- Nº 1696 (2006/06/1)
Festa Alentejana

«Uma festa a valer»

PCP
No próximo fim-de-semana realiza-se, em Beja, no Parque de Feiras e Exposições, a Festa Alentejana. Alegria, música, cultura, debate político e afirmação comunista são os principais componentes.

Em conversa com o Avante!, José Baguinho, da Direcção Regional de Beja do PCP, com a responsabilidade da iniciativa, para aqueles que não conhecem ou nunca ouviram falar, explicou o que é a Festa Alentejana.
«A Festa Alentejana foi o retomar, há cerca de três anos, de uma iniciativa que o Partido fez aqui, na cidade Beja, logo após o 25 de Abril. Esta é uma festa popular que envolve as organizações e os militantes, com o objectivo de projectar o PCP na região», explicou o dirigente comunista.
Sendo que em cada ano se procura valorizar um tema, no próximo fim-de-semana, segundo revelou José Baguinho, a Festa Alentejana vai valorizar a intervenção do Partido no Alentejo.
«Este foi o ano de reforço da organização, o ano em que contactámos com os militantes, que procurámos que mais organismos funcionassem, onde demos especial atenção ao trabalho nas empresas. Neste sentido, a Festa Alentejana será um espaço onde iremos divulgar a actividade do PCP», reafirmou.
Este é também um momento para recordar o assassinato, há mais de 50 anos, de Catarina Eufémia, em terras de Baleizão pelas forças do regime fascista. Lutava por pão e trabalho e, rapidamente, tornou-se um símbolo da resistência do proletariado rural alentejano à repressão e à exploração do salazarismo e, ao mesmo tempo, um símbolo do combate pela liberdade e da emancipação da mulher portuguesa.
«Procuramos, com a Festa Alentejana, criar um evento que desse ainda maior projecção aquilo que se vai fazendo desde o 25 de Abril de 1974, que é a romagem a Beja e a Baleizão à campa de Catarina Eufémia», continuou José Baguinho, informando que, este ano, à semelhança dos anteriores, o secretário-geral do PCP estará presente no comício de domingo em Baleizão e no de Beja.
«No comício de Baleizão vamos assinalar e valorizar o que foi a luta de Catarina Eufémia e dos trabalhadores rurais alentejanos, e não deixar cair no esquecimento o que foi, aqui no Alentejo, e no País, o regime fascista. Da parte da tarde, em Beja, no comício de encerramento da Festa Alentejana, para além do que defendemos em termos de desenvolvimento, para o bem-estar da vida das pessoas, vamos apresentar as propostas nacionais do PCP», divulgou.
Manifestando grande expectativa para esta iniciativa, que se realiza com uma semana de atraso, face ao Congresso da JCP e dos comunistas da Madeira, o dirigente do PCP revelou ainda que este ano a Festa Alentejana contará com a participação de mais organizações regionais do Partido, nomeadamente a de Aveiro, Viana do Castelo, Santarém, Faro, e Lisboa. Estarão ainda presentes, para além da JCP, os comunistas de Portalegre, Évora e Beja, como não podia deixar de ser.
«Ao nível local, há ainda alguns comerciantes que também estão interessados em expor e participar na nossa festa. Há ainda algum interesse de alguns empresários e artesões locais para estar connosco, nos dias 3 e 4 de Junho», continuou, esperando «que este seja um passo para a consolidação e projecção da Festa Alentejana, até porque envolve umas boas dezenas de camaradas a trabalhar neste projecto».

Festa da e para a juventude

Esta é também a festa da e para a juventude. «Esta tem sido uma das nossas preocupações ao longo destes anos. Queremos chamar cada vez mais jovens para a Festa Alentejana, e chamar, principalmente, a juventude da nossa cidade, do nosso concelho, da nossa região», afirmou Ana Sofia, da Organização Regional de Beja da JCP.
Para isso, explicou a jovem comunista, «vamos contar, integrado no programa, com um festival de Hip-Hop, que pode ser uma boa maneira de chamar mais “malta”». Depois, continuou, «temos que saber aproveitar e catalizar isto para dar a conhecer à juventude o resto da festa, para saberem aquilo que nós somos, o que nós propomos, aquilo que nós defendemos».
Para os interessados, informou ainda que existe um parque de campismo junto do Parque de Exposições de Beja. «A “malta” pode trazer a tenda e o saco-cama e ficar ali acampado no sábado à noite para aproveitar os dois dias de festa», disse, acrescentando: «O bilhete são cinco euros e o acampamento está incluído no preço. É um título simbólico, de solidariedade, um simples contributo para podermos fazer a nossa festa».
Por seu lado, João Farelo, outro jovem com responsabilidade na implantação e no auditório, valorizou o espaço do certame, «até porque foi mais estudado e pensado, nomeadamente na sua forma de disposição». No entanto, avisou, com alguma ironia: «Como é habitual em todas as festas do Partido, até ao último momento se pregará um prego ou se pintará uma faixa. Quando se acaba de pintar, ou pregar, assumimos automaticamente as tarefas dentro da festa».
Fez ainda alguns destaques, inovações na edição deste ano, nomeadamente para o fado e um espectáculo de humor. Com base na experiência do ano anterior, realçou também os colóquios que se realizarão nos dois dias. «Por exemplo, o ano passado tivemos um colóquio sobre a Reforma Agrária que superou, em muito, as nossas expectativas, até porque a maior parte dos participantes eram jovens», disse.
Os tradicionais petiscos também estarão presentes na Festa Alentejana. «A cabeça e o ensopado de borrego, os torresmos, o camarão de Alcácer do Sal, são apenas alguns dos pratos que os nossos visitantes poderão apreciar», confessou José Baguinho, acrescentado, por exemplo, para além da gastronomia alentejana, «que é das melhores», «vamos ter, de Viana do Castelo, o Arroz de Lampreia, e de Santarém, a Sopa da Pedra».

Uma grande festa

Já em jeito de conclusão, José Baguinho e Ana Sofia apelaram à participação na Festa Alentejana. «Continuar a construir e a fazer crescer esta festa é contribuir para o reforço da organização do Partido. Esta não é uma festa qualquer. É uma festa organizada pelo Partido, pela Direcção Regional, com o objectivo de conviver, de confraternizar, mas, principalmente, com o objectivo de reforçar a organização do PCP», afirmou, terminando: «Para apresentar as nossas propostas é preciso criar espaços».
Numa mensagem mais voltada para os jovens, Ana Sofia apelou: «Venham fazer da nossa festa uma grande festa. A “malta” da JCP ainda por cima vem de uma altura de muito trabalho, que foi o nosso Congresso, com a participação de mais de 700 jovens comunistas e amigos, e esta pode ser uma maneira de descontracção».

Sábado, 3 de Junho

10h00 – Arruada Grupo Bardoada (ruas da cidade)
Início dos Jogos Populares no recinto da Festa
11h00 – Abertura oficial da Festa
14h00 – Torneio de Malha
15h00 – Musica Tradicional Portuguesa com o Grupo de Peroguarda (palco principal)
16h00 – Colóquio «Século XXI: O mundo está a mudar?», com Miguel Urbano Rodrigues (auditório)
17h30 – Música Tradicional Portuguesa com a «Banda do Andarilho»
18h30 – Espectáculo com Jorge Serafim e António Castanho (auditório)
21h30 – Concerto «Brigada Vítor Jara» (palco principal)
22h50 – Espectáculo Piroaquático (recinto da Festa)
23h00 – Festival Hip Hop com «Puro Sentimento» e «Factos Reais» (palco principal)
23h00 – Fado na Festa com António José Zambujo, Ana Varela e Ricardo Ribeiro (auditório)

Domingo, 4 de Junho

10h30 – Abertura da Festa
11h00 – Torneio de Damas
14h00Homenagem a Catarina Eufémia em Baleizão, com a presença de Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP
14h30 – Desfile dos Corais Alentejanos (recinto da Festa)
15h00 – Colóquio «Obras literárias de Álvaro Cunhal» com o escritor Urbano Tavares Rodrigues (auditório)
16h00 – Concerto com o Grupo Cubano «Craze de la Salsa»
17h00 – Comício com Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP
18h00 – Matiné Popular com a acordeonista Joana Reis