A <em>manif</em> no Largo Conde do Pombeiro
O exacerbamento das contradições imperialistas coloca a humanidade, repetidamente, em perigo, face à previsível deflagração de novas guerras. Definem-se estratégias, estabelecem-se cenários, listam-se as novidades tecnológicas a experimentar no teatro de operações, estima-se a carnificina bem como os lucros dela derivados, e aguarda-se o momento oportuno para fabricar uma crise, com pré lavagem cerebral da opinião pública pela comunicação social cúmplice.
Relendo artigos dum periódico clandestino de 1935 – «Front Mundial» – Órgão da Liga Contra a Guerra e Contra o Fascismo, demos conta duma análise sobre a conjuntura internacional da época que, distante no tempo, não perdeu actualidade na sua essência: «A evolução da política internacional nos últimos tempos e, principalmente, o seu facto mais saliente, a agressão italiana contra a Abissínia, veio trazer a confirmação decisiva da tese que, embora muitas vezes posta por nós, nunca é demais repetir – a de o fascismo constitui uma ameaça permanente para a paz e para a civilização.
Todos sabem como as coisas se passaram: Um membro da Sociedade das Nações, a Itália, representada pelo governo fascista de Mussolini, ordenou a invasão da Abissínia, outro membro da mesma Sociedade, com inteiro desprezo da lei internacional – o pacto da S.D.N – e uma total ausência dos mais elementares escrúpulos de ordem moral.»
- Quantos artigos lemos, recentemente, com igual denúncia...? Pareceu-nos um cuidado texto de teatro onde alguém mudou o nome do protagonista, alterou a designação do país, identificou com outra sigla a organização internacional e, manipulou a data. Mas..., de facto, o fascista Mussolini ordenara a invasão da Abissínia (Etiópia), em 30 de Outubro de 1935, arengando um chorrilho de baboseiras «justificativas da decisão». É certo que não falava de armas de destruição maciça, nem de forças do mal, mas não escondia a sua necessidade de «expansão», de garantir a «segurança» do que era seu e, a necessidade de levar «a civilização» a outros povos. Fiquei estupefacto! Não sendo o texto um embuste, a teoria dos mundos paralelos tinha pernas para andar, e quedei-me na especulação sobre a clonagem, não a da célula, mas a do tempo histórico. Se a História não se repete, algo de profundamente igual subsistiu – o imperialismo.
Tal como hoje, também nesses recuados anos, os comunistas lideraram a mobilização das consciências contra a guerra, identificaram os seus mentores e os seus objectivos, antecedendo a consumação dos massacres. E, pelas 18h00 de 1 de Agosto de 1935, organizada pelo PCP e pelas Juventudes Comunistas, teve lugar uma manifestação relâmpago junto da embaixada da Itália, no Largo do Pombeiro, em Lisboa, condenando os planos criminosos do fascismo italiano. Os manifestantes tinham saído de três locais distintos – Hospital dos Capuchos, Igreja dos Anjos e Hospital de São José – convergindo para a representação diplomática da Itália onde, gritaram o seu protesto contra a guerra e contra o fascismo, estilhaçaram algumas vidraças do edifício e distribuíram manifestos.
Volvidos 68 anos, o mesmo Partido, com renovadas Juventudes, sem pedradas, mas com bandeiras vermelhas, inundou as ruas de Lisboa: protestando contra os senhores da guerra; incomodando a mesma classe dominante e os democratas do politicamente correcto. Os que tudo fazem para conservar a atmosfera com aquela dose de veneno necessária e conveniente para que as massas aceitem a ideia duma guerra justa contra os inimigos que eles inventam.
Se o imperialismo não mudou, porque razão mudariam os comunistas ?
Relendo artigos dum periódico clandestino de 1935 – «Front Mundial» – Órgão da Liga Contra a Guerra e Contra o Fascismo, demos conta duma análise sobre a conjuntura internacional da época que, distante no tempo, não perdeu actualidade na sua essência: «A evolução da política internacional nos últimos tempos e, principalmente, o seu facto mais saliente, a agressão italiana contra a Abissínia, veio trazer a confirmação decisiva da tese que, embora muitas vezes posta por nós, nunca é demais repetir – a de o fascismo constitui uma ameaça permanente para a paz e para a civilização.
Todos sabem como as coisas se passaram: Um membro da Sociedade das Nações, a Itália, representada pelo governo fascista de Mussolini, ordenou a invasão da Abissínia, outro membro da mesma Sociedade, com inteiro desprezo da lei internacional – o pacto da S.D.N – e uma total ausência dos mais elementares escrúpulos de ordem moral.»
- Quantos artigos lemos, recentemente, com igual denúncia...? Pareceu-nos um cuidado texto de teatro onde alguém mudou o nome do protagonista, alterou a designação do país, identificou com outra sigla a organização internacional e, manipulou a data. Mas..., de facto, o fascista Mussolini ordenara a invasão da Abissínia (Etiópia), em 30 de Outubro de 1935, arengando um chorrilho de baboseiras «justificativas da decisão». É certo que não falava de armas de destruição maciça, nem de forças do mal, mas não escondia a sua necessidade de «expansão», de garantir a «segurança» do que era seu e, a necessidade de levar «a civilização» a outros povos. Fiquei estupefacto! Não sendo o texto um embuste, a teoria dos mundos paralelos tinha pernas para andar, e quedei-me na especulação sobre a clonagem, não a da célula, mas a do tempo histórico. Se a História não se repete, algo de profundamente igual subsistiu – o imperialismo.
Tal como hoje, também nesses recuados anos, os comunistas lideraram a mobilização das consciências contra a guerra, identificaram os seus mentores e os seus objectivos, antecedendo a consumação dos massacres. E, pelas 18h00 de 1 de Agosto de 1935, organizada pelo PCP e pelas Juventudes Comunistas, teve lugar uma manifestação relâmpago junto da embaixada da Itália, no Largo do Pombeiro, em Lisboa, condenando os planos criminosos do fascismo italiano. Os manifestantes tinham saído de três locais distintos – Hospital dos Capuchos, Igreja dos Anjos e Hospital de São José – convergindo para a representação diplomática da Itália onde, gritaram o seu protesto contra a guerra e contra o fascismo, estilhaçaram algumas vidraças do edifício e distribuíram manifestos.
Volvidos 68 anos, o mesmo Partido, com renovadas Juventudes, sem pedradas, mas com bandeiras vermelhas, inundou as ruas de Lisboa: protestando contra os senhores da guerra; incomodando a mesma classe dominante e os democratas do politicamente correcto. Os que tudo fazem para conservar a atmosfera com aquela dose de veneno necessária e conveniente para que as massas aceitem a ideia duma guerra justa contra os inimigos que eles inventam.
Se o imperialismo não mudou, porque razão mudariam os comunistas ?