A grande festa das artes
A Bienal vai dar ênfase ao Ano Nacional da Arquitectura e destaca a enorme diversidade de tendências artísticas que vão enriquecer o acontecimento.
Situado no Pavilhão Central, como já é hábito de edições anteriores, mas com notórias melhorias na concepção, a Bienal de Artes Plásticas é o espaço destinado a todas as correntes estéticas.
Este ano, a iniciativa engloba duas componentes: por um lado há o concurso, aberto a todos os artistas; por outro, o espaço dedicado aos artistas convidados.
Pedro Penilo, Felipe Dinis e Nuno Pedrosa, da comissão organizadora, em conversa com o Avante!, revelam as novidades.
«A Bienal é a consequência de um grande trabalho de discussão no Partido, com vista a garantir a sua cada vez melhor qualidade, na diversidade das obras expostas», afirma Nuno Pedrosa, salientando que «não é só na Bienal que as artes plásticas estão representadas». «Por toda a Festa há muitas participações de artistas plásticos que, com o seu trabalho nas decorações, pinturas e concepções das estruturas dos pavilhões, enriquecem o evento», diz.
Este ano deu-se um salto qualitativo através de uma maior responsabilização das organizações regionais do Partido, e procurou-se ser mais rigoroso nas escolhas. Os temas dos trabalhos são livres. Pedro Penilo sublinha a necessidade de este espaço reflectir todas as formas artísticas que se enquadram nas artes plásticas.
Para garantir a pretendida diversidade, foram criados uma série de mecanismos, como por exemplo, a descentralização dos pontos de recolha das obras.
Mais e melhor diversidade
Como novidade, nesta edição, a selecção de trabalhos foi «descentralizada», de forma a tornar mais acessível a recolha das obras. A última edição da Bienal envolveu 150 autores com cerca de 300 obras. Além de uma lista com centenas de nomes de convidados, a organização pretende, este ano, alargar essa lista a nomes menos conhecidos do campo das artes, incluindo artistas jovens com trabalho consagrado. Por outro lado, estão endereçados convites a cinco instituições - escolas, com o propósito de enriquecer ainda mais a exposição.
Criaram-se seis centros de recolha e selecção de obras: o Centro de Trabalho da Boavista, no Porto; o CT Vitória, em Lisboa; e os CT’s de Setúbal, Évora, Coimbra e Faro. O júri da Bienal desloca-se a esses pontos de recolha onde faz a selecção localmente, evitando aos artistas o transporte das respectivas obras.
O arquitecto Filipe Dinis considera que «a qualidade cultural da Festa depende da iniciativa cultural do conjunto do Partido». Desde que se optou pelos pontos regionais de recolha de obras, informa, «a percentagem de obras seleccionadas fora da capital passou a ser superior ao número de obras seleccionadas em Lisboa, tendo aumentado o nível médio de qualidade dos trabalhos seleccionados».
Outro dos mecanismos adoptados prende-se com a diversificação das formas de apresentação das obras. Até aqui exigia-se que os concorrentes entregassem fisicamente a obra. Agora, os artistas podem apresentar as obras através de fotografias ou outro tipo de material documental que permita ao júri ter uma ideia da mesma.
O prazo de entrega das obras a concurso foi alargado até ao próximo dia 15 de Julho. Os trabalhos poderão ser entregues em qualquer dos pontos de recolha para o efeito. São eles: o Centro de Trabalho da Boavista, no Porto; o CT Vitória, em Lisboa; e os CT’s de Setúbal, Coimbra e Faro.
Combater a mercantilização da arte
Além das artes bidimensionais e tridimensionais, a pintura, a arquitectura, o desenho e a escultura, pretende-se dar espaço na Festa às «novas» artes digitais e audiovisuais.
Por outro lado, a comissão organizadora tem a preocupação de não compartimentar qualquer tipo de disciplinas, de forma a tratar todas as obras de forma igual. Todos os tipos de arte devem conviver no mesmo espaço com novas expressões, incluindo a performance (forma de arte moderna em que são os artistas a própria arte), salienta Pedro Penilo.
A exposição pretende também levar todos os visitantes «a uma reflexão política no seu sentido mais amplo», refere. Para este responsável, «o combate político é fundamental para esbater fronteiras entre as várias artes e as gerações de público que visitam a Festa e a exposição».
Felipe Dinis salienta a importância da exposição no contexto da Festa do Avante!: «o propósito é democratizar o acesso à arte, desempenhando assim um importante papel pedagógico». A Bienal vai continuar a ser um espaço onde muitas pessoas têm, pela primeira vez, possibilidade de contactar com as novas formas e expressões artísticas. Recordando que «vivemos numa sociedade que mercantiliza tudo, e até já faz cotações com os artistas», Felipe Dinis considera que, neste quadro, «a Bienal é uma excepção» por não ter regras de mercado, e por divulgar as mais variadas obras de artistas jovens que não poderiam estar presentes se os moldes do evento fossem mercantilistas. Particularmente importante é o facto de a Bienal ser o único sítio onde muitos jovens podem apresentar o seu trabalho.
Arquitectura em destaque
Estamos no Ano Nacional da Arquitectura, facto a que a Bienal não é alheia. Assim, este ano haverá um programa especial dedicado a esta vertente.
A Arquitectura sempre teve o seu espaço na exposição, com a participação de nomes conhecidos como Álvaro Siza Vieira ou o arquitecto brasileiro, Óscar Niemayer. Segundo Filipe Dinis, este ano pretende-se uma participação muito mais alargada de arquitectos convidados. A grande vantagem para estes arquitectos «é o facto de terem aqui um público muito mais amplo e diversificado». «Uma forte componente pedagógica do evento é ajudar o público a compreender a arquitectura e os materiais», refere. A organização pretende ajudar a compreender a arquitectura nas suas componentes artísticas e na sua funcionalidade. Dinis salienta também o facto de a arquitectura ser «uma componente fundamental» ao longo de toda a Festa, através da concepção de todos os pavilhões e espaços da Quinta da Atalaia. Exemplo disso foi a exposição, no ano passado, subordinada à arquitectura nas várias edições da Festa. «Neste aspecto, é um acontecimento impar, já que não existe conjunto de arquitecturas efémeras em tanta qualidade e quantidade como o que se regista neste evento, principalmente com a dimensão urbanística da Festa do Avante! e o seu carácter artístico e técnico», garante. «A própria arquitectura de todos os espaços é motivo de visita à Atalaia». «Há uma grande diversidade de soluções técnicas com um número muito reduzido de materiais: tubos, braçadeiras e chapas de madeira», salienta.
O futuro da Festa
A Lei do Financiamento dos Partidos Políticos, recentemente aprovada, mereceu comentários por parte dos organizadores da Bienal. Pedro Penilo diz não compreender «como existem pessoas que queimam as pestanas a tentar destruir a Festa». Recorda que a Festa já sofreu tentativas de destruição «tão ou mais perigosas do que esta» e, «se não o conseguiram, também não é agora que o vão conseguir», afirma. Embora considere que «a tentativa de estrangulamento da Festa pela via financeira envolve mais riscos», Felipe Dinis diz que esta é «mais uma forma de tentar atacar e silenciar o Partido, mas cá estaremos mais uma vez para o impedir».
Este ano, a iniciativa engloba duas componentes: por um lado há o concurso, aberto a todos os artistas; por outro, o espaço dedicado aos artistas convidados.
Pedro Penilo, Felipe Dinis e Nuno Pedrosa, da comissão organizadora, em conversa com o Avante!, revelam as novidades.
«A Bienal é a consequência de um grande trabalho de discussão no Partido, com vista a garantir a sua cada vez melhor qualidade, na diversidade das obras expostas», afirma Nuno Pedrosa, salientando que «não é só na Bienal que as artes plásticas estão representadas». «Por toda a Festa há muitas participações de artistas plásticos que, com o seu trabalho nas decorações, pinturas e concepções das estruturas dos pavilhões, enriquecem o evento», diz.
Este ano deu-se um salto qualitativo através de uma maior responsabilização das organizações regionais do Partido, e procurou-se ser mais rigoroso nas escolhas. Os temas dos trabalhos são livres. Pedro Penilo sublinha a necessidade de este espaço reflectir todas as formas artísticas que se enquadram nas artes plásticas.
Para garantir a pretendida diversidade, foram criados uma série de mecanismos, como por exemplo, a descentralização dos pontos de recolha das obras.
Mais e melhor diversidade
Como novidade, nesta edição, a selecção de trabalhos foi «descentralizada», de forma a tornar mais acessível a recolha das obras. A última edição da Bienal envolveu 150 autores com cerca de 300 obras. Além de uma lista com centenas de nomes de convidados, a organização pretende, este ano, alargar essa lista a nomes menos conhecidos do campo das artes, incluindo artistas jovens com trabalho consagrado. Por outro lado, estão endereçados convites a cinco instituições - escolas, com o propósito de enriquecer ainda mais a exposição.
Criaram-se seis centros de recolha e selecção de obras: o Centro de Trabalho da Boavista, no Porto; o CT Vitória, em Lisboa; e os CT’s de Setúbal, Évora, Coimbra e Faro. O júri da Bienal desloca-se a esses pontos de recolha onde faz a selecção localmente, evitando aos artistas o transporte das respectivas obras.
O arquitecto Filipe Dinis considera que «a qualidade cultural da Festa depende da iniciativa cultural do conjunto do Partido». Desde que se optou pelos pontos regionais de recolha de obras, informa, «a percentagem de obras seleccionadas fora da capital passou a ser superior ao número de obras seleccionadas em Lisboa, tendo aumentado o nível médio de qualidade dos trabalhos seleccionados».
Outro dos mecanismos adoptados prende-se com a diversificação das formas de apresentação das obras. Até aqui exigia-se que os concorrentes entregassem fisicamente a obra. Agora, os artistas podem apresentar as obras através de fotografias ou outro tipo de material documental que permita ao júri ter uma ideia da mesma.
O prazo de entrega das obras a concurso foi alargado até ao próximo dia 15 de Julho. Os trabalhos poderão ser entregues em qualquer dos pontos de recolha para o efeito. São eles: o Centro de Trabalho da Boavista, no Porto; o CT Vitória, em Lisboa; e os CT’s de Setúbal, Coimbra e Faro.
Combater a mercantilização da arte
Além das artes bidimensionais e tridimensionais, a pintura, a arquitectura, o desenho e a escultura, pretende-se dar espaço na Festa às «novas» artes digitais e audiovisuais.
Por outro lado, a comissão organizadora tem a preocupação de não compartimentar qualquer tipo de disciplinas, de forma a tratar todas as obras de forma igual. Todos os tipos de arte devem conviver no mesmo espaço com novas expressões, incluindo a performance (forma de arte moderna em que são os artistas a própria arte), salienta Pedro Penilo.
A exposição pretende também levar todos os visitantes «a uma reflexão política no seu sentido mais amplo», refere. Para este responsável, «o combate político é fundamental para esbater fronteiras entre as várias artes e as gerações de público que visitam a Festa e a exposição».
Felipe Dinis salienta a importância da exposição no contexto da Festa do Avante!: «o propósito é democratizar o acesso à arte, desempenhando assim um importante papel pedagógico». A Bienal vai continuar a ser um espaço onde muitas pessoas têm, pela primeira vez, possibilidade de contactar com as novas formas e expressões artísticas. Recordando que «vivemos numa sociedade que mercantiliza tudo, e até já faz cotações com os artistas», Felipe Dinis considera que, neste quadro, «a Bienal é uma excepção» por não ter regras de mercado, e por divulgar as mais variadas obras de artistas jovens que não poderiam estar presentes se os moldes do evento fossem mercantilistas. Particularmente importante é o facto de a Bienal ser o único sítio onde muitos jovens podem apresentar o seu trabalho.
Arquitectura em destaque
Estamos no Ano Nacional da Arquitectura, facto a que a Bienal não é alheia. Assim, este ano haverá um programa especial dedicado a esta vertente.
A Arquitectura sempre teve o seu espaço na exposição, com a participação de nomes conhecidos como Álvaro Siza Vieira ou o arquitecto brasileiro, Óscar Niemayer. Segundo Filipe Dinis, este ano pretende-se uma participação muito mais alargada de arquitectos convidados. A grande vantagem para estes arquitectos «é o facto de terem aqui um público muito mais amplo e diversificado». «Uma forte componente pedagógica do evento é ajudar o público a compreender a arquitectura e os materiais», refere. A organização pretende ajudar a compreender a arquitectura nas suas componentes artísticas e na sua funcionalidade. Dinis salienta também o facto de a arquitectura ser «uma componente fundamental» ao longo de toda a Festa, através da concepção de todos os pavilhões e espaços da Quinta da Atalaia. Exemplo disso foi a exposição, no ano passado, subordinada à arquitectura nas várias edições da Festa. «Neste aspecto, é um acontecimento impar, já que não existe conjunto de arquitecturas efémeras em tanta qualidade e quantidade como o que se regista neste evento, principalmente com a dimensão urbanística da Festa do Avante! e o seu carácter artístico e técnico», garante. «A própria arquitectura de todos os espaços é motivo de visita à Atalaia». «Há uma grande diversidade de soluções técnicas com um número muito reduzido de materiais: tubos, braçadeiras e chapas de madeira», salienta.
O futuro da Festa
A Lei do Financiamento dos Partidos Políticos, recentemente aprovada, mereceu comentários por parte dos organizadores da Bienal. Pedro Penilo diz não compreender «como existem pessoas que queimam as pestanas a tentar destruir a Festa». Recorda que a Festa já sofreu tentativas de destruição «tão ou mais perigosas do que esta» e, «se não o conseguiram, também não é agora que o vão conseguir», afirma. Embora considere que «a tentativa de estrangulamento da Festa pela via financeira envolve mais riscos», Felipe Dinis diz que esta é «mais uma forma de tentar atacar e silenciar o Partido, mas cá estaremos mais uma vez para o impedir».