A DEMOCRACIA DELES
«O conceito de democracia dominante é sinistro na sua fria simplicidade»
Em Timor-Leste, consumou-se o golpe de estado, visivelmente promovido pelos EUA e pela Austrália, e executado, com igual visibilidade, por um grupo de autóctones, com papel destacado do Presidente da República, Ramos Horta – que aceitou violar a Constituição da República – e de Xanana Gusmão, que teve como prémio o cargo de primeiro-ministro, a que ele próprio acrescentou – previdente e previsível – nem mais nem menos do que as pastas da Segurança, da Defesa e dos Recursos Naturais.
Por parte da generalidade dos média dominantes, o golpe de estado foi visto como coisa natural, normal, dentro das boas regras da democracia... Por isso, esses média, confirmando-se como vozes fiéis dos seus donos, condenam e acusam de desestabilizadores os protestos da Fretilin face à monumental golpaça. O conceito de democracia dominante é sinistro na sua fria simplicidade: tudo se submete e tudo é justificável à luz dos interesses dos donos do mundo
No Iraque, os EUA tentam desesperadamente livrar-se da «aventura iraquiana» (sem sair do Iraque, obviamente...), após a constatação de que a invasão e ocupação concretizadas pelo mais poderoso exército do mundo não logrou esmagar a resistência heróica do povo iraquiano.
Ou seja: apoiado pelos seus lacaios maiores, donde emerge a Grã-Bretanha (com Blair a ter um papel activo no mar de sangrentos crimes praticados), e pelos seus lacaios menores (mas nem por isso menos responsáveis na carnificina), como é o caso dos vários governos PS e PSD - o governo dos EUA exibe a sua natureza: bombardeia, mata, prende, tortura, todos os que se opõem às suas ambições de domínio total do mundo – e faz tudo isso invocando a democracia, a liberdade, os direitos humanos e, naturalmente, o combate ao terrorismo. É esta a democracia deles.
Hoje, com Bush-filho; ontem, com Clinton-irmão; ante-ontem com Bush-pai... amanhã com qualquer gémeo destes, o imperialismo norte-americano é, cada vez mais, o crime e o terror: o horror.
Por isso, em todo o mundo milhões de pessoas, utilizando as mais diversas formas de luta, lhe resistem, o rejeitam, lhe movem um combate sem tréguas – e, apesar da força incomensurável das hordas criminosas, esses milhões não apenas não desistem de lutar, como, por vezes, lhe infligem pesadas derrotas.
É óbvio que se trata de uma luta difícil, travada com uma correlação de forças claramente favorável aos criminosos – força das armas, força do dinheiro, força da propaganda. Mesmo assim, uma luta que causa preocupações aos tiranos. E aos que tentam vendê-los como garantes da democracia sem os quais o mundo seria um caos...
Vasco Pulido Valente (VPV), no Público de 11.8, critica severamente o «desastre» que tem sido, nos últimos anos, a política externa dos EUA (país que ele designa, imitando Bush, simplesmente por «a América»), e conclui que, por efeito desse «desastre» lamentável, «o Ocidente está em risco de ficar sem a América». O drama decorrente da eventual concretização desse «risco» é, segundo o analista, terrífico: «Sem a América, não haverá nenhuma aventura impermissível. Nenhuma catástrofe inimaginável».
Isto é: sem «a América» o mundo deixaria de ser este espaço paradisíaco em que vivemos: de paz, de tolerância, de justiça, de respeito pela vontade soberana dos povos, de perfeição democrática rasando o fim da história - e passaria a ser um mundo de «aventuras» e «catástrofes» horrendas, com, por exemplo, a América Latina nas mãos de ditadores populistas que cometem crimes como combater a miséria, a fome, o desemprego, o analfabetismo, a doença...
E as preocupações do analista estendem-se, como mandam as regras da análise científica, ao nosso País: ele adverte, preocupado, quase alarmado, que «tarde ou cedo as consequências também cá chegarão».
Sabemos, e o analista não o ignora, qual o conteúdo e o sentido das relações EUA/Portugal ao longo dos anos: apoio ao fascismo salazarista/caetanista até ao último dia de vida deste; apoio à contra-revolução de Abril desde antes do seu primeiro dia de vida até ao dia de hoje; e apoio dos sucessivos governos PS e PSD a todos os crimes contra a humanidade praticados pelos EUA.
Pelo que, quanto mais depressa o mundo se livrar do imperialismo norte-americano, melhor correrão as coisas para os povos de todo o mundo, povo português incluído. E é isso que preocupa e tira o sono a VPV.
Manifestando fortes desejos de que as previsões do analista se concretizem, não ficamos, no entanto, à espera do milagre. Como a experiência nos tem mostrado ao longo dos 86 anos de vida do PCP, nada nos é dado e tudo terá que ser conseguido através da luta – da tal luta difícil, mas da qual não desistimos; da tal luta que travamos em várias frentes e em várias áreas, desde o combate à política de direita e às suas consequências dramáticas para os trabalhadores, o povo e o País, até à expressão da nossa solidariedade para com as lutas de todos os povos do mundo contra o imperialismo norte-americano.
Desta luta que tem as raízes essenciais da sua força na ligação do Partido aos trabalhadores e aos seus problemas, anseios e aspirações. E que é, por isso mesmo, uma luta pela democracia sobre a qual pesam, nos tempos que vivemos, perigos grandes e graves: no mundo, por efeito da aplicação, através da força bruta, do conceito de democracia adoptado pelos EUA e seguido fielmente pelos governos seus serventuários; e em Portugal, onde um desses governos faz da ofensiva contra o regime democrático a sua linha de acção prioritária e essencial.
Por parte da generalidade dos média dominantes, o golpe de estado foi visto como coisa natural, normal, dentro das boas regras da democracia... Por isso, esses média, confirmando-se como vozes fiéis dos seus donos, condenam e acusam de desestabilizadores os protestos da Fretilin face à monumental golpaça. O conceito de democracia dominante é sinistro na sua fria simplicidade: tudo se submete e tudo é justificável à luz dos interesses dos donos do mundo
No Iraque, os EUA tentam desesperadamente livrar-se da «aventura iraquiana» (sem sair do Iraque, obviamente...), após a constatação de que a invasão e ocupação concretizadas pelo mais poderoso exército do mundo não logrou esmagar a resistência heróica do povo iraquiano.
Ou seja: apoiado pelos seus lacaios maiores, donde emerge a Grã-Bretanha (com Blair a ter um papel activo no mar de sangrentos crimes praticados), e pelos seus lacaios menores (mas nem por isso menos responsáveis na carnificina), como é o caso dos vários governos PS e PSD - o governo dos EUA exibe a sua natureza: bombardeia, mata, prende, tortura, todos os que se opõem às suas ambições de domínio total do mundo – e faz tudo isso invocando a democracia, a liberdade, os direitos humanos e, naturalmente, o combate ao terrorismo. É esta a democracia deles.
Hoje, com Bush-filho; ontem, com Clinton-irmão; ante-ontem com Bush-pai... amanhã com qualquer gémeo destes, o imperialismo norte-americano é, cada vez mais, o crime e o terror: o horror.
Por isso, em todo o mundo milhões de pessoas, utilizando as mais diversas formas de luta, lhe resistem, o rejeitam, lhe movem um combate sem tréguas – e, apesar da força incomensurável das hordas criminosas, esses milhões não apenas não desistem de lutar, como, por vezes, lhe infligem pesadas derrotas.
É óbvio que se trata de uma luta difícil, travada com uma correlação de forças claramente favorável aos criminosos – força das armas, força do dinheiro, força da propaganda. Mesmo assim, uma luta que causa preocupações aos tiranos. E aos que tentam vendê-los como garantes da democracia sem os quais o mundo seria um caos...
Vasco Pulido Valente (VPV), no Público de 11.8, critica severamente o «desastre» que tem sido, nos últimos anos, a política externa dos EUA (país que ele designa, imitando Bush, simplesmente por «a América»), e conclui que, por efeito desse «desastre» lamentável, «o Ocidente está em risco de ficar sem a América». O drama decorrente da eventual concretização desse «risco» é, segundo o analista, terrífico: «Sem a América, não haverá nenhuma aventura impermissível. Nenhuma catástrofe inimaginável».
Isto é: sem «a América» o mundo deixaria de ser este espaço paradisíaco em que vivemos: de paz, de tolerância, de justiça, de respeito pela vontade soberana dos povos, de perfeição democrática rasando o fim da história - e passaria a ser um mundo de «aventuras» e «catástrofes» horrendas, com, por exemplo, a América Latina nas mãos de ditadores populistas que cometem crimes como combater a miséria, a fome, o desemprego, o analfabetismo, a doença...
E as preocupações do analista estendem-se, como mandam as regras da análise científica, ao nosso País: ele adverte, preocupado, quase alarmado, que «tarde ou cedo as consequências também cá chegarão».
Sabemos, e o analista não o ignora, qual o conteúdo e o sentido das relações EUA/Portugal ao longo dos anos: apoio ao fascismo salazarista/caetanista até ao último dia de vida deste; apoio à contra-revolução de Abril desde antes do seu primeiro dia de vida até ao dia de hoje; e apoio dos sucessivos governos PS e PSD a todos os crimes contra a humanidade praticados pelos EUA.
Pelo que, quanto mais depressa o mundo se livrar do imperialismo norte-americano, melhor correrão as coisas para os povos de todo o mundo, povo português incluído. E é isso que preocupa e tira o sono a VPV.
Manifestando fortes desejos de que as previsões do analista se concretizem, não ficamos, no entanto, à espera do milagre. Como a experiência nos tem mostrado ao longo dos 86 anos de vida do PCP, nada nos é dado e tudo terá que ser conseguido através da luta – da tal luta difícil, mas da qual não desistimos; da tal luta que travamos em várias frentes e em várias áreas, desde o combate à política de direita e às suas consequências dramáticas para os trabalhadores, o povo e o País, até à expressão da nossa solidariedade para com as lutas de todos os povos do mundo contra o imperialismo norte-americano.
Desta luta que tem as raízes essenciais da sua força na ligação do Partido aos trabalhadores e aos seus problemas, anseios e aspirações. E que é, por isso mesmo, uma luta pela democracia sobre a qual pesam, nos tempos que vivemos, perigos grandes e graves: no mundo, por efeito da aplicação, através da força bruta, do conceito de democracia adoptado pelos EUA e seguido fielmente pelos governos seus serventuários; e em Portugal, onde um desses governos faz da ofensiva contra o regime democrático a sua linha de acção prioritária e essencial.