Universidade de Lisboa

Dificuldades económicas <br>levam a abandono escolar

Dificuldades económicas e desmotivação são as duas principais causas de abandono escolar na Universidade de Lisboa, segundo um estudo recentemente publicado.

A desmotivação liga-se à sobrelotação e à não colaboração dos professores

Mais de 600 estudantes abandonaram no primeiro ano a frequência da licenciatura onde tinham entrado na Universidade de Lisboa, de acordo com um estudo publicado recentemente.
Com base num inquérito a 190 estudantes que desistiram no ano lectivo 2004/05 e citado pela agência Lusa, o documento mostra que as dificuldades económicas estão na base da decisão de um em cada seis estudantes. Estes lamentam a inexistência de bolsas de estudo adequadas e a falta de condições de apoio para trabalhadores-estudantes.
As dificuldades económicas foram indicadas sobretudo por alunos das faculdades de Ciências, Letras e Psicologia e Ciências da Educação, cuja proveniência é maioritariamente de famílias de classe média ou média baixa.
Face a esta realidade, as autoras do estudo recomendam a criação de um sistema mais diversificado de bolsas de estudo e outros apoios, que será «vital para permitir a continuação nos estudos de certo tipo de estudantes». As autores salientam ainda «a necessidade imperiosa de criar condições que vão ao encontro das características de formação dos estudantes-trabalhadores», através nomeadamente de uma maior flexibilidade de horários e de aulas em regime nocturno.

Outras razões

A desmotivação foi apontada por cerca de 30 por cento dos 190 alunos que abandonaram os cursos no primeiro ano. Esta situação registou-se principalmente nas faculdades de Ciências, Direito e Farmácia. Concretamente a desmotivação está relacionada com questões de desorganização, sobrelotação das instalações e falta de colaboração dos professores. Outro factor é o facto de muitos estudantes não terem conseguido entrar no curso que correspondia à sua primeira preferência.
Sobre esta questão, o estudo recomenda uma reorganização pedagógica e das práticas de ensino, aconselhando a criação de cursos mais práticos e aulas mais dinâmicas, com maior diversidade de cadeiras de opção e de sistemas de avaliação. Outra medida aconselhada é a criação de condições de recepção dos novos alunos, sobretudo devido à aplicação do Processo de Bolonha por implicar a necessidade de os estudantes tomarem «decisões que só poderão ser tomadas se houver um enquadramento efectivo, sob pena de levarem à desorientação e ao abandono».
Uma parte dos estudantes que abandonou os seus cursos acabou por mudar de curso ou de universidade. Estes casos verificam-se sobretudo nas faculdades de Farmácia e Medicina Dentária, onde anualmente muitos alunos se matriculam por não terem conseguido vaga em Medicina.


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