destruição do parque industrial, e de ser das zonas do País onde os salários são dos mais baixos», acusa a Inter.
Por fim, a CGTP-IN lamenta que o primeiro-ministro «não tenha tido uma palavra para com os trabalhadores que estão com salários em atraso e em risco de desemprego, seguindo a mesma linha do presidente da Câmara de Santo Tirso, que não recebe os trabalhadores da região e nunca manifestou preocupações em relação à situação social destes, numa região assolada com graves problemas de desemprego, nomeadamente no sector têxtil, e de pobreza».