UM GOVERNO SEM CRÉDITO
«A luta vai continuar, mais participada e mais forte»
Vários acontecimentos recentes, confirmam dois traços essenciais da situação actual: a forte disponibilidade de luta dos trabalhadores e o crescente isolamento e descrédito do Governo PS/José Sócrates.
A formidável manifestação do dia 5 em Guimarães foi um desses acontecimentos. Superando todas as expectativas, mesmo as mais optimistas, e confirmando o amplo descontentamento gerado pela política do Governo junto dos trabalhadores e das populações, ela constituiu uma poderosa demonstração da força organizada das massas e da sua determinação de dar continuidade à luta contra essa política - que é a mais à direita de todas as políticas de direita praticadas ao longo das três últimas décadas. Com a vantagem, para o grande patronato e para o PSD, de ela estar a ser levada à prática por um governo que se diz socialista e de esquerda, isto é, de o PS ser o protagonista da mais feroz ofensiva até agora desencadeada contra direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos; contra as mais significativas conquistas alcançadas pelos trabalhadores e o povo na revolução de Abril; contra a soberania e a independência nacionais; contra traves mestras do regime democrático.
Foi combatendo essa política – e exigindo uma política de esquerda, democrática, com respeito pelos seus direitos e interesses - que milhares e milhares de trabalhadores se manifestaram em Guimarães, naquela que foi a maior acção de massas alguma vez realizada naquela cidade. E fizeram-no na sequência de um vasto conjunto de lutas (do qual emerge como momento mais relevante a poderosa Greve Geral de 30 de Maio) e deixando clara a certeza de que a luta vai continuar: mais participada e mais forte.
A vaia ao primeiro-ministro no Estádio da Luz foi outro acontecimento cheio de significado. Expressando dessa forma o seu desagrado, o seu protesto pela política do Governo e pelas suas consequências, muitos milhares de pessoas, de forma espontânea e sentida, disseram a Sócrates, em directo e ao vivo, o que dele e do seu Governo pensam. Também o imenso coro de assobios aos Estados Unidos da América não admite outra leitura que não seja a de ter-se tratado de um protesto contra a brutalidade do imperialismo norte-americano; as sua guerras de ocupação varrendo a ferro e fogo países e povos; as prisões arbitrárias de milhares de cidadãos de vários países (submetendo-os a violentos interrogatórios, a torturas bárbaras) – tudo isto num arrogante desprezo pela soberania dos povos, pela democracia, pela liberdade, pelos direitos humanos. E a assobiadela foi também, obviamente, para o apoio servil e subserviente, para a conivência do Governo português com as práticas criminosas do Governo de Bush.
Assim, a manifestação de Guimarães e os protestos do Estádio da Luz têm raízes comuns: trata-se de intervenções cívicas contra uma política que se caracteriza por uma prática anticonstitucional de liquidação de direitos democráticos; de prepotência, autoritarismo e arrogância; de medidas policiais e persecutórias com nítido carácter fascizante; de uma vigilância sobre os cidadãos que, em vários aspectos, assume contornos pidescos; de graves limitações à liberdade de expressão e às liberdades em geral – enfim, de um conjunto de práticas que, complementando a perigosa ofensiva em curso contra o regime democrático, são demonstrativas dos objectivos do Governo e dos métodos a que recorre para os alcançar. Trata-se de acções contra essa política e a exigir a mudança necessária.
Bem podem o primeiro-ministro e o seu Governo assobiar para o ar face a estas manifestações de descontentamento e protesto; bem podem, como fizeram, acusar o PCP e a CGTP de promotores destas vaias e assobiadelas, assim procurando ignorar o amplo sentimento de desagrado com a política do Governo que percorre a sociedade portuguesa (recorde-se, a propósito, que também o Governo de Cavaco Silva o fez quando de uma vaia semelhante no Estádio Universitário – e, já agora, recorde-se também que essa era uma prática corrente dos governos de Salazar e Caetano); bem podem fazer o que o seu desprezo pelos princípios democráticos lhes dita – uma coisa podem ter como certa: pela frente encontrarão a firmeza e a determinação de que é feita a força organizada dos trabalhadores e do povo.
A política do Governo contrária aos interesses da imensa maioria dos portugueses; a expressão que a luta de massas assumiu nos últimos tempos; a convicção e a confiança manifestadas pelos trabalhadores e pelas populações; e os resultados visíveis da luta, mostram não apenas a sua importância, mas também as enormes potencialidades existentes para lhe dar continuidade e para a tornar ainda mais forte.
E, nas circunstâncias actuais, a luta contra a política de direita trava-se também, e de que maneira!, nas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa.
É necessário não permitir – utilizando a arma disponível no dia 15: o voto! – que a política governamental que tantos problemas, dificuldades e dramas tem causado a milhões de portugueses, seja transplantada para a Câmara Municipal de Lisboa, causando mais problemas, mais dificuldades e mais dramas aos lisboetas.
É necessário não apenas dizer não a essa política mas, também com o voto, dizer sim às forças que integram a CDU – que são, afinal, as forças que, na cidade, sempre têm ocupado a primeira fila da luta pela defesa do município e dos seus munícipes; e que, no plano nacional, sempre têm sido a vanguarda da luta pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.
A formidável manifestação do dia 5 em Guimarães foi um desses acontecimentos. Superando todas as expectativas, mesmo as mais optimistas, e confirmando o amplo descontentamento gerado pela política do Governo junto dos trabalhadores e das populações, ela constituiu uma poderosa demonstração da força organizada das massas e da sua determinação de dar continuidade à luta contra essa política - que é a mais à direita de todas as políticas de direita praticadas ao longo das três últimas décadas. Com a vantagem, para o grande patronato e para o PSD, de ela estar a ser levada à prática por um governo que se diz socialista e de esquerda, isto é, de o PS ser o protagonista da mais feroz ofensiva até agora desencadeada contra direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos; contra as mais significativas conquistas alcançadas pelos trabalhadores e o povo na revolução de Abril; contra a soberania e a independência nacionais; contra traves mestras do regime democrático.
Foi combatendo essa política – e exigindo uma política de esquerda, democrática, com respeito pelos seus direitos e interesses - que milhares e milhares de trabalhadores se manifestaram em Guimarães, naquela que foi a maior acção de massas alguma vez realizada naquela cidade. E fizeram-no na sequência de um vasto conjunto de lutas (do qual emerge como momento mais relevante a poderosa Greve Geral de 30 de Maio) e deixando clara a certeza de que a luta vai continuar: mais participada e mais forte.
A vaia ao primeiro-ministro no Estádio da Luz foi outro acontecimento cheio de significado. Expressando dessa forma o seu desagrado, o seu protesto pela política do Governo e pelas suas consequências, muitos milhares de pessoas, de forma espontânea e sentida, disseram a Sócrates, em directo e ao vivo, o que dele e do seu Governo pensam. Também o imenso coro de assobios aos Estados Unidos da América não admite outra leitura que não seja a de ter-se tratado de um protesto contra a brutalidade do imperialismo norte-americano; as sua guerras de ocupação varrendo a ferro e fogo países e povos; as prisões arbitrárias de milhares de cidadãos de vários países (submetendo-os a violentos interrogatórios, a torturas bárbaras) – tudo isto num arrogante desprezo pela soberania dos povos, pela democracia, pela liberdade, pelos direitos humanos. E a assobiadela foi também, obviamente, para o apoio servil e subserviente, para a conivência do Governo português com as práticas criminosas do Governo de Bush.
Assim, a manifestação de Guimarães e os protestos do Estádio da Luz têm raízes comuns: trata-se de intervenções cívicas contra uma política que se caracteriza por uma prática anticonstitucional de liquidação de direitos democráticos; de prepotência, autoritarismo e arrogância; de medidas policiais e persecutórias com nítido carácter fascizante; de uma vigilância sobre os cidadãos que, em vários aspectos, assume contornos pidescos; de graves limitações à liberdade de expressão e às liberdades em geral – enfim, de um conjunto de práticas que, complementando a perigosa ofensiva em curso contra o regime democrático, são demonstrativas dos objectivos do Governo e dos métodos a que recorre para os alcançar. Trata-se de acções contra essa política e a exigir a mudança necessária.
Bem podem o primeiro-ministro e o seu Governo assobiar para o ar face a estas manifestações de descontentamento e protesto; bem podem, como fizeram, acusar o PCP e a CGTP de promotores destas vaias e assobiadelas, assim procurando ignorar o amplo sentimento de desagrado com a política do Governo que percorre a sociedade portuguesa (recorde-se, a propósito, que também o Governo de Cavaco Silva o fez quando de uma vaia semelhante no Estádio Universitário – e, já agora, recorde-se também que essa era uma prática corrente dos governos de Salazar e Caetano); bem podem fazer o que o seu desprezo pelos princípios democráticos lhes dita – uma coisa podem ter como certa: pela frente encontrarão a firmeza e a determinação de que é feita a força organizada dos trabalhadores e do povo.
A política do Governo contrária aos interesses da imensa maioria dos portugueses; a expressão que a luta de massas assumiu nos últimos tempos; a convicção e a confiança manifestadas pelos trabalhadores e pelas populações; e os resultados visíveis da luta, mostram não apenas a sua importância, mas também as enormes potencialidades existentes para lhe dar continuidade e para a tornar ainda mais forte.
E, nas circunstâncias actuais, a luta contra a política de direita trava-se também, e de que maneira!, nas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa.
É necessário não permitir – utilizando a arma disponível no dia 15: o voto! – que a política governamental que tantos problemas, dificuldades e dramas tem causado a milhões de portugueses, seja transplantada para a Câmara Municipal de Lisboa, causando mais problemas, mais dificuldades e mais dramas aos lisboetas.
É necessário não apenas dizer não a essa política mas, também com o voto, dizer sim às forças que integram a CDU – que são, afinal, as forças que, na cidade, sempre têm ocupado a primeira fila da luta pela defesa do município e dos seus munícipes; e que, no plano nacional, sempre têm sido a vanguarda da luta pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.