Guerra Civil de Espanha – 70.º aniversário -I

Armas para o povo!

Manoel de Lencastre
A 18 de Julho de 1936, um grupo de generais renegados organizou um golpe de Estado para derrubar a experiência inédita da Frente Popular nascida das urnas em Fevereiro desse ano. O ataque à coligação governamental que integrava socialistas, comunistas e republicanos deu origem a três anos de uma sangrenta guerra civil a que se seguiu a longa ditadura de Franco. «Uma guerra pouco civil», segundo o historiador Julián Casanova, em que se defrontaram duas concepções opostas de sociedade e que dividiu a Espanha e a Europa. Setenta anos depois, as Cortes espanholas declararam 2006 o «Ano da memória histórica em Espanha», mas a polémica continua viva.
A demissão do governo de Casares Quiroga, a 18 de Julho de 1936, conduziu a que as ruas de Madrid se enchessem de um povo decidido a defender a República e a democracia e resolvido a opor-se à consumação e à vitória do golpe militar cujas intenções ainda não estavam bem esclarecidas. Com efeito, dizia-se que os sublevados não pretendiam senão derrubar o governo, derrotar a República, restaurar Afonso XIII. Não se falava, ainda, de guerra civil. Mas na atmosfera madrilena vogava a sombra trágica de um conflito que, uma vez iniciado, ninguém sabia como e quando terminaria. O povo espanhol, apesar do seu tradicional entusiasmo, sentia que o destino o empurrava para acontecimentos de um pesado carácter. E, no entanto, generoso, como sempre, preparava-se para a luta.

A sublevação militar teve lugar a 17, em Melilla. Até onde conduziria esse movimento, que alguns, entre os quais o presidente Azaña, consideravam não passar de mais uma ‘sanjurjada’? Os militares subalternos e a Marinha não apoiariam os oficiais inimigos da República e a Aviação incorporava muitas centenas de oficiais e soldados cujo ideal republicano não se questionava. Mas em Marrocos, havia um terramoto. O coronel, Yague, que estivera com Franco na campanha terrorista das Astúrias em 1934, e residia em Ceuta, iniciou o golpe aproveitando-se da ausência do general Capaz, comandante militar. Tanto esta cidade como Melilla seriam ocupadas sem dificuldades. No dia seguinte, o general Franco, ao tomar conhecimento do êxito de Ceuta e Melilla, entrou em acção, também, nas Canárias e, às duas horas da tarde, o arquipélago estava na posse dos sublevados. Tinham-se criado condições para a unificação do comando contra-revolucionário. Franco, tinha um avião à sua espera. Embarcou e, fazendo escala em Agadir e Casablanca, aterrava em Tetuán, a 19. O terramoto de Marrocos seria a base de alargamento da sublevação a toda a Espanha.
Com efeito, o general Mola, um dos mais perigosos e consequentes conluiados com Franco, que servira também em Marrocos, de 1919 a 1926, declarava-se, como governador militar de Pamplona, ao lado dos acontecimentos que se desenrolavam em Marrocos. Assim, apoiado por largos números de agitadores ‘requetés’ carlistas, cuja preparação militar não era pequena, estenderia o movimento rebelde a toda a Navarra. O grito de guerra ouvia-se, agora, também em Alava e surgiam os primeiros civis armados ao lado dos militares insurrectos. Segundo o plano do general Mola, as guarnições militares sublevadas em Castilla la Vieja e Navarra, marchando, unidas, para Sul, só tinham um objectivo – Madrid!

Espanha invadida pelos franquistas

Entretanto, a sublevação ganhava momento em quase toda a Espanha. Burgos e Valladolid, Segóvia, Ávila, Palencia, Salamanca, tombavam, uma a uma, nos braços da aliança de um Exército cujos comandos viviam minados pelo ódio ao povo, com a traiçoeira Guardia Civil, com falangistas e ‘requetés’. As guarnições de El Ferrol, Corunha, Santiago, Orense, eram rapidamente dominadas por oficiais conspiradores. Mesmo em Saragoça, onde havia uma certa tradição anarquista, a sublevação militar assenhoreou-se do poder local, rapidamente, sem que a proclamação de uma greve geral tivesse produzido efeitos. Era já visível a repressão contra o movimento popular. A chegada de um contingente de ‘requetés’ navarros e a proximidade da província carlista que era Navarra, tornou-se decisiva em Aragão. Mas em San Sebastian e em Gijón, a situação era diferente. Nessas cidades, milícias republicanas não só se afirmavam contra o golpe militar como negavam aos sublevados a saída dos próprios quartéis.
Na Andaluzia, a junta de generais que apoiava o general Franco, decidiu oferecer o comando operacional a Queipo de Llano, antigo inimigo mas moderno aliado de Mola. Queipo de Llano, que tinhas velhas contas a ajustar com o republicanismo, proclamou, logo, o estado de guerra em Sevilha tendo consigo a Guardia Civil assim como destacamentos de falangistas e ‘requetés’. O governo civil da cidade rendeu-se. Operários que nas barricadas desejavam resistir ao golpe, não possuíam armas. E Queipo de Llano gritava na rádio: «Dejaremos sobre el cuerpo de cada asesinado, el cadáver de um asesino en forma de cruz». Algeciras, Jaén, La Línea, Cádiz e Córdoba, viam estabelecer-se o controlo militar. Chegavam a Sevilha os primeiros grupos de tropas mouras e de legionários que acabaram com qualquer resistência em toda a Andaluzia. Só Granada se mantinha republicana, mas em condições instáveis. Em Toledo, entretanto, a Guardia Civil encerrara-se no ‘Alcázar’ onde o general Moscardó, fiel a Franco, proclamava, também, um estado de guerra. Era em Madrid que na noite de 19 de Julho, um domingo, começavam a entregar armas ao povo.

Objectivo: Madrid

A noite de 19 para 20 de Julho, em Madrid, foi de generalizada confusão. Ardiam igrejas. O povo sabia que uma profunda traição à Espanha republicana tinha sido praticada pelos generais reaccionários ante a indiferença do governo. Só agora se distribuíam armas pelos partidos políticos e pelos sindicatos. Porém, muitas dessas armas não podiam ser usadas devido a que os respectivos ferrolhos se achavam armazenados no quartel ‘de la Montaña’. De aí, a necessidade de atacar essa instalação militar que o general Fanjul comandava em condições de ilegalidade. De um modo geral, os quartéis da região madrilena mantinham-se sob o controlo governamental. Mas, o da ‘Montaña’, não. Na tarde de 20 de Julho, entretanto, tudo se resolveria. O ataque das forças republicanas, compreendendo milicianos, militares dispersos e muito povo, deu-se com particular ferocidade. Lutou-se em pleno pátio do quartel e muitos dos seus defensores foram abatidos. Fanjul acabaria prisioneiro dos partidários da República e seria, mais tarde, executado com outros oficiais fascistas, Goded, López-Amor e Garcia Aldave.
O povo de Madrid, assim, dava um forte exemplo a toda a Espanha e ao mundo, da sua vontade de não ser conquistado, do seu desejo de não regressar às condições que rejeitara nas eleições, do seu amor à liberdade, do seu desprezo pelos golpistas. Entretanto, em Barcelona sublevavam-se as tropas da região militar com excepção da Intendência e da Aviação. Mas o povo tomou os quartéis de assalto e, com apoio da Guardia Civil e da polícia, que se mantiveram fiéis às instituições republicanas, neutralizou o movimento dos militares insurrectos e apoderou-se de importantes depósitos de armamento. A euforia tomou conta da cidade. Automóveis buzinavam. Desfraldavam-se bandeiras da CNT (Confederación Nacional del Trabajo), a central anarco-sindicalista fundada em 1911. Também em Bilbao, os militares revoltosos não tinham possibilidades de êxito e em Santander, apesar de uma tradição eleitoral direitista, o capitão republicano, Garcia Vayas, garantia a sobrevivência do poder legal.
Com José António preso em Alicante, a cidade mediterrânica de Valência via que os oficiais da guarnição se encerravam nos respectivos quartéis e, indecisos, não tinham a coragem de cumprir o seu dever respeitando as autoridades republicanas ou de aderir à sublevação franquista que o general González Carrasco lhes propunha. Seria, finalmente, a 29 de Julho, que a enérgica intervenção de milicianos, sargentos e povo armado, forçaria as portas de armas dos quartéis valencianos para que se preservassem a República, a liberdade e a democracia. Temos, portanto, que os primeiros doze dias da rebelião reaccionária franquista deixava a Espanha dividida em dois blocos territoriais, mas também em dois mundos que o povo, por um lado, e as forças do antigamente, por outro, dominavam. Mas já a 30 desse mês de Julho fatal, começava a chegar aviação italiana ao Norte de África enquanto a cidade de Sevilha se tornava numa metrópole franquista onde se concentravam milhares de homens preparados para assaltar a capital da nação espanhola.

Guerra civil e guerra revolucionária

Com Garcia Lorca morto pelos assassinos franquistas, a tomada de posse do governo de Largo Caballero, a 4 de Setembro, seguia-se à decisão da URSS de apoiar o poder legítimo republicano e os partidos da Frente Popular que lhe estavam na base. O primeiro embaixador soviético, Marcel Rosemberg, chegara a 27 de Agosto. Por essa altura, concluíra-se que a guerra se perderia se não entrasse em funções um governo revolucionário que dispusesse de meios militares diferentes. Indalecio Prieto, socialista e antigo operário que dirigira o jornal El Liberal, de Bilbao, passava a trabalhar nos ministérios do Ar e da Marinha registando-se a entrada para o serviço do Ministério da Guerra, que o próprio Caballero tutelava, de diversos militares próximos do Partido Comunista, como o comandante Estrada (Chefe do Estado-Maior), o coronel Rodrigo Gil, subsecretário de Estado, o comandante, António Cordón, chefe dos serviços técnicos, o comandante Diaz Tendero, que se ocuparia da renovação dos quadros de combate. O comandante Hidalgo de Cisneros, mantinha-se na pasta da Aviação. Pelo contrário, o general Riquelme, que chefiara as operações na zona Centro era substituído pelo coronel, Asensio Torrado, um amigo do presidente da República (Manuel Azaña) que, todavia, não parecia gozar da confiança dos comunistas. Quatro anarquistas integravam a equipa governamental – Garcia Oliver, Federica Montseny, em nome da Federação Anarquista Ibérica, e Juan Peiró que, com Juan López Sánchez, eram tidos por mais moderados.
A 15 de Outubro, o navio soviético ‘Komsomol’ desembarcava em Cartagena o primeiro carregamento de tanques, carros blindados, artilharia. Chegavam, também, os primeiros aviões de fabrico soviético. Mas as derrotas militares dos republicanos, mesmo em áreas de claras simpatias populares pelos partidos das esquerdas, sucediam-se. Perante a decisão de Franco e Varela de continuarem a avançar sobre Madrid, o governo de Caballero encarregou o general Miaja Menant (José), um asturiano, de organizar a defesa da capital espanhola que, a 4 de Novembro, assistia, perplexa, a combates aéreos no seu próprio espaço aéreo e rejubilava perante a vitória dos caças soviéticos sobre os aparelhos de fabrico italiano que os franquistas utilizavam. Pelo menos, a superioridade dos fascistas nos céus, deixava de existir. Mas, nesse mesmo dia, patrulhas pertencentes às colunas de Varela eram vistas a quatro quilómetros de Madrid.

A defesa de Madrid

Tendo decidido evacuar a capital, o governo de Largo Caballero, a 6 de Novembro, nomeava Miaja como suprema autoridade política e militar em Madrid. E este, sem desejar perder tempo, instalou o seu posto de comando nos sótãos do Ministério da Economia. Para o lugar de chefe do Estado-Maior, nomeava-se, agora, o comandante Vicente Rojo cuja experiência no terreno era limitada mas que parecia ser o melhor intelectual da área militar disponível. E a verdade é que os factos ocorridos durante a campanha de defesa de Madrid acabariam por provar isso mesmo. A organização dessa campanha seria árdua e difícil. Conseguiriam os republicanos defender a capital contra os ataques dos ferozes, resistentes, disciplinados legionários e mouros que, agora apoiados por carros de combate alemães, os ‘Krupp Panzerkamfwagen’, se aproximavam? Miaja e Rojo conheciam mal os seus próprios recursos. Tinham na cidade, além de militares dispersos, a Guarda de Assalto, Carabineiros, a Guarda Republicana e, evidentemente, alguns milhares de milicianos. Confiavam, entretanto, nas posições das colunas de Galán, Escobar, Mena, Bueno e Líster. Mas os franquistas que aí vinham, tinham um exército. Era o exército de África no qual Franco mantinha total confiança permitindo, até, que cada coluna agisse com alguma independência e se preparasse para entrar em Madrid quase por sua própria conta, apenas sujeita a limitadas medidas de coordenação.

Franco não consegue entrar em Madrid

O ataque principal à ‘Casa de Campo’ e ao ‘Parque del Oeste’ e às pontes de Toledo e Segóvia, que uniam o Manzanares, não foi um êxito porque as forças de Miaja e Rojo se haviam preparado e recebido reforços como a Brigada Internacional número onze que, com os seus três batalhões, desfilara através do centro de Madrid perante o entusiasmo do povo. E este, para estimulá-la, gritava: «No pasarán! No pasarán!». A 9 e 10 de Novembro, combatia-se com inexcedível fúria distinguindo-se, apesar de violentos ataques sofridos, a gloriosa acção daquela Brigada formada por franceses, alemães, belgas, polacos, húngaros e jugoslavos. Mas os alemães cujos bombardeiros ‘Junker-52’ e caças ‘Heinkel-51’, com base em Ávila, seriam, a 11 de Novembro, destruídos no solo pelos ‘Polikarpov I-16, soviéticos, estavam a receber novos reforços em material aeronáutico e em pessoal constituindo, assim, a ‘Legião Condor’. Entretanto, unidades franquistas conseguiam atravessar o Manzanares. A 13, entrava em operações a Brigada Internacional número doze que incorporava os batalhões Thaelmann, Garibaldi e André Marty assim como reforços provenientes da Catalunha em duas colunas, uma das quais era comandada pelo chefe anarquista Buenaventura Durruti. Os combates que tiveram lugar na zona da Cidade Universitária madrilena, a 15, 16 e 17, foram brutais. Os bombardeamentos da aviação germânica e italiana faziam sofrer a população madrilena que se refugiava nas estações do Metro. No Hospital Clínico lutava-se casa a casa, quarto a quarto. A 19, Durruti, a quem Miaja mandara retirar do teatro de operações, surgia no ataque republicano ao Hospital mas, aí, encontraria a morte. Três dias depois, novo ataque comandado por Barrón, foi contido pelos republicanos. Era o fim do assalto frontal dos franquistas cujo exército de África sofria a sua primeira derrota.
Na impossibilidade de tomar Madrid, o alto comando franquista alterou a sua estratégia e decidiu tentar o corte da estrada da Corunha, como primeira iniciativa no sentido de cortar à capital as suas linhas de comunicações com o resto do país. Assim, a batalha das forças de Varela para atingirem aquela estrada iniciou-se na zona da Casa de Campo, a poucos quilómetros de Pozuelo onde se posicionava a terceira brigada republicana sob o comando de José Maria Galán. O ataque dos franquistas, iniciado a 29 de Novembro, foi violento e realizou-se com o concurso de três colunas (Siro Alonso, Gavilán e Bertomeu). Mas o alarme chegou a Madrid e Miaja ordenou um contra-ataque rápido enviando a 11ª Brigada Internacional para Pozuelo. Esta decisão levou ao fracasso do ataque das tropas de Varela e daria lugar a uma significativa reorganização do exército franquista. Surgiu, portanto, o 1º Corpo de Exército com o general Saliquet no respectivo comando e estado-maior em Ávila. Este Corpo de Exército incorporava três divisões que se designavam, estranhamente, por ‘Soria’, ‘de Ávila’ e ‘Reforçada de Madrid’. Caberia a esta encabeçar as operações para o controlo da estrada da Corunha.

As brigadas internacionais

Por outro lado, o Estado-Maior de Miaja tinha dividido a zona madrilena em quatro sectores e entregue os respectivos comandos a Kleber, Alvarez Coque, Mena e Líster. Quanto às Brigadas internacionais, Miaja e Rojo organizaram-nas como reserva. As forças anti-republicanas, contudo, achavam-se, agora, a 12 quilómetros para além da zona onde haviam começado o ataque anterior, mais longe, um pouco, da capital. Mas contavam com duas companhias de carros de combate alemães. O novo ataque de Varela levou à ocupação de Boadilla e Villanueva de la Cañada. A 16 de Dezembro, Miaja mandou que avançassem as duas Brigadas internacionais além de um destacamento de carros soviéticos sob o comando do general Pavlov e de um batalhão pertencente à brigada de ‘El Campesino’ (Valentin Gonzalez). Mas o general Franco, decidido a cortar a estrada da Corunha, reunira 24 batalhões de infantaria, sete esquadrões de cavalaria, 24 baterias de artilharia, três unidades de combate anti-carros, um batalhão de tanques e a ‘Luftwaffe’ que incorporava a ‘Legião Condor’. Ferido em combate, Varela seria substituído por Luiz Orgaz y Yoldi.
Duas das cinco divisões do também reorganizado exército republicano eram comandadas por comunistas – Juan Modesto e Nino Nanetti. As restantes tinham o comando de profissionais – Perea, Prada e José Maria Galán. Confirmava-se que, ao contrário da situação existente noutras regiões, um certo equilíbrio se tinha criado entre as duas partes, na frente de Madrid. O primeiro golpe dos franquistas atingiu a divisão Modesto. Cipriano Mera, ‘El Campesino’ e a Brigada internacional número 11 conseguiram tapar as brechas registadas, mas, a 6 de Janeiro de 1937, tropas africanas ao serviço de Franco conseguiam atingir o quilómetro 13 da estrada que ligava Madrid à Corunha que, portanto, ficava cortada. Estas tropas (mouros e legionários) além de serem as mais cruéis, eram aquelas a quem Franco entregava as missões mais problemáticas e sangrentas. Do lado republicano e governamental, as Brigadas internacionais 12 e 14 (batalhões Comuna de Paris, Domingo Germinal, Henri Barbusse, Pierre Brasset) tinham sustentado consideráveis baixas.
(Continua)



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