Outro caminho para a Saúde
O alerta sindical «Estamos todos em lista de espera» contém em si um apelo ao esclarecimento e à acção, com vista à mudança de política e à concretização de alternativas que, além do mais, estão comprovadas na prática.
As falhas e erros na Saúde têm responsáveis políticos e são conhecidos
«Com a privatização e o fim das carreiras, as listas de espera dos doentes vão aumentar, os médicos serão empurrados para o sector privado, onde também não têm carreira profissional, e os custos vão crescer, porque o Estado vai pagar a terceiros os serviços que está a eliminar no sector público» – prevê Pilar Vicente, questionada sobre a provável evolução da situação no sector, caso prossiga a actual política.
Ainda não passaram 50 anos, lembra a médica comunista, sobre o tempo em que «os médicos não tinham formação, nem aprendizagem ao longo da profissão, com acompanhamento hierárquico, para melhorar a sua actuação». Além de não haver uma estrutura orgânica de formação, depois de terminados os cursos de Medicina, também «não existia uma rede de Saúde e os clínicos gerais faziam um pouco de tudo».
Pilar Vicente admite que os responsáveis governamentais «não têm coragem para dizer que querem acabar com as carreiras médicas», mas recusaram uma proposta da FNAM no sentido de que houvesse uma equiparação entre as condições dos jovens médicos, em regime de contrato individual de trabalho e sem evolução além do nível de assistente, e as condições que vigoram no serviço público.
Devido ao numerus clausus imposto às faculdades de Medicina, este problema afectará hoje algumas centenas de médicos. No entanto, realça Pilar Vicente, estes profissionais «não podem estar sem evolução», pois serão eles quem vai substituir «a actual classe médica, evoluída e prestigiada, aos melhores níveis internacionais».
Menos custos
e mais resultados
Face ao problema, repetidamente levantado por sucessivos governos e ministros, das despesas do Estado com a Saúde dos portugueses, Pilar Vicente afirma que «as carreiras médicas não encarecem o Serviço Nacional de Saúde», até porque, «em termos salariais, os médicos estão remunerados abaixo de todos os outros» profissionais da Administração Pública, com idênticas qualificações.
«Um bom exercício da Medicina tem menos custos para o País», contrapõe a dirigente, lembrando que o Partido «sempre tem defendido que países com menos dinheiro devem investir na prevenção da doença e nos cuidados primários, com bons profissionais no serviço público». Isto, como se pode ver pelos lugares cimeiros que o SNS tem ocupado nas estatísticas internacionais, será «uma garantia para a saúde da população e para a economia do País», enquanto a política inversa «está a limitar o acesso» dos portugueses aos cuidados de Saúde. Com o aumento das taxas e com a concentração de serviços, «reduz-se a capacidade de resposta do SNS e aumenta-se o número de pessoas que, desde que tenham capacidade económica, optam pela Medicina privada», acusa Pilar Vicente.
Importantes prejuízos para a gestão e planificação dos serviços de Saúde, como também recordou Alina de Sousa, trazem os elevados níveis de precariedade de emprego dos enfermeiros. «Os contratados a termo levam muito tempo a integrarem-se no trabalho e, quando a integração está feita, mandam-nos embora e vêm outros, para começar de novo», conta a dirigente do SEP. Esta instabilidade «prejudica a segurança dos cuidados e a sua prestação em tempo útil», e afecta a satisfação e motivação dos profissionais, que de outra forma estariam mais motivados.
Ao fim de três décadas de políticas de direita na Saúde, «praticamente não existe Medicina preventiva, que é extremamente barata e eficaz»; entretanto, «o desinvestimento nos cuidados primários leva as pessoas a recorrerem aos hospitais, o que é mais caro» para o Estado. Mas, frisa a dirigente sindical e do Partido, «isto é responsabilidade política».
A mesma observação se aplica ao estado actual da rede hospitalar, que deveria estar melhor distribuída na geografia do País e mais de acordo com as necessidades da população, a funcionar como verdadeira rede na organização e troca de informações entre os vários hospitais e com os cuidados primários. Mas, cabendo a correcção dos defeitos na mudança política almejada, Pilar Vicente deixa um aviso: «Se alguma vez conseguissem acabar com o Serviço Nacional de Saúde, seria muito difícil voltar a criá-lo».
Ainda não passaram 50 anos, lembra a médica comunista, sobre o tempo em que «os médicos não tinham formação, nem aprendizagem ao longo da profissão, com acompanhamento hierárquico, para melhorar a sua actuação». Além de não haver uma estrutura orgânica de formação, depois de terminados os cursos de Medicina, também «não existia uma rede de Saúde e os clínicos gerais faziam um pouco de tudo».
Pilar Vicente admite que os responsáveis governamentais «não têm coragem para dizer que querem acabar com as carreiras médicas», mas recusaram uma proposta da FNAM no sentido de que houvesse uma equiparação entre as condições dos jovens médicos, em regime de contrato individual de trabalho e sem evolução além do nível de assistente, e as condições que vigoram no serviço público.
Devido ao numerus clausus imposto às faculdades de Medicina, este problema afectará hoje algumas centenas de médicos. No entanto, realça Pilar Vicente, estes profissionais «não podem estar sem evolução», pois serão eles quem vai substituir «a actual classe médica, evoluída e prestigiada, aos melhores níveis internacionais».
Menos custos
e mais resultados
Face ao problema, repetidamente levantado por sucessivos governos e ministros, das despesas do Estado com a Saúde dos portugueses, Pilar Vicente afirma que «as carreiras médicas não encarecem o Serviço Nacional de Saúde», até porque, «em termos salariais, os médicos estão remunerados abaixo de todos os outros» profissionais da Administração Pública, com idênticas qualificações.
«Um bom exercício da Medicina tem menos custos para o País», contrapõe a dirigente, lembrando que o Partido «sempre tem defendido que países com menos dinheiro devem investir na prevenção da doença e nos cuidados primários, com bons profissionais no serviço público». Isto, como se pode ver pelos lugares cimeiros que o SNS tem ocupado nas estatísticas internacionais, será «uma garantia para a saúde da população e para a economia do País», enquanto a política inversa «está a limitar o acesso» dos portugueses aos cuidados de Saúde. Com o aumento das taxas e com a concentração de serviços, «reduz-se a capacidade de resposta do SNS e aumenta-se o número de pessoas que, desde que tenham capacidade económica, optam pela Medicina privada», acusa Pilar Vicente.
Importantes prejuízos para a gestão e planificação dos serviços de Saúde, como também recordou Alina de Sousa, trazem os elevados níveis de precariedade de emprego dos enfermeiros. «Os contratados a termo levam muito tempo a integrarem-se no trabalho e, quando a integração está feita, mandam-nos embora e vêm outros, para começar de novo», conta a dirigente do SEP. Esta instabilidade «prejudica a segurança dos cuidados e a sua prestação em tempo útil», e afecta a satisfação e motivação dos profissionais, que de outra forma estariam mais motivados.
Ao fim de três décadas de políticas de direita na Saúde, «praticamente não existe Medicina preventiva, que é extremamente barata e eficaz»; entretanto, «o desinvestimento nos cuidados primários leva as pessoas a recorrerem aos hospitais, o que é mais caro» para o Estado. Mas, frisa a dirigente sindical e do Partido, «isto é responsabilidade política».
A mesma observação se aplica ao estado actual da rede hospitalar, que deveria estar melhor distribuída na geografia do País e mais de acordo com as necessidades da população, a funcionar como verdadeira rede na organização e troca de informações entre os vários hospitais e com os cuidados primários. Mas, cabendo a correcção dos defeitos na mudança política almejada, Pilar Vicente deixa um aviso: «Se alguma vez conseguissem acabar com o Serviço Nacional de Saúde, seria muito difícil voltar a criá-lo».