O exemplo da Sorefame
Os comunistas, organizados no seu partido, o PCP, têm-se revelado como os mais firmes e consequentes defensores dos interesses nacionais. Dos interesses do povo português e dos trabalhadores.
Nas várias frentes de luta contra a restauração capitalista assim como nas propostas apresentadas ao povo e aos trabalhadores, o PCP e cada um dos seus militantes transporta para o presente um glorioso passado de luta, de luta e de convergência com as forças progressistas que levou ao derrube do fascismo.
No presente, o trabalho revolucionário do Partido e de cada um dos seus militantes organizados é empreendido, também, na luta contra as verdades únicas e mentirosas apresentadas pelos grandes grupos monopolistas do capital financeiro e pelos seus representantes no Governo e no Estado, na luta contra as políticas nefastas desenvolvidas contra o povo e os trabalhadores, na luta contra a submissão ao imperialismo e contra o envolvimento do nosso país em agressões imperialistas (lembram-se do duplo carácter de Portugal: país colonialista e alvo da exploração imperialista). A acção revolucionária manifesta-se de igual modo nas propostas a curto, médio e longo prazo para o país.
Conscientes de que, dentro dos limites impostos pela sociedade capitalista, os ganhos e avanços civilizacionais são sempre precários e dependentes da força organizada das forças mais progressistas e revolucionárias, a marca revolucionária da nossa acção desenvolve-se também na apresentação de propostas concretas aos trabalhadores e ao povo de uma política alternativa que implica o seu envolvimento, o seu empenho e a luta para a sua concretização.
O nosso Partido não admite que da regulação capitalista da economia possa vir bons ventos para o povo e para os trabalhadores. E os trabalhadores sabem muito bem o que a restauração capitalista tem transportado consigo: desemprego, precariedade, abaixamento de salários, abaixamento da protecção social, destruição do aparelho produtivo nacional, destruição da nossa agricultura – sem antes, sequer, ter conhecido um desenvolvimento capitalista -, ataques aos direitos e liberdades colectivas e individuais, encarecimento dos serviços e cuidados essenciais como a saúde, o ensino, os transportes, crescentes dificuldades no acesso à prática e fruição cultural.
É possível e necessário que os trabalhadores e o povo tenham um futuro melhor. Para tal é necessário que agarrem as oportunidades de mudança de orientação das políticas que a cada momento e em cada área se apresentam como cada vez mais necessárias e possíveis. O PCP tem apresentado diversificadas iniciativas, com relevo para as apresentadas no âmbito da acção «Em movimento por um Portugal com futuro», onde se destacam as iniciativas em torno das melhorias de condições de vida e de trabalho em todos os seus aspectos. Objectivamente as iniciativas apresentadas pelo Partido correspondem às necessidades do povo e do país. E cada vez mais obtêm um largo apoio concreto por parte de variadíssimos sectores sociais. Apoio este que tem que ter, para ser consequente e eficaz, uma tradução no sentido de voto.
A política de restauração capitalista tem na destruição sistemática do aparelho produtivo uma das suas vertentes mais gravosas e mais perigosas para o presente e futuro de Portugal como país soberano e para as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores e do povo.
A «modernidade» da liquidação
Enquanto decorria o cozinhado do Pacote Laboral entre a UGT, o Governo e o patronato, realizou-se nas instalações da Bombardier/Sorefame um debate transmitido pela SIC com a presença, para além do secretário-geral da CGTP, dos cozinheiros do Pacote Laboral. A imagem que se pretendia transmitir, ou a que eu me apercebi, foi a de modernidade, competitividade, mudança e movimento – o pano de fundo era aquele em que os operários da Bombardier/Sorefame utilizam como matéria-prima.
Passaram uns meses e a fábrica da multinacional canadiana na Amadora, a Sorefame, só tem trabalho até Abril de 2004. Todas as semanas saem trabalhadores efectivos por rescisão de contrato.
O fim da Bombardier/Sorefame é admitido não apenas pelos administradores mas também, através da revisão ordinária do PDM no próximo ano e da alteração do uso do solo naquela área (15Ha, só da Sorefame), pelos autarcas do PSD, CDS e PS na Amadora.
A administração afirma duas coisas: 1) se a empresa não conseguir encomendas a partir dessa data, fecha; 2) A capacidade instalada do grupo Bombardier está subaproveitada.
Com isto pretende afirmar que não pensem os trabalhadores e as suas ORT’s que a solução seria a transferência de encomendas de outras fábricas para a Amadora e, em segundo lugar, que se está a tentar assegurar encomendas em concursos internacionais, mas que nada está garantido. Afirma ainda que os projectos existentes no mercado nacional requerem concursos e não estariam disponíveis em tempo útil.
Os projectos existentes no mercado nacional são o CP/2000 ( suburbanos do Porto), o Metro de Lisboa, o Metro do Porto e locomotivas para o Algarve. É da inteira responsabilidade do Governo e das administrações da CP e do Metro o não desbloqueamento de verbas para o avanço imediato dos projectos.
O PCP já apresentou na Assembleia da República um Requerimento com vista a apurar a situação dos referidos projectos.
Uma história de luta
A Sorefame é uma empresa onde os trabalhadores (os sorefamistas), ao longo de várias gerações, foram conquistando direitos e defendendo-os. Com luta. Com muita luta. Não só na defesa e conquista dos seus direitos mas também na defesa da empresa contra a sucessiva mutilação da capacidade produtiva feita pelas multinacionais.
A Sorefame iniciou a sua actividade em 1943, tem já 60 anos de vida.
Estudou, projectou e forneceu equipamentos para aproveitamento hidroeléctrico e hidro-agrícolas.
Estudou, projectou e forneceu equipamentos de material circulante.
Ainda na década de 40 a Sorefame iniciou a sua internacionalização com presenças nos países africanos de língua portuguesa, alargando depois a sua actividade a países como Marrocos, Rodésia, Irão, Sudão, México, China, África do Sul, Brasil, Costa Rica, Iraque, etc., onde a Sorefame granjeou grande prestígio ao produzir e montar equipamentos de grande vulto.
Em Portugal produziu e montou todos os equipamentos para as barragens existentes com a excepção do Alqueva, onde grande parte do equipamento foi fabricado em Espanha porque a capacidade produtiva da empresa ligada ao sector da energia já tinha sido destruído pela multinacional ABB.
A Sorefame, pela sua qualidade tecnológica e capacidade adquirida no fabrico de material circulante, foi o fornecedor exclusivo do mercado nacional com o sucesso que ainda hoje se pode comprovar nos vários tipos de veículos explorados pelos clientes CP e Metro.
Foi com o início da destruição do Sector Empresarial do Estado e com a aquisição da Sorefame pelas multinacionais – primeiro pela ABB, depois pela ADTRANZ e, desde Maio de 2001, pela canadiana BOMBARDIER, que tem sido retirada capacidade produtiva à Sorefame: desde o fim da Hidro-Sorefame, até à saída para outras empresas das multinacionais de outras capacidades que a Sorefame detinha.
O Partido, organizando os trabalhadores comunistas e alargando a unidade em torno da defesa da Bombardier/Sorefame, em estreita ligação com o movimento sindical, está em condições de evitar a consumação de um crime em que o PS, o PSD e o CDS têm, desde há muito, as mãos sujas. O Partido organiza a classe operária, e lança um apelo de unidade a todas as camadas e grupos sociais progressistas dizendo que é possível, lutando, defendermos a Sorefame, o emprego e uma componente importante do tecido produtivo nacional.
A acção revolucionária do nosso Partido, lutando e organizando a classe operária e seus aliados contra as verdades únicas do capital e pelas múltiplas razões do povo e dos trabalhadores, é o caminho desde sempre seguido pelo PCP e por ele continuaremos.
Conscientes de que, dentro dos limites impostos pela sociedade capitalista, os ganhos e avanços civilizacionais são sempre precários e dependentes da força organizada das forças mais progressistas e revolucionárias, a marca revolucionária da nossa acção desenvolve-se também na apresentação de propostas concretas aos trabalhadores e ao povo de uma política alternativa que implica o seu envolvimento, o seu empenho e a luta para a sua concretização.
O nosso Partido não admite que da regulação capitalista da economia possa vir bons ventos para o povo e para os trabalhadores. E os trabalhadores sabem muito bem o que a restauração capitalista tem transportado consigo: desemprego, precariedade, abaixamento de salários, abaixamento da protecção social, destruição do aparelho produtivo nacional, destruição da nossa agricultura – sem antes, sequer, ter conhecido um desenvolvimento capitalista -, ataques aos direitos e liberdades colectivas e individuais, encarecimento dos serviços e cuidados essenciais como a saúde, o ensino, os transportes, crescentes dificuldades no acesso à prática e fruição cultural.
É possível e necessário que os trabalhadores e o povo tenham um futuro melhor. Para tal é necessário que agarrem as oportunidades de mudança de orientação das políticas que a cada momento e em cada área se apresentam como cada vez mais necessárias e possíveis. O PCP tem apresentado diversificadas iniciativas, com relevo para as apresentadas no âmbito da acção «Em movimento por um Portugal com futuro», onde se destacam as iniciativas em torno das melhorias de condições de vida e de trabalho em todos os seus aspectos. Objectivamente as iniciativas apresentadas pelo Partido correspondem às necessidades do povo e do país. E cada vez mais obtêm um largo apoio concreto por parte de variadíssimos sectores sociais. Apoio este que tem que ter, para ser consequente e eficaz, uma tradução no sentido de voto.
A política de restauração capitalista tem na destruição sistemática do aparelho produtivo uma das suas vertentes mais gravosas e mais perigosas para o presente e futuro de Portugal como país soberano e para as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores e do povo.
A «modernidade» da liquidação
Enquanto decorria o cozinhado do Pacote Laboral entre a UGT, o Governo e o patronato, realizou-se nas instalações da Bombardier/Sorefame um debate transmitido pela SIC com a presença, para além do secretário-geral da CGTP, dos cozinheiros do Pacote Laboral. A imagem que se pretendia transmitir, ou a que eu me apercebi, foi a de modernidade, competitividade, mudança e movimento – o pano de fundo era aquele em que os operários da Bombardier/Sorefame utilizam como matéria-prima.
Passaram uns meses e a fábrica da multinacional canadiana na Amadora, a Sorefame, só tem trabalho até Abril de 2004. Todas as semanas saem trabalhadores efectivos por rescisão de contrato.
O fim da Bombardier/Sorefame é admitido não apenas pelos administradores mas também, através da revisão ordinária do PDM no próximo ano e da alteração do uso do solo naquela área (15Ha, só da Sorefame), pelos autarcas do PSD, CDS e PS na Amadora.
A administração afirma duas coisas: 1) se a empresa não conseguir encomendas a partir dessa data, fecha; 2) A capacidade instalada do grupo Bombardier está subaproveitada.
Com isto pretende afirmar que não pensem os trabalhadores e as suas ORT’s que a solução seria a transferência de encomendas de outras fábricas para a Amadora e, em segundo lugar, que se está a tentar assegurar encomendas em concursos internacionais, mas que nada está garantido. Afirma ainda que os projectos existentes no mercado nacional requerem concursos e não estariam disponíveis em tempo útil.
Os projectos existentes no mercado nacional são o CP/2000 ( suburbanos do Porto), o Metro de Lisboa, o Metro do Porto e locomotivas para o Algarve. É da inteira responsabilidade do Governo e das administrações da CP e do Metro o não desbloqueamento de verbas para o avanço imediato dos projectos.
O PCP já apresentou na Assembleia da República um Requerimento com vista a apurar a situação dos referidos projectos.
Uma história de luta
A Sorefame é uma empresa onde os trabalhadores (os sorefamistas), ao longo de várias gerações, foram conquistando direitos e defendendo-os. Com luta. Com muita luta. Não só na defesa e conquista dos seus direitos mas também na defesa da empresa contra a sucessiva mutilação da capacidade produtiva feita pelas multinacionais.
A Sorefame iniciou a sua actividade em 1943, tem já 60 anos de vida.
Estudou, projectou e forneceu equipamentos para aproveitamento hidroeléctrico e hidro-agrícolas.
Estudou, projectou e forneceu equipamentos de material circulante.
Ainda na década de 40 a Sorefame iniciou a sua internacionalização com presenças nos países africanos de língua portuguesa, alargando depois a sua actividade a países como Marrocos, Rodésia, Irão, Sudão, México, China, África do Sul, Brasil, Costa Rica, Iraque, etc., onde a Sorefame granjeou grande prestígio ao produzir e montar equipamentos de grande vulto.
Em Portugal produziu e montou todos os equipamentos para as barragens existentes com a excepção do Alqueva, onde grande parte do equipamento foi fabricado em Espanha porque a capacidade produtiva da empresa ligada ao sector da energia já tinha sido destruído pela multinacional ABB.
A Sorefame, pela sua qualidade tecnológica e capacidade adquirida no fabrico de material circulante, foi o fornecedor exclusivo do mercado nacional com o sucesso que ainda hoje se pode comprovar nos vários tipos de veículos explorados pelos clientes CP e Metro.
Foi com o início da destruição do Sector Empresarial do Estado e com a aquisição da Sorefame pelas multinacionais – primeiro pela ABB, depois pela ADTRANZ e, desde Maio de 2001, pela canadiana BOMBARDIER, que tem sido retirada capacidade produtiva à Sorefame: desde o fim da Hidro-Sorefame, até à saída para outras empresas das multinacionais de outras capacidades que a Sorefame detinha.
O Partido, organizando os trabalhadores comunistas e alargando a unidade em torno da defesa da Bombardier/Sorefame, em estreita ligação com o movimento sindical, está em condições de evitar a consumação de um crime em que o PS, o PSD e o CDS têm, desde há muito, as mãos sujas. O Partido organiza a classe operária, e lança um apelo de unidade a todas as camadas e grupos sociais progressistas dizendo que é possível, lutando, defendermos a Sorefame, o emprego e uma componente importante do tecido produtivo nacional.
A acção revolucionária do nosso Partido, lutando e organizando a classe operária e seus aliados contra as verdades únicas do capital e pelas múltiplas razões do povo e dos trabalhadores, é o caminho desde sempre seguido pelo PCP e por ele continuaremos.