- Nº 1710 (2006/09/7)

Outros palcos, a nossa Festa

Festa do Avante!

Durante os três dias da Festa, outros palcos que não os dois principais - o 1.º de Maio e o 25 de Abril - foram cenário para mostras de música, debates e sessões de homenagem. Pelas ruas da Festa passaram ainda grupos de animação com destaque para os zé pereiras, os caretos, os ranchos e os grupos corais em desfile antes das actuações agendadas, e a percussão dos Tocá Rufar, iniciativas que atraíram as atenções dos visitantes proporcionando momentos de surpresa e descontracção.
Num espaço vizinho à Festa do Disco, o Palco Arraial foi cenário privilegiado para o folclore, as danças e cantares de todas as regiões do País. Quem lá foi não resistiu e entrou na dança, mesmo que a temperatura não convidasse a grandes passos.

No Palco de Setúbal, para além dos debates matinais de sábado e domingo, o programa musical foi diversificado proporcionando aos que por ali estavam a descansar, a conviver ou a tomar uma refeição, momentos de inteira descontracção. Das tunas académicas do distrito ao hip hop, passando pela música tradicional portuguesa e de intervenção, só não valia ficar indiferente.
Pelo Café-Concerto de Lisboa, decorado em homenagem a Fernando Lopes Graça e com pinceladas onde o traço Yellow Submarine se misturava com os 85 anos do PCP, passaram, entre outras, a música de intervenção do uruguaio Andrés Stagnaro, que trouxe a Portugal um disco de tributo a Zeca Afonso, e os ritmos experimentais dos mirandelenses Fadomorse.
No campo do debate, sábado discutiu-se a cultura, com Isabel Aboim Inglez, Manuel Augusto Araújo, Manuel Gusmão e Mário Jacques, e no domingo «O emprego nas profissões intelectuais», com Anabela Fino, André Levy, Cláudia Dias e Irene Sá.
Momentos igualmente altos neste espaço foram também a leitura encenada da obra «Cartas da Prisão», espectáculo organizado por André Levy, e a apresentação do mais recente número do «Caderno Vermelho».
A par desta iniciativa do Sector Intelectual de Lisboa do PCP, no ano em que completa 50 anos de carreira, foi promovida uma justa distinção ao actor e militante comunista Morais e Castro, vulto da cultura nacional e do combate pela liberdade e democracia, quer quando o fascismo amordaçava o povo português, quer na actual conjuntura de ataque às conquistas de Abril.