Adeus, Independente!

Se não fosse o tão elevado número de funcionários, jornalistas ou não, que a queda do Independente arrasta, o seu fim passaria, provavelmente, ante a indiferença do mundo. Mas, pensando nos que ficaram sem trabalho, vimo-nos forçados a recuar no tempo e a pensar, também, naqueles e naquelas que trabalhavam em o diário e também foram, em boa parte, parar ao desemprego. Nessa altura, o Independente encontrou espaço para, pretendendo-se compreensivo das circunstâncias, nos lançar uma derradeira mas intensamente provocante saudação com um «Adeus, diário», que nunca esquecemos. O adeus que nos lançavam era a esperança de que o fim do belo jornal diário que os comunistas publicavam não passaria, afinal, de um princípio, o do fim do nosso combate e de tudo o que somos, continuamos e continuaremos a ser. Mas o Independente enganou-se. Apesar de termos tido de contemplar e ultrapassar o fim de o diário, a nossa luta prosseguiu numa conjuntura em que, agora, é o imperialismo que está a sofrer derrotas constantes tanto no campo da economia como no dos conflitos militares que a sua natureza agressiva provoca. Não estais a ver? O desmoronamento parece começar a anunciar-se.
Certamente, mesmo sem o Independente, não duvidamos de que a imprensa do capitalismo continuará a inglória batalha em que a vemos mergulhada, diariamente. Entretanto, com frequência se aponta a crise da imprensa. Mas é o capitalismo que está em crise. E o Independente, na fantasmagórica conjuntura que o envolveu, já nem merecia fazer parte da luta que os imperialistas desenvolvem para derrotar a crise. Talvez, até, seja possível que essa luta seja mais favorável aos que a travam, sem o Independente. A verdade é que o semanário que agora chegou ao fim dos seus dias, era uma amálgama de títulos sem significado, um jornal desinteressante, sem leitores, sem alma, sem ideal, sem patriotismo, sem capital. Não deixa saudades. Adeus, Independente! - Manoel de Lencastre


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