
- Nº 1716 (2006/10/19)
General britânico defende retirada
Europa
O chefe de Estado-Maior britânico surpreendeu tudo e todos ao defender a rápida retirada das tropas britânicas do território do Iraque. Segundo afirmou, a insegurança que se vive em todo o mundo está ligada à ocupação daquele país.
Numa entrevista publicada na sexta-feira, 13, no diário conservador, Daily Mail, o general Richard Dannatt, nomeado chefe de Estado-Maior em Agosto passado, acentuou as consequências nefastas da participação da Grã-Bretanha no conflito, as quais, sublinhou, traduzem-se numa exacerbação do terrorismo no mundo.
«Não digo que as dificuldades com que nos defrontamos no mundo decorram da nossa presença no Iraque, mas não há qualquer dúvida de que esta as exacerba», declarou o militar claramente em desacordo com as repetidas afirmações do primeiro-ministro, Tony Blair, para o qual a participação britânica na guerra do Iraque não tem qualquer relação com a escalada do extremismo islâmico na Grã-Bretanha.
O general foi ainda mais explícito garantindo que a presença do exército britânico no Iraque, onde já sofreu 119 baixas desde a invasão em 2003, deixou de ser tolerada naquele país. «Qualquer aceitação que tenhamos encontrado de início transformou-se em simples tolerância e depois amplamente em intolerância», explicou Richard Dannatt.
De resto, quanto aos resultados da aventura militar, este general manifesta igualmente as suas dúvidas. «A intenção inicial era instaurar uma democracia liberal, pró-ocidental e benéfica para a região. A História dirá se era uma esperança razoável ou ingénua. Não creio que estejamos a realizar esse objectivo. Devemos rever em baixa a nossa ambição».