E depois da guerra?
Já não é possível iludir por mais tempo as tremendas dificuldades com que se defrontam diariamente os povos do Iraque e do Afeganistão, a braços com carências de todo o tipo, depois da destruição de infra-estruturas e equipamentos básicos pelo exército dos EUA e seus aliados. Os serviços públicos essenciais estão desorganizados. Falta água. A electricidade falha com frequência. A segurança é mínima. Do que se pode observar nas imagens que chegam, sente-se que tudo está próximo do caos.
As dificuldades do exército invasor também crescem diariamente, apesar de não haver resquício das tão propaladas armas de destruição maciça. Sabe-se que, no Afeganistão, o poder imposto pelos americanos pouco controla, para além de Cabul. No Iraque, são as mortes diárias de soldados dos exércitos invasores, o que mostra que as imagens sobre saudações, nas primeiras horas, não passaram de meras encenações para europeu e americano verem.
Mas se em relação à invasão do Afeganistão a Administração Bush gozou de alguma complacência mundial, por estar muito próximo do 11 de Setembro, em relação ao Iraque não. As grandiosas manifestações de 15 de Fevereiro e as divulgações posteriores sobre as mentiras utilizadas para convencer gente de boa fé, estão hoje desmascaradas. Neste momento ninguém pode contestar que a invasão do Iraque e a sua ocupação actual pela coligação americano-britânica tinham objectivos de estratégia imperial de domínio da região e de controlo das suas riquezas, designadamente do petróleo. Os 150 mil homens que estão no terreno mostram-se cada vez mais incapazes de conseguir estabelecer uma «melhor relação com os iraquianos», como referem observadores internacionais.
Entretanto, no Reino Unido, a Comissão de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Comuns confirma o plágio, por Tony Blair, de um trabalho feito por um estudante americano, para justificar a existência de armas de destruição maciça no Iraque, que Saddam, supostamente, poderia utilizar em 45 minutos.
Embora, até ao momento, a utilização intensiva de armas de destruição maciça tenha sido feita exclusivamente pelas tropas da coligação americano-britânica, com os bombardeamentos durante Março/Abril passado no Iraque, (depois do Afeganistão em 2001 e da ex-Jugoslávia em 1998/99, para não falar das bombas atómicas, no Japão, na 2ª guerra mundial), Javier Solana, o Alto Representante para a Política Estrangeira e de Segurança Comum da UE, na sua comunicação ao Conselho Europeu de Salónica, de 20 de Junho passado, considera que a proliferação das armas de destruição maciça é a mais importante das ameaças à paz e à segurança entre as nações, referindo que o cenário mais assustador é a aquisição de armas de destruição maciça por parte de grupos terroristas. E daí parte para a descrição do papel activo da União Europeia na abordagem das ameaças constituídas pelo terrorismo, destacando:
- criação do mandado de detenção europeu;
- medidas de luta contra o financiamento do terrorismo;
- acordo de auxílio judiciário mútuo com os EUA;
- novo programa de acção que prevê o reforço da Agência Internacional de Energia Atómica;
- intervenção, em conjunto com Estados -Membros, nos Balcãs, no Afeganistão e em África.
Ou seja, mostra como, com o pretexto do combate ao terrorismo, se intensificaram medidas de controlo e reforço militares, já que os paraísos fiscais não acabaram. Mas do enunciado dessas medidas, Solana parte para a defesa de uma cultura estratégica que promova a intervenção precoce, rápida e enérgica, justificação que considera suficiente para criar uma Política Externa de Segurança Comum e de Política Europeia de Segurança na União Europeia.
A unidade de comando é a sua meta, seja em termos militares e diplomáticos, seja de informação, para o que requer mais meios financeiros para a defesa. Sublinhe-se que o objectivo da unidade de comando é actuar em conjunto com os EUA, considerando que «actuando em conjunto, a União Europeia e os EUA podem ser no mundo uma extraordinária força benéfica». Sê-lo-iam se o seu objectivo fosse apoiar o desenvolvimento, pôr fim à fome e, deste modo, evitar o terrorismo e construir a paz.
Mas com o que se está a passar no Iraque e no Afeganistão, alguém acredita? Todos sabem que os grandes beneficiários são os mesmos de sempre neste mundo capitalista: as multinacionais do petróleo e outras matérias primas energéticas, o poderoso império da indústria armamentista, os negócios das armas, da droga e do tráfico de seres humanos. Aliás, na Cimeira de Salónica, o Conselho decidiu já a criação, em 2004, de uma agência intergovernamental no domínio do desenvolvimento das capacidades de defesa, de investigação e da aquisição de armamento.
Assim, neste momento, a oposição aos propósitos da chamada constituição europeia, que prevê a criação da tal política externa e de segurança comum, é também uma luta contra uma nova política de blocos político-militares e pela defesa da paz.
As dificuldades do exército invasor também crescem diariamente, apesar de não haver resquício das tão propaladas armas de destruição maciça. Sabe-se que, no Afeganistão, o poder imposto pelos americanos pouco controla, para além de Cabul. No Iraque, são as mortes diárias de soldados dos exércitos invasores, o que mostra que as imagens sobre saudações, nas primeiras horas, não passaram de meras encenações para europeu e americano verem.
Mas se em relação à invasão do Afeganistão a Administração Bush gozou de alguma complacência mundial, por estar muito próximo do 11 de Setembro, em relação ao Iraque não. As grandiosas manifestações de 15 de Fevereiro e as divulgações posteriores sobre as mentiras utilizadas para convencer gente de boa fé, estão hoje desmascaradas. Neste momento ninguém pode contestar que a invasão do Iraque e a sua ocupação actual pela coligação americano-britânica tinham objectivos de estratégia imperial de domínio da região e de controlo das suas riquezas, designadamente do petróleo. Os 150 mil homens que estão no terreno mostram-se cada vez mais incapazes de conseguir estabelecer uma «melhor relação com os iraquianos», como referem observadores internacionais.
Entretanto, no Reino Unido, a Comissão de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Comuns confirma o plágio, por Tony Blair, de um trabalho feito por um estudante americano, para justificar a existência de armas de destruição maciça no Iraque, que Saddam, supostamente, poderia utilizar em 45 minutos.
Embora, até ao momento, a utilização intensiva de armas de destruição maciça tenha sido feita exclusivamente pelas tropas da coligação americano-britânica, com os bombardeamentos durante Março/Abril passado no Iraque, (depois do Afeganistão em 2001 e da ex-Jugoslávia em 1998/99, para não falar das bombas atómicas, no Japão, na 2ª guerra mundial), Javier Solana, o Alto Representante para a Política Estrangeira e de Segurança Comum da UE, na sua comunicação ao Conselho Europeu de Salónica, de 20 de Junho passado, considera que a proliferação das armas de destruição maciça é a mais importante das ameaças à paz e à segurança entre as nações, referindo que o cenário mais assustador é a aquisição de armas de destruição maciça por parte de grupos terroristas. E daí parte para a descrição do papel activo da União Europeia na abordagem das ameaças constituídas pelo terrorismo, destacando:
- criação do mandado de detenção europeu;
- medidas de luta contra o financiamento do terrorismo;
- acordo de auxílio judiciário mútuo com os EUA;
- novo programa de acção que prevê o reforço da Agência Internacional de Energia Atómica;
- intervenção, em conjunto com Estados -Membros, nos Balcãs, no Afeganistão e em África.
Ou seja, mostra como, com o pretexto do combate ao terrorismo, se intensificaram medidas de controlo e reforço militares, já que os paraísos fiscais não acabaram. Mas do enunciado dessas medidas, Solana parte para a defesa de uma cultura estratégica que promova a intervenção precoce, rápida e enérgica, justificação que considera suficiente para criar uma Política Externa de Segurança Comum e de Política Europeia de Segurança na União Europeia.
A unidade de comando é a sua meta, seja em termos militares e diplomáticos, seja de informação, para o que requer mais meios financeiros para a defesa. Sublinhe-se que o objectivo da unidade de comando é actuar em conjunto com os EUA, considerando que «actuando em conjunto, a União Europeia e os EUA podem ser no mundo uma extraordinária força benéfica». Sê-lo-iam se o seu objectivo fosse apoiar o desenvolvimento, pôr fim à fome e, deste modo, evitar o terrorismo e construir a paz.
Mas com o que se está a passar no Iraque e no Afeganistão, alguém acredita? Todos sabem que os grandes beneficiários são os mesmos de sempre neste mundo capitalista: as multinacionais do petróleo e outras matérias primas energéticas, o poderoso império da indústria armamentista, os negócios das armas, da droga e do tráfico de seres humanos. Aliás, na Cimeira de Salónica, o Conselho decidiu já a criação, em 2004, de uma agência intergovernamental no domínio do desenvolvimento das capacidades de defesa, de investigação e da aquisição de armamento.
Assim, neste momento, a oposição aos propósitos da chamada constituição europeia, que prevê a criação da tal política externa e de segurança comum, é também uma luta contra uma nova política de blocos político-militares e pela defesa da paz.