No atoleiro de Brunete
Perdido o Norte, as autoridades militares republicanas prepararam-se para tentar conseguir a iniciativa noutras áreas. Miaja, preparou as suas tropas. O 5.º Corpo de Exército (Modesto) tinha as melhores divisões (Líster, ‘El Campesino’, Walter, nome de um oficial alemão da 11.ª Brigada Internacional), esperando-se que outras formações também importantes como as divisões de Jurado, Enciso e ‘Gal’, se lhe juntassem ainda que em movimentos secundários. O objectivo central consistia em tentar cortar a retaguarda do exército franquista a Sul de Madrid e impedir que Franco se lançasse contra Santander para evitar a dispersão de forças numa luta simultânea em duas frentes.
As 1ª e 2ª partes deste trabalho constam das edições anteriores do Avante! (números 1704 e 1705).
Indalecio Prieto e Dolores Ibarruri, a famosa ‘La Pasionária’, tinham feito vibrantes apelos às tropas republicanas e a 6 de Julho, finalmente, a 11.ª divisão (Líster) lançava o seu ataque para, em poucas horas, conseguir uma penetração de dez quilómetros em território inimigo e sitiar a povoação de Brunete. As operações militares desenrolaram-se numa área que envolvia as povoações de Villanueva del Pardillo, Villanueva de la Cañada, Villafranca del Castillo, Boadilla. Mas, após uma semana de combates, a brecha aberta pelas tropas republicanas não ia além de, apenas, doze quilómetros de profundidade e quinze de largura. Em Boadilla, os franquistas resistiam. Líster estava a três quilómetros a Sul de Brunete. O 2.º batalhão da 15.ª Brigada Internacional (britânicos) tinha sofrido baixas consideráveis.
Franco,cujo quartel-general não estava longe da zona de batalha, recuperara a superioridade nos ares devido à chegada de novos ‘Messerschmitt-109’ e ‘Heinkel-111’, o que lhe permitia ordenar uma contra-ofensiva precedida de algumas horas de bombardeio de preparação (24.07.1937). De facto, nessa manhã, o contra-ataque surgiu contra Brunete que seria tomada após violentos combates casa a casa desenrolados durante toda a manhã desse dia. Mas, enquanto Miaja tinha de optar por ordenar a retirada das suas forças e cortar as atrozes baixas sustentadas, Franco, agora, podia sair do atoleiro de Brunete e começar a pensar, de novo, em Santander. Do lado republicano, as perdas ultrapassaram os vinte mil homens e os 100 aviões. Os franquistas teriam perdido 10 000 homens, pelo menos, e 25 aviões.
A ofensiva de Aragão
Belchite, a Sul de Huesca e Saragoça, era o novo objectivo do governo e do exército republicanos cujas ilusões quanto à sorte de Santander se tinham perdido desde a queda de Bilbao. Agora, a 24 de Agosto de 1937, o general Pozas Perea tinha sob o seu comando quase todas os principais contingentes de tropas que haviam conseguido sobreviver em Brunete. Lançava-se, assim, na chamada ofensiva de Aragão. Do lado franquista, o general Miguel Ponte comandava Saragoça, o general Urrutia estava em Huesca e o general Muñoz Castellanos em Teruel. O ataque principal das forças republicanas entrou nas linhas franquistas entre Belchite e Quinto. Do outro lado do Ebro, uma operação secundária levava à ocupação de Zára e chegava a Villanueva de Gallego. As unidades republicanas mais avançadas estavam, já, a trinta quilómetros de Saragoça e chegara o momento, portanto, de entrarem em acção as formações motorizadas. Perante o perigo evidente, os franquistas fizeram deslocar as suas 13.ª e 150.ª divisões (Barrón y Ortiz e Saenz de Buruaga) para evitar o corte completo das comunicações com Saragoça, o que conseguiram.
Também em toda esta zona os republicanos começaram a ceder. As chamadas divisões de elite (Líster, Walter e ‘El Campesino’) sofriam perdas constantes em combates por pequenas posições contra zonas fortificadas onde o calor e a sede se faziam sentir, mas defendidas profissionalmente. Em breve (06.09.1937), Belchite capitulava e os republicanos passavam à defensiva. As operações cessariam, completamente, quando um desesperado ataque de Líster, empregando carros de combate contra a povoação de Fuentes del Ebro falhou. Para onde iam, agora, os exércitos republicanos? Para onde ia o governo de Valência? A Espanha anti-fascista tinha tudo e todos contra si com excepção da URSS e, no campo diplomático, do México. Milhares de homens vagueavam em áreas à retaguarda das linhas franquistas, principalmente após a queda de Santander. O mesmo sucedia, agora, depois das derrotas de Brunete e Belchite. Mas, para tirar partido das condições e do potencial da Catalunha, o governo de Negrin, a 31 de Outubro, mudava-se para Barcelona.
Drama em Barcelona
Cenário de incríveis acontecimentos durante os primeiros meses do ano, a capital da Catalunha sofria ataques aéreos cada vez mais poderosos por parte da aviação italiana com base em Maiorca. Esses bombardeamentos intensificaram-se em Dezembro de 1937. Em Janeiro de 1938, a entrada em operações de novos modelos de aviões permitiu aos fascistas aumentar, ainda mais, a sua temível presença nos céus da cidade. Mas tornava-se claro, também, o aparecimento de numerosas unidades do exército franquista, que se haviam concentrado diante de Guadalajara, o que fazia prever que estava em preparação um novo ataque à zona de Madrid. Se assim acontecesse ficaria, novamente, provada a conhecida reserva de Franco quanto a um ataque a Barcelona. O ‘generalíssimo’ entendia que a Catalunha, como centro principal da resistência republicana, jamais se renderia e desejaria, portanto, evitar levar a guerra ao país de Gaudi onde sofreria perdas inaceitáveis.
Já nos dias fatais de 3 a 7 de Maio (1937) o poder do Estado republicano e da ‘Generalitat’ tinha sido violentamente contestado pelos anarco-sindicalistas em sangrentos combates de ruas quando os esquerdistas do POUM (Partido Obrero de Unificacion Marxista), devorados pela incompreensível convicção de que para ganhar a guerra seria preciso fazer a revolução antes, combateram os comunistas por quase toda a cidade. Este clima de autêntica alucinação só conheceria algum apaziguamento com a derrota do POUM, a dissolução desse partido e a prisão dos respectivos dirigentes (16.06.1937), e, também, com a demissão do esgotado Largo Caballero e a nomeação do governo de Negrín, com Prieto na pasta da Defesa, pacientemente negociado entre os partidos. De Caballero, dizia-se que tinha lido Lenine. A sua prática política, no entanto, não o demonstrava. Agora, como acima se diz, o próprio governo da República espanhola instalava-se na Catalunha proclamando que o ano de 1938 seria o da vitória.
Morte em Teruel
A ofensiva sobre Teruel servia bem os interesses da propaganda do governo, após Brunete e Belchite. Assim, a 15 de Dezembro (1937), pela manhã, a divisão de Líster entrava na povoação de Concud e cortava a estrada de ligação com Saragoça e Teruel. Mas o defensor franquista desta praça, o coronel Rey d’Arcourt, com um efectivo de dois mil homens, refugiara-se nos edifícios do convento de Santa Clara, do Banco de Espanha, do Governo Civil e do seminário. Tinha ordens para defender Teruel e entendia cumpri-las. Franco, não hesitou e ordenou ao general Dávila que suspendesse os planos em curso para o ataque a Guadalajara e corresse a salvar Teruel. No dia de Natal, os generais Varela e Aranda, apoiados por 296 canhões e pela aviação germânica, entravam em manobras, tentando levar os republicanos à conclusão de que preparavam um ataque às regiões do Levante. Mas estes, dominados por uma estranha obcecação relativamente a Teruel, ignoraram-nos e fizeram avançar o 5.º Corpo de Exército (Modesto). A pequena cidade cairia a 8 de Janeiro e a respectiva guarnição franquista estava morta quando lá entraram os chefes republicanos. Mas os exércitos de Aranda e Varela não andavam longe e não tinham sido vencidos. Pelo contrário, contra-atacavam, a 17 de Fevereiro, em direcção ao rio Alfambra numa zona onde a presença de tropas republicanas não parecia forte. Em dois dias de luta, os franquistas acabariam por romper a frente oposta em, pelo menos, três pontos. Yague, com o exército de África (mouros e legionários) avançaram, rapidamente, ameaçando as comunicações por estrada e por via ferroviária com Valência. No campo governamental, a confusão estabeleceu-se. Perdiam-se enormes quantidades de material e equipamento. Oito mil prisioneiros. Cerca de dez mil feridos e mortos. Em fuga, milhares de homens. Mas a aviação franquista perseguia-os e metralhava-os sem piedade. A 22 de Fevereiro de 1938, voltavam à posse dos fascistas tanto Teruel como toda a zona do Alfambra.
Na estrada do fim
Confiantes em que o desenrolar dos acontecimentos os levaria à vitória, os franquistas constituíram um governo que, sob a direcção do próprio Franco, administrasse o país já conquistado e se preparasse para governar nos territórios ainda sob o controlo da República. Assim, o conde general Gomez Jordana y Sousa, assumia a vice-presidência desse governo e a pasta dos Estrangeiros, o general Dávila era nomeado ministro da Guerra, o general Martinez Anido, um dos mais cruéis falangistas, era feito ministro da Ordem Pública. Os ministros civis eram Andrés Amado (Finanças), Juan António Suances (Comércio e Indústria), o carlista, conde Rodezno (Justiça), Sainz Rodriguez (Educação Nacional), Fernandez Cuesta (Agricultura) e Pedro Gonzalez Bueno (Trabalho). Como secretário-geral da Falange e ministro do Interior, Serrano Suñer, tornava-se no homem mais poderoso desta equipa governamental que se transferia para Burgos, com a excepção evidente de Francisco Franco.
Os acontecimentos de Teruel, inevitavelmente, colocavam Indalécio Prieto numa quase impossível situação. Agora, ao contrário do campo franquista que se unia na formação de um governo e na quase certeza na vitória final, o governo da República resvalava na estrada dos desacordos, das acusações, de todos os pessimismos. Desenhou-se uma campanha para afastar Prieto do governo. Palmiro Togliatti era quem mais agitava em tal sentido. Segundo o secretário do ‘Komintern’, então no cargo de Comissário Político em Espanha, o Ministério da Defesa deveria ser assumido pelo próprio presidente do Conselho de Ministros, Negrin. E foi esta orientação que prevaleceu ainda que Negrin declarasse que não poderia trabalhar sem os comunistas e sem Prieto a seu lado. Este, tinha-se convencido de que só um acordo de paz entre as partes em conflito salvaria a Espanha. O seu enraizado pessimismo levava-o a trabalhar para conseguir esse acordo. Mas o país de Miguel Cervantes e, com ele, todos os incontáveis protagonistas do drama espanhol, caminhavam, já, na estrada da inevitabilidade rumo à tragédia.
O exército do Ebro
Com efeito, Franco, já se preparava para atacar em Aragão com um largo exército de que os comandantes principais eram os generais Vigon, Solchaga, Moscardó, Yague, Aranda e Dávila que, apesar de ministro, mantinha os comandos militares em que estava investido. Yague avançava ao longo da margem direita do Ebro. A 10 de Março de 1938, Solchaga e as suas tropas navarras entravam em Belchite, então, nada mais do que uma cidade fantasma. A 16, os generais fascistas, Barrón, Muñoz Grandes, que comandaria a ‘Divisão Azul’ inimiga na Guerra Patriótica da URSS em 1941-42, e Bautista Sanchez achavam-se perto de Caspe onde supunham poder encontrar e aprisionar o coronel Rojo, chefe do Estado-Maior central republicano, o que não conseguiram. Mas a cidade seria tomada no dia seguinte, apesar da resistência feroz da 15.ª Brigada Internacional. Gradualmente, o avanço das diversas forças franquistas levava-as a cada vez mais perto do Mediterrâneo. A 29, ‘El Campesino’ cujo nome era Valentin Gonzalez, resistia, heroicamente, na defesa de Lérida. Mas onde a luta ganhava proporções mais dramáticas era no seio do próprio governo republicano. Aí, a saída de Prieto do Ministério da Defesa ia consumar-se ao salientar, Negrin, ‘a sua convincente eloquência, e os seus modos patéticos que desmoralizavam os colegas de governo’. Entretanto, Lérida e Gandesa tombavam nas mãos dos franquistas, a 3 de Abril. As tropas de Aranda chegavam, agora, à vista do Mediterrâneo. Mas os caminhos para Valência, que ‘El Cid’ conquistara em 1094, continuavam interditos à sede franquista de vir a subjugá-la.
A 5 de Julho, o exército franquista assume-se no desejo de marchar sobre Valência. Varela, saía de Teruel com três divisões italianas (Berti) mais os navarros de Solchaga. Face a esta realidade, Negrin preveniria o Comité de Guerra da República de que tanto Valência como Sagonte estariam perdidas caso não se organizasse, rapidamente, uma adequada manobra de diversão. Rojo, o chefe do Estado-Maior central, propôs que se forçasse a passagem do Ebro em diversos pontos, simultaneamente, com dois objectivos: semear a confusão nas comunicações dos franquistas entre o Levante e a Catalunha e restabelecer a ligação de Barcelona com os territórios republicanos do Sul. Nascia, assim, o exército do Ebro cujo comando se confiaria a Modesto (Juan Guilloto) cuja preparação militar vinha dos cursos da Academia Frunze, na URSS. Este exército incorporaria, o 5.º corpo, de Lister (Henrique) assim como o 15.º, de Tagueña, o antigo chefe das ‘Patrulhas do Amanhecer’ e dirigente principal dos estudantes comunistas da Universidade de Madrid. Nesta nova formação militar, todos os comandantes eram comunistas.
A batalha do Ebro
Na geografia espanhola de Julho de 1938, a República dividia-se em dois territórios. A Norte, o primeiro desses territórios compreendia metade da província de Lérida, a de Gerona, a de Barcelona e a parte Norte da província de Tarragona. A Sul, a província de Madrid, incorporando a capital, as de Cuenca, Valência, Albacete, Alicante, Múrcia, Almería, Granada (em parte), Jaén, Córdova (em parte) e Ciudad Real. O exército do Ebro tinha 100 000 homens, 70 baterias de artilharia de campanha, 27 peças de artilharia contra-aeronaves. A travessia do Ebro, o segundo rio ibérico depois do Tejo, realizou-se durante a noite de 24 para 25 de Julho e a primeira unidade a cumprir essa missão foi, simbolicamente, o batalhão Hans Beimler da 11.ª Brigada Internacional. Do lado franquista, a surpresa foi completa. No fim de 18 horas de combates, Líster tinha avançado em 40 quilómetros e quase aparecia próximo de Gandesa. O comando fascista, entretanto, recompondo-se do inesperado, chamou reforços. Sem perder tempo, Franco enviou para a zona as divisões Barron, Galera, Delgado Serrano, Rada, Alonso Vega, Árias e Castejon. Seria nas imediações de Gandesa que o encontro entre os dois exércitos se verificaria com mais brutalidade.
Na canícula do primeiro dia de Agosto, a 15.ª Brigada Internacional atacou. Mas, a 2, os franquistas, apesar das pesadas baixas sustentadas, tinham conseguido conter a progressão conseguindo manter-se na posse de Villalba de los Arcos e de Gandesa. Dos ares, surgia a aviação alemã e italiana bombardeando de grandes altitudes, em voos picados ou rasantes. A disciplina das tropas republicanas, entretanto, operava milagres. ‘A artilharia conquistava terreno, a infantaria ocupava-o’ – esta era a máxima que tanto Líster como Tagueña, empregavam para incitar os seus homens. A 6 e 7, o contra-ataque franquista, por Delgado Serrano, começou a desenvolver-se. A 11, Alonso Vega e Galera forçavam Líster ao abandono de posições conquistadas na Serra de Pandols e nos montes de Santa Madalena, o que viria a verificar-se a 14. A 19, Yague juntava-se ao contra-ataque e, a 3 de Setembro, operava-se a junção das suas tropas com as de Garcia Valiño, que chegava do Levante. Estas acções das tropas franquistas apresentavam resultados relativamente rápidos fazendo perder aos republicanos grande parte do território vasto que, beneficiando da surpresa da sua ofensiva, tinham conquistado.
O isolamento da URSS
A complexa situação internacional criada em consequência da questão checoslovaca, começava a prejudicar a causa republicana em Espanha. Se as nações ditas democráticas, a Grã-Bretanha e a França, principalmente, nada fariam pela Checoslováquia, seria de esperar, igualmente, que não alterassem a sua política de neutralidade hipócrita e dúbia relativamente à República espanhola. Por outro lado, as complexas circunstâncias do momento, levavam a URSS a considerar a adopção de posições de menos aberto comprometimento na Guerra Civil de Espanha. As potências ‘democráticas’, na eterna esperança de que a Alemanha hitleriana acabaria por se lançar contra a pátria dos sovietes, rejeitavam, uma após outra, todas as propostas do Kremlin para que se unissem contra o nazismo. Mas, tanto a França como a Grã-Bretanha fugiam dessas propostas como o diabo foge da cruz. Isolada, a URSS, portanto, teve de considerar a sua própria posição e, consequentemente, abrandou os fornecimentos de material de guerra à Espanha republicana e mártir e aconselhou a saída das Brigadas Internacionais do território espanhol. Os célebres acordos de Munique seriam assinados por Neville Chamberlain, Edouard Daladier, Adolf Hitler e Benito Mussolini, na noite de 29 para 30 de Setembro de 1938.
Entretanto, a batalha do Ebro prosseguia. A 30 de Outubro, a contra-ofensiva franquista ganhava proporções de grande movimento militar. Nesse dia, os ataques da artilharia anti-republicana começaram às três da madrugada com 175 baterias em operações enquanto, nos céus, mais de 100 aviões sujeitavam as posições governamentais a um bombardeamento ininterrupto. Garcia Valiño avançava em direcção à margem direita do Ebro. Por seu lado, a 1.ª divisão de tropas navarras reocupava, clinicamente, todas as posições abandonadas pelos republicanos, incluindo a zona montanhosa dos Caballs, em fuga às bombas da aviação. Os Caballs, com 19 posições fortificadas, dominavam a região e tinham permitido aos republicanos um certo controlo dos acontecimentos. Mas, a 3 de Novembro, a ocupação dos altos dos Pandols através de uma impetuosa ofensiva das tropas de Galera, deixava os franquistas na povoação de Pinell e, efectivamente, na margem do Ebro. No sector central das operações de contra-ataque franquista, os republicanos perdiam o Monte Picosa, e Líster, então, ordenou a retirada. A 18, os últimos elementos do exército do Ebro, que parecera destinado a grandes vitórias, abandonavam a margem direita do rio.
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Obras consultadas:
‘La Guerra Militar de España’, (Gabriel Cardona, Fernando Fernandez Bastarreche, Manuel Tuñon de Lara, José Luís Alcofar, Ramon Salas Larrazábal), em 5 volumes, Madrid 1996; ‘A Casa de Eulália’, de Manuel Tiago, Edições Avante!, Lisboa, 1997;
‘Causas de la Guerra de España’, de Manuel Azaña, Barcelona, 1986; ‘Franco’, de Luís Ramirez, Edições François Maspero, Paris, 1965; ‘Les Communistes en Espagne’ de Guy Hermet, Edição de Armand Colin, Paris 1971; ‘España Heróica!’, general Vicente Rojo, Buenos Aires, 1942; ‘História Militar de la Guerra de España’, Manuel Aznar, Madrid 1940; ‘L’Epopée de l’Espagne – Brigades Internationales 1936-38’, Paris 1956; entre outras.
Franco,cujo quartel-general não estava longe da zona de batalha, recuperara a superioridade nos ares devido à chegada de novos ‘Messerschmitt-109’ e ‘Heinkel-111’, o que lhe permitia ordenar uma contra-ofensiva precedida de algumas horas de bombardeio de preparação (24.07.1937). De facto, nessa manhã, o contra-ataque surgiu contra Brunete que seria tomada após violentos combates casa a casa desenrolados durante toda a manhã desse dia. Mas, enquanto Miaja tinha de optar por ordenar a retirada das suas forças e cortar as atrozes baixas sustentadas, Franco, agora, podia sair do atoleiro de Brunete e começar a pensar, de novo, em Santander. Do lado republicano, as perdas ultrapassaram os vinte mil homens e os 100 aviões. Os franquistas teriam perdido 10 000 homens, pelo menos, e 25 aviões.
A ofensiva de Aragão
Belchite, a Sul de Huesca e Saragoça, era o novo objectivo do governo e do exército republicanos cujas ilusões quanto à sorte de Santander se tinham perdido desde a queda de Bilbao. Agora, a 24 de Agosto de 1937, o general Pozas Perea tinha sob o seu comando quase todas os principais contingentes de tropas que haviam conseguido sobreviver em Brunete. Lançava-se, assim, na chamada ofensiva de Aragão. Do lado franquista, o general Miguel Ponte comandava Saragoça, o general Urrutia estava em Huesca e o general Muñoz Castellanos em Teruel. O ataque principal das forças republicanas entrou nas linhas franquistas entre Belchite e Quinto. Do outro lado do Ebro, uma operação secundária levava à ocupação de Zára e chegava a Villanueva de Gallego. As unidades republicanas mais avançadas estavam, já, a trinta quilómetros de Saragoça e chegara o momento, portanto, de entrarem em acção as formações motorizadas. Perante o perigo evidente, os franquistas fizeram deslocar as suas 13.ª e 150.ª divisões (Barrón y Ortiz e Saenz de Buruaga) para evitar o corte completo das comunicações com Saragoça, o que conseguiram.
Também em toda esta zona os republicanos começaram a ceder. As chamadas divisões de elite (Líster, Walter e ‘El Campesino’) sofriam perdas constantes em combates por pequenas posições contra zonas fortificadas onde o calor e a sede se faziam sentir, mas defendidas profissionalmente. Em breve (06.09.1937), Belchite capitulava e os republicanos passavam à defensiva. As operações cessariam, completamente, quando um desesperado ataque de Líster, empregando carros de combate contra a povoação de Fuentes del Ebro falhou. Para onde iam, agora, os exércitos republicanos? Para onde ia o governo de Valência? A Espanha anti-fascista tinha tudo e todos contra si com excepção da URSS e, no campo diplomático, do México. Milhares de homens vagueavam em áreas à retaguarda das linhas franquistas, principalmente após a queda de Santander. O mesmo sucedia, agora, depois das derrotas de Brunete e Belchite. Mas, para tirar partido das condições e do potencial da Catalunha, o governo de Negrin, a 31 de Outubro, mudava-se para Barcelona.
Drama em Barcelona
Cenário de incríveis acontecimentos durante os primeiros meses do ano, a capital da Catalunha sofria ataques aéreos cada vez mais poderosos por parte da aviação italiana com base em Maiorca. Esses bombardeamentos intensificaram-se em Dezembro de 1937. Em Janeiro de 1938, a entrada em operações de novos modelos de aviões permitiu aos fascistas aumentar, ainda mais, a sua temível presença nos céus da cidade. Mas tornava-se claro, também, o aparecimento de numerosas unidades do exército franquista, que se haviam concentrado diante de Guadalajara, o que fazia prever que estava em preparação um novo ataque à zona de Madrid. Se assim acontecesse ficaria, novamente, provada a conhecida reserva de Franco quanto a um ataque a Barcelona. O ‘generalíssimo’ entendia que a Catalunha, como centro principal da resistência republicana, jamais se renderia e desejaria, portanto, evitar levar a guerra ao país de Gaudi onde sofreria perdas inaceitáveis.
Já nos dias fatais de 3 a 7 de Maio (1937) o poder do Estado republicano e da ‘Generalitat’ tinha sido violentamente contestado pelos anarco-sindicalistas em sangrentos combates de ruas quando os esquerdistas do POUM (Partido Obrero de Unificacion Marxista), devorados pela incompreensível convicção de que para ganhar a guerra seria preciso fazer a revolução antes, combateram os comunistas por quase toda a cidade. Este clima de autêntica alucinação só conheceria algum apaziguamento com a derrota do POUM, a dissolução desse partido e a prisão dos respectivos dirigentes (16.06.1937), e, também, com a demissão do esgotado Largo Caballero e a nomeação do governo de Negrín, com Prieto na pasta da Defesa, pacientemente negociado entre os partidos. De Caballero, dizia-se que tinha lido Lenine. A sua prática política, no entanto, não o demonstrava. Agora, como acima se diz, o próprio governo da República espanhola instalava-se na Catalunha proclamando que o ano de 1938 seria o da vitória.
Morte em Teruel
A ofensiva sobre Teruel servia bem os interesses da propaganda do governo, após Brunete e Belchite. Assim, a 15 de Dezembro (1937), pela manhã, a divisão de Líster entrava na povoação de Concud e cortava a estrada de ligação com Saragoça e Teruel. Mas o defensor franquista desta praça, o coronel Rey d’Arcourt, com um efectivo de dois mil homens, refugiara-se nos edifícios do convento de Santa Clara, do Banco de Espanha, do Governo Civil e do seminário. Tinha ordens para defender Teruel e entendia cumpri-las. Franco, não hesitou e ordenou ao general Dávila que suspendesse os planos em curso para o ataque a Guadalajara e corresse a salvar Teruel. No dia de Natal, os generais Varela e Aranda, apoiados por 296 canhões e pela aviação germânica, entravam em manobras, tentando levar os republicanos à conclusão de que preparavam um ataque às regiões do Levante. Mas estes, dominados por uma estranha obcecação relativamente a Teruel, ignoraram-nos e fizeram avançar o 5.º Corpo de Exército (Modesto). A pequena cidade cairia a 8 de Janeiro e a respectiva guarnição franquista estava morta quando lá entraram os chefes republicanos. Mas os exércitos de Aranda e Varela não andavam longe e não tinham sido vencidos. Pelo contrário, contra-atacavam, a 17 de Fevereiro, em direcção ao rio Alfambra numa zona onde a presença de tropas republicanas não parecia forte. Em dois dias de luta, os franquistas acabariam por romper a frente oposta em, pelo menos, três pontos. Yague, com o exército de África (mouros e legionários) avançaram, rapidamente, ameaçando as comunicações por estrada e por via ferroviária com Valência. No campo governamental, a confusão estabeleceu-se. Perdiam-se enormes quantidades de material e equipamento. Oito mil prisioneiros. Cerca de dez mil feridos e mortos. Em fuga, milhares de homens. Mas a aviação franquista perseguia-os e metralhava-os sem piedade. A 22 de Fevereiro de 1938, voltavam à posse dos fascistas tanto Teruel como toda a zona do Alfambra.
Na estrada do fim
Confiantes em que o desenrolar dos acontecimentos os levaria à vitória, os franquistas constituíram um governo que, sob a direcção do próprio Franco, administrasse o país já conquistado e se preparasse para governar nos territórios ainda sob o controlo da República. Assim, o conde general Gomez Jordana y Sousa, assumia a vice-presidência desse governo e a pasta dos Estrangeiros, o general Dávila era nomeado ministro da Guerra, o general Martinez Anido, um dos mais cruéis falangistas, era feito ministro da Ordem Pública. Os ministros civis eram Andrés Amado (Finanças), Juan António Suances (Comércio e Indústria), o carlista, conde Rodezno (Justiça), Sainz Rodriguez (Educação Nacional), Fernandez Cuesta (Agricultura) e Pedro Gonzalez Bueno (Trabalho). Como secretário-geral da Falange e ministro do Interior, Serrano Suñer, tornava-se no homem mais poderoso desta equipa governamental que se transferia para Burgos, com a excepção evidente de Francisco Franco.
Os acontecimentos de Teruel, inevitavelmente, colocavam Indalécio Prieto numa quase impossível situação. Agora, ao contrário do campo franquista que se unia na formação de um governo e na quase certeza na vitória final, o governo da República resvalava na estrada dos desacordos, das acusações, de todos os pessimismos. Desenhou-se uma campanha para afastar Prieto do governo. Palmiro Togliatti era quem mais agitava em tal sentido. Segundo o secretário do ‘Komintern’, então no cargo de Comissário Político em Espanha, o Ministério da Defesa deveria ser assumido pelo próprio presidente do Conselho de Ministros, Negrin. E foi esta orientação que prevaleceu ainda que Negrin declarasse que não poderia trabalhar sem os comunistas e sem Prieto a seu lado. Este, tinha-se convencido de que só um acordo de paz entre as partes em conflito salvaria a Espanha. O seu enraizado pessimismo levava-o a trabalhar para conseguir esse acordo. Mas o país de Miguel Cervantes e, com ele, todos os incontáveis protagonistas do drama espanhol, caminhavam, já, na estrada da inevitabilidade rumo à tragédia.
O exército do Ebro
Com efeito, Franco, já se preparava para atacar em Aragão com um largo exército de que os comandantes principais eram os generais Vigon, Solchaga, Moscardó, Yague, Aranda e Dávila que, apesar de ministro, mantinha os comandos militares em que estava investido. Yague avançava ao longo da margem direita do Ebro. A 10 de Março de 1938, Solchaga e as suas tropas navarras entravam em Belchite, então, nada mais do que uma cidade fantasma. A 16, os generais fascistas, Barrón, Muñoz Grandes, que comandaria a ‘Divisão Azul’ inimiga na Guerra Patriótica da URSS em 1941-42, e Bautista Sanchez achavam-se perto de Caspe onde supunham poder encontrar e aprisionar o coronel Rojo, chefe do Estado-Maior central republicano, o que não conseguiram. Mas a cidade seria tomada no dia seguinte, apesar da resistência feroz da 15.ª Brigada Internacional. Gradualmente, o avanço das diversas forças franquistas levava-as a cada vez mais perto do Mediterrâneo. A 29, ‘El Campesino’ cujo nome era Valentin Gonzalez, resistia, heroicamente, na defesa de Lérida. Mas onde a luta ganhava proporções mais dramáticas era no seio do próprio governo republicano. Aí, a saída de Prieto do Ministério da Defesa ia consumar-se ao salientar, Negrin, ‘a sua convincente eloquência, e os seus modos patéticos que desmoralizavam os colegas de governo’. Entretanto, Lérida e Gandesa tombavam nas mãos dos franquistas, a 3 de Abril. As tropas de Aranda chegavam, agora, à vista do Mediterrâneo. Mas os caminhos para Valência, que ‘El Cid’ conquistara em 1094, continuavam interditos à sede franquista de vir a subjugá-la.
A 5 de Julho, o exército franquista assume-se no desejo de marchar sobre Valência. Varela, saía de Teruel com três divisões italianas (Berti) mais os navarros de Solchaga. Face a esta realidade, Negrin preveniria o Comité de Guerra da República de que tanto Valência como Sagonte estariam perdidas caso não se organizasse, rapidamente, uma adequada manobra de diversão. Rojo, o chefe do Estado-Maior central, propôs que se forçasse a passagem do Ebro em diversos pontos, simultaneamente, com dois objectivos: semear a confusão nas comunicações dos franquistas entre o Levante e a Catalunha e restabelecer a ligação de Barcelona com os territórios republicanos do Sul. Nascia, assim, o exército do Ebro cujo comando se confiaria a Modesto (Juan Guilloto) cuja preparação militar vinha dos cursos da Academia Frunze, na URSS. Este exército incorporaria, o 5.º corpo, de Lister (Henrique) assim como o 15.º, de Tagueña, o antigo chefe das ‘Patrulhas do Amanhecer’ e dirigente principal dos estudantes comunistas da Universidade de Madrid. Nesta nova formação militar, todos os comandantes eram comunistas.
A batalha do Ebro
Na geografia espanhola de Julho de 1938, a República dividia-se em dois territórios. A Norte, o primeiro desses territórios compreendia metade da província de Lérida, a de Gerona, a de Barcelona e a parte Norte da província de Tarragona. A Sul, a província de Madrid, incorporando a capital, as de Cuenca, Valência, Albacete, Alicante, Múrcia, Almería, Granada (em parte), Jaén, Córdova (em parte) e Ciudad Real. O exército do Ebro tinha 100 000 homens, 70 baterias de artilharia de campanha, 27 peças de artilharia contra-aeronaves. A travessia do Ebro, o segundo rio ibérico depois do Tejo, realizou-se durante a noite de 24 para 25 de Julho e a primeira unidade a cumprir essa missão foi, simbolicamente, o batalhão Hans Beimler da 11.ª Brigada Internacional. Do lado franquista, a surpresa foi completa. No fim de 18 horas de combates, Líster tinha avançado em 40 quilómetros e quase aparecia próximo de Gandesa. O comando fascista, entretanto, recompondo-se do inesperado, chamou reforços. Sem perder tempo, Franco enviou para a zona as divisões Barron, Galera, Delgado Serrano, Rada, Alonso Vega, Árias e Castejon. Seria nas imediações de Gandesa que o encontro entre os dois exércitos se verificaria com mais brutalidade.
Na canícula do primeiro dia de Agosto, a 15.ª Brigada Internacional atacou. Mas, a 2, os franquistas, apesar das pesadas baixas sustentadas, tinham conseguido conter a progressão conseguindo manter-se na posse de Villalba de los Arcos e de Gandesa. Dos ares, surgia a aviação alemã e italiana bombardeando de grandes altitudes, em voos picados ou rasantes. A disciplina das tropas republicanas, entretanto, operava milagres. ‘A artilharia conquistava terreno, a infantaria ocupava-o’ – esta era a máxima que tanto Líster como Tagueña, empregavam para incitar os seus homens. A 6 e 7, o contra-ataque franquista, por Delgado Serrano, começou a desenvolver-se. A 11, Alonso Vega e Galera forçavam Líster ao abandono de posições conquistadas na Serra de Pandols e nos montes de Santa Madalena, o que viria a verificar-se a 14. A 19, Yague juntava-se ao contra-ataque e, a 3 de Setembro, operava-se a junção das suas tropas com as de Garcia Valiño, que chegava do Levante. Estas acções das tropas franquistas apresentavam resultados relativamente rápidos fazendo perder aos republicanos grande parte do território vasto que, beneficiando da surpresa da sua ofensiva, tinham conquistado.
O isolamento da URSS
A complexa situação internacional criada em consequência da questão checoslovaca, começava a prejudicar a causa republicana em Espanha. Se as nações ditas democráticas, a Grã-Bretanha e a França, principalmente, nada fariam pela Checoslováquia, seria de esperar, igualmente, que não alterassem a sua política de neutralidade hipócrita e dúbia relativamente à República espanhola. Por outro lado, as complexas circunstâncias do momento, levavam a URSS a considerar a adopção de posições de menos aberto comprometimento na Guerra Civil de Espanha. As potências ‘democráticas’, na eterna esperança de que a Alemanha hitleriana acabaria por se lançar contra a pátria dos sovietes, rejeitavam, uma após outra, todas as propostas do Kremlin para que se unissem contra o nazismo. Mas, tanto a França como a Grã-Bretanha fugiam dessas propostas como o diabo foge da cruz. Isolada, a URSS, portanto, teve de considerar a sua própria posição e, consequentemente, abrandou os fornecimentos de material de guerra à Espanha republicana e mártir e aconselhou a saída das Brigadas Internacionais do território espanhol. Os célebres acordos de Munique seriam assinados por Neville Chamberlain, Edouard Daladier, Adolf Hitler e Benito Mussolini, na noite de 29 para 30 de Setembro de 1938.
Entretanto, a batalha do Ebro prosseguia. A 30 de Outubro, a contra-ofensiva franquista ganhava proporções de grande movimento militar. Nesse dia, os ataques da artilharia anti-republicana começaram às três da madrugada com 175 baterias em operações enquanto, nos céus, mais de 100 aviões sujeitavam as posições governamentais a um bombardeamento ininterrupto. Garcia Valiño avançava em direcção à margem direita do Ebro. Por seu lado, a 1.ª divisão de tropas navarras reocupava, clinicamente, todas as posições abandonadas pelos republicanos, incluindo a zona montanhosa dos Caballs, em fuga às bombas da aviação. Os Caballs, com 19 posições fortificadas, dominavam a região e tinham permitido aos republicanos um certo controlo dos acontecimentos. Mas, a 3 de Novembro, a ocupação dos altos dos Pandols através de uma impetuosa ofensiva das tropas de Galera, deixava os franquistas na povoação de Pinell e, efectivamente, na margem do Ebro. No sector central das operações de contra-ataque franquista, os republicanos perdiam o Monte Picosa, e Líster, então, ordenou a retirada. A 18, os últimos elementos do exército do Ebro, que parecera destinado a grandes vitórias, abandonavam a margem direita do rio.
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Obras consultadas:
‘La Guerra Militar de España’, (Gabriel Cardona, Fernando Fernandez Bastarreche, Manuel Tuñon de Lara, José Luís Alcofar, Ramon Salas Larrazábal), em 5 volumes, Madrid 1996; ‘A Casa de Eulália’, de Manuel Tiago, Edições Avante!, Lisboa, 1997;
‘Causas de la Guerra de España’, de Manuel Azaña, Barcelona, 1986; ‘Franco’, de Luís Ramirez, Edições François Maspero, Paris, 1965; ‘Les Communistes en Espagne’ de Guy Hermet, Edição de Armand Colin, Paris 1971; ‘España Heróica!’, general Vicente Rojo, Buenos Aires, 1942; ‘História Militar de la Guerra de España’, Manuel Aznar, Madrid 1940; ‘L’Epopée de l’Espagne – Brigades Internationales 1936-38’, Paris 1956; entre outras.