Companheiro Vasco sempre
Pela primeira vez sem a presença física entre nós do General Vasco Gonçalves, comemoramos um aniversário do 25 de Abril, o trigésimo segundo. E este é, certamente, um dado marcante das comemorações populares deste ano.
Por isso, mais uma vez, desfilará pelas ruas, transportada por muitos milhares de pessoas, a memória dessa data gloriosa, desse tempo novo de povo nas ruas, conquistando as liberdades exercendo-as e dando os primeiros passos no caminho do processo que fez da revolução de Abril o momento de maior modernidade da nossa história colectiva - e dessa memória emergirá inevitavelmente, límpida e transparente, a figura ímpar do General Vasco Gonçalves, General de Abril, Soldado do Povo, Companheiro Vasco. A demonstrar e confirmar o fracasso das sórdidas campanhas, minuciosamente elaboradas e amplamente divulgadas, visando denegrir a memória do General de Abril; a demonstrar e confirmar como é grande a ilusão em que navegam os que pensam que a leitura mistificadora que fazem dos acontecimentos constitui o fim da história da revolução de Abril e o apagar do papel impressivo que o General Vasco Gonçalves nela desempenhou.
A classe operária, os trabalhadores, o povo, não esquecem o Companheiro Vasco, o primeiro-ministro desses quatro governos provisórios que, de 18 de Julho de 1974 a 2 de Setembro de 1975, corresponderam ao período mais exaltante, inovador, avançado e criativo da revolução de Abril - esse tempo em que as históricas conquistas políticas, económicas, sociais, culturais, civilizacionais, começaram a dar forma aos sonhos, durante tanto tempo sonhados, de construção de um Portugal justo, livre, soberano, solidário, fraterno; esse tempo de melhorias significativas nas condições de vida dos mais desfavorecidos, nomeadamente com o aumento dos salários, com o estabelecimento do salário mínimo nacional (que para muitos milhares de trabalhadores significou a duplicação dos seus recursos), com a criação do subsídio de desemprego, do direito às férias e ao respectivo subsídio; esse tempo de estabelecimento do controle operário como instrumento de defesa da democracia, da economia nacional, do emprego; esse tempo de concretização do processo das nacionalizações, em consequência lógica da agudização da luta de classes que opunha à revolução de Abril o grande capital monopolista; esse tempo de construção épica daquela que foi a maior e mais bela de todas as conquistas da Revolução - a Reforma Agrária - iniciada quando os trabalhadores tomaram a decisão histórica de avançar para as terras, ocupá-las e cultivá-las; esse tempo em que se pôs termo a mais de uma década de guerra colonial e se levou por diante um processo que conduziu à independência dos povos colonizados pelo regime fascista; esse tempo de patriótica afirmação da independência e da soberania nacionais; esse tempo em que se iniciou a construção de uma democracia avançada, amplamente participada - como nunca antes havia existido e nunca depois voltou a existir – e em que a opinião dos trabalhadores era estimulada, ouvida, considerada e, por isso, contava; esse tempo que foi ponto de partida para a construção de um país novo, que nos permitiu ver um pedacinho do futuro pelo qual lutamos e que nos confirmou que esse futuro é possível e, por ele, vale a pena e é necessário prosseguir a luta; esse tempo em que, pela primeira e, até agora, única vez, Portugal teve um primeiro-ministro que se identificava totalmente com os interesses, anseios e aspirações da classe operária, dos trabalhadores, do povo, do País - um primeiro-ministro que mais, muito mais, do que isso, ganhava lugar, para sempre, na memória e no coração dos trabalhadores e do povo português e era, na linguagem sentida e certeira do povo, o «Vasco, amigo, o povo está contigo», o Companheiro Vasco ou, talvez mais sentidamente ainda, simplesmente O Vasco – nome querido acima de todos, por isso nome que se escolhe para dar aos filhos: e muitos são os Vascos nascidos nesse tempo – e, de entre esses, muitos são os que, norteados pelo mesmo ideal do Homem que lhes deu o nome, dão continuidade, no tempo apagado e sombrio que hoje vivemos, à luta desse tempo aceso e luminoso.
Dignidade e verticalidade, coragem e patriotismo, inteligência e cultura, modéstia e vontade de saber, lucidez e coerência: eis algumas dos atributos pessoais que, aliados a uma total e permanente postura de fraternidade e solidariedade, fazem do General Vasco Gonçalves, pela sua vida, pela sua acção, pelo seu exemplo, o mais puro e fiel intérprete dos ideais libertadores e transformadores de Abril e uma figura maior da História de Portugal.
Por tudo isto, não surpreende que o Companheiro Vasco tenha sido, desde os dias memoráveis de Abril até à sua morte - e continue a ser depois da sua morte - amado pelo povo e odiado pelos grandes e poderosos; amado pelos explorados, pelos humilhados e ofendidos e odiado pelos exploradores e opressores. Por tudo isto, não surpreende que o Companheiro Vasco tenha sido e continue a ser um alvo prioritário dos ataques – regra geral baixos, mesquinhos, soezes - dos protagonistas directos da contra-revolução, dos componentes dessa santa aliança que, ao longo dos últimos trinta anos, num serviço combinado entre os dois partidos da política de direita, PS e PSD (com o CDS-PP atrelado) e num impiedoso ajuste de contas com os ideais de Abril, tem vindo a destruir as principais conquistas alcançadas e a restituir o poder aos grandes grupos económicos e financeiros – os do antigamente, os que suportaram o fascismo que oprimiu o povo português durante quase meio século, e os que entretanto se criaram graças à contra-revolução. Nem surpreende que os panegiristas da política de direita, escrevinhadores boçais que levam a mão à carteira sempre que ouvem tocar a campainha da contra-revolução, até no momento da morte de Vasco Gonçalves tenham prosseguido essa campanha baixa e miserável. E muito menos surpreende que os executores da política que serve os interesses dos grandes e poderosos, tenham recusado decretar o luto nacional no dia da morte do General Vasco Gonçalves, primeiro-ministro de quatro governos que, insista-se, iniciaram a construção de uma sociedade nova – nova porque tinha como objectivos prioritários e complementares a defesa dos interesses e dos direitos da imensa maioria dos portugueses e a construção de uma democracia avançada. Nessa campanha e em todas as expressões que tem assumido - num vale-tudo exemplificador da indignidade e da sem vergonha de quem a paga e de quem a executa - está presente esse ódio visceral bebido desde o berço em biberões dourados: o ódio de classe.
É uma evidência que a política de direita, que outra coisa não é senão a política da contra-revolução de Abril, iniciada pelo primeiro governo PS/Mário Soares e prosseguida por todos os que se lhe seguiram até ao actual governo PS/Sócrates – sendo este, porventura o mais completo cumpridor dos ditames do grande capital que, por isso mesmo, não se cansa de o aplaudir - se situa nos antípodas da política praticada pelos governos de que o General Vasco Gonçalves foi primeiro ministro. Com efeito, à política que tinha como referência e preocupação permanentes, a defesa dos interesses dos trabalhadores, contrapõe-se, hoje, a política que tem como única preocupação e objectivo servir fielmente os interesses do grande capital; à política que visava a eliminação das desigualdades e injustiças sociais, contrapõe-se, hoje, a política que acentua e agrava essas injustiças e desigualdades; à política patriótica de defesa da soberania nacional e da solidariedade com todos os povos, contrapõe-se, hoje, uma prática de sujeição antipatriótica e servil às ordens do imperialismo internacional; à política de paz, que pôs termo às guerras coloniais, contrapõe-se, hoje, uma política de envolvimento de Portugal em criminosas guerras de ocupação que tornam os governos PS e PSD/CDS co-responsáveis no assassinato de centenas de milhar de homens, mulheres e crianças inocentes; à democracia moderna, progressista, participada, do povo e para o povo, virada para o futuro, contrapõe-se, hoje, esta democracia velha, de fachada, de faz-de-conta, cada vez mais carenciada de conteúdo democrático, de costas viradas para Abril e de olhos postos no passado; ao regime democrático nascido de Abril e moldado de acordo com os interesses dos trabalhadores, do povo e do País, contrapõe-se este regime de política única nascido da contra-revolução de Abril, moldado às ordens do grande capital opressor e explorador e da nova ordem imperialista de cariz totalitário e fascizante – enfim, aos catorze empolgantes meses que, com o Companheiro Vasco como primeiro-ministro, mudaram Portugal, colocaram o nosso País na primeira fila do progresso e da modernidade à escala europeia e constituíram o período mais luminoso da nossa história, sucederam-se três décadas de governos que, com primeiros-ministros gémeos no ódio à revolução de Abril e repescando velharias travestidas de modernidade, têm vindo a retomar velhas formas de exploração, de opressão, de limitações dos direitos, liberdades e garantias, que trazem consigo pedaços do tempo sombrio que em Abril, Abril venceu.
É por tudo isso que, contra a vontade dos contra-revolucionários, que hoje têm no Governo PS/Sócrates o seu principal instrumento de acção, a figura, o exemplo, a memória do Companheiro Vasco continua viva e a constituir um estímulo poderoso à luta por Abril.
Nas múltiplas iniciativas comemorativas do dia da liberdade que por todo o País vão ocorrer, milhares e milhares de homens, mulheres e jovens, gritarão a frase que melhor expressa a sua determinação de continuar essa luta: 25 de Abril sempre – que o mesmo é gritar, neste primeiro ano em que não temos O Vasco a desfilar connosco nas comemorações populares, Companheiro Vasco sempre.
A classe operária, os trabalhadores, o povo, não esquecem o Companheiro Vasco, o primeiro-ministro desses quatro governos provisórios que, de 18 de Julho de 1974 a 2 de Setembro de 1975, corresponderam ao período mais exaltante, inovador, avançado e criativo da revolução de Abril - esse tempo em que as históricas conquistas políticas, económicas, sociais, culturais, civilizacionais, começaram a dar forma aos sonhos, durante tanto tempo sonhados, de construção de um Portugal justo, livre, soberano, solidário, fraterno; esse tempo de melhorias significativas nas condições de vida dos mais desfavorecidos, nomeadamente com o aumento dos salários, com o estabelecimento do salário mínimo nacional (que para muitos milhares de trabalhadores significou a duplicação dos seus recursos), com a criação do subsídio de desemprego, do direito às férias e ao respectivo subsídio; esse tempo de estabelecimento do controle operário como instrumento de defesa da democracia, da economia nacional, do emprego; esse tempo de concretização do processo das nacionalizações, em consequência lógica da agudização da luta de classes que opunha à revolução de Abril o grande capital monopolista; esse tempo de construção épica daquela que foi a maior e mais bela de todas as conquistas da Revolução - a Reforma Agrária - iniciada quando os trabalhadores tomaram a decisão histórica de avançar para as terras, ocupá-las e cultivá-las; esse tempo em que se pôs termo a mais de uma década de guerra colonial e se levou por diante um processo que conduziu à independência dos povos colonizados pelo regime fascista; esse tempo de patriótica afirmação da independência e da soberania nacionais; esse tempo em que se iniciou a construção de uma democracia avançada, amplamente participada - como nunca antes havia existido e nunca depois voltou a existir – e em que a opinião dos trabalhadores era estimulada, ouvida, considerada e, por isso, contava; esse tempo que foi ponto de partida para a construção de um país novo, que nos permitiu ver um pedacinho do futuro pelo qual lutamos e que nos confirmou que esse futuro é possível e, por ele, vale a pena e é necessário prosseguir a luta; esse tempo em que, pela primeira e, até agora, única vez, Portugal teve um primeiro-ministro que se identificava totalmente com os interesses, anseios e aspirações da classe operária, dos trabalhadores, do povo, do País - um primeiro-ministro que mais, muito mais, do que isso, ganhava lugar, para sempre, na memória e no coração dos trabalhadores e do povo português e era, na linguagem sentida e certeira do povo, o «Vasco, amigo, o povo está contigo», o Companheiro Vasco ou, talvez mais sentidamente ainda, simplesmente O Vasco – nome querido acima de todos, por isso nome que se escolhe para dar aos filhos: e muitos são os Vascos nascidos nesse tempo – e, de entre esses, muitos são os que, norteados pelo mesmo ideal do Homem que lhes deu o nome, dão continuidade, no tempo apagado e sombrio que hoje vivemos, à luta desse tempo aceso e luminoso.
Dignidade e verticalidade, coragem e patriotismo, inteligência e cultura, modéstia e vontade de saber, lucidez e coerência: eis algumas dos atributos pessoais que, aliados a uma total e permanente postura de fraternidade e solidariedade, fazem do General Vasco Gonçalves, pela sua vida, pela sua acção, pelo seu exemplo, o mais puro e fiel intérprete dos ideais libertadores e transformadores de Abril e uma figura maior da História de Portugal.
Por tudo isto, não surpreende que o Companheiro Vasco tenha sido, desde os dias memoráveis de Abril até à sua morte - e continue a ser depois da sua morte - amado pelo povo e odiado pelos grandes e poderosos; amado pelos explorados, pelos humilhados e ofendidos e odiado pelos exploradores e opressores. Por tudo isto, não surpreende que o Companheiro Vasco tenha sido e continue a ser um alvo prioritário dos ataques – regra geral baixos, mesquinhos, soezes - dos protagonistas directos da contra-revolução, dos componentes dessa santa aliança que, ao longo dos últimos trinta anos, num serviço combinado entre os dois partidos da política de direita, PS e PSD (com o CDS-PP atrelado) e num impiedoso ajuste de contas com os ideais de Abril, tem vindo a destruir as principais conquistas alcançadas e a restituir o poder aos grandes grupos económicos e financeiros – os do antigamente, os que suportaram o fascismo que oprimiu o povo português durante quase meio século, e os que entretanto se criaram graças à contra-revolução. Nem surpreende que os panegiristas da política de direita, escrevinhadores boçais que levam a mão à carteira sempre que ouvem tocar a campainha da contra-revolução, até no momento da morte de Vasco Gonçalves tenham prosseguido essa campanha baixa e miserável. E muito menos surpreende que os executores da política que serve os interesses dos grandes e poderosos, tenham recusado decretar o luto nacional no dia da morte do General Vasco Gonçalves, primeiro-ministro de quatro governos que, insista-se, iniciaram a construção de uma sociedade nova – nova porque tinha como objectivos prioritários e complementares a defesa dos interesses e dos direitos da imensa maioria dos portugueses e a construção de uma democracia avançada. Nessa campanha e em todas as expressões que tem assumido - num vale-tudo exemplificador da indignidade e da sem vergonha de quem a paga e de quem a executa - está presente esse ódio visceral bebido desde o berço em biberões dourados: o ódio de classe.
É uma evidência que a política de direita, que outra coisa não é senão a política da contra-revolução de Abril, iniciada pelo primeiro governo PS/Mário Soares e prosseguida por todos os que se lhe seguiram até ao actual governo PS/Sócrates – sendo este, porventura o mais completo cumpridor dos ditames do grande capital que, por isso mesmo, não se cansa de o aplaudir - se situa nos antípodas da política praticada pelos governos de que o General Vasco Gonçalves foi primeiro ministro. Com efeito, à política que tinha como referência e preocupação permanentes, a defesa dos interesses dos trabalhadores, contrapõe-se, hoje, a política que tem como única preocupação e objectivo servir fielmente os interesses do grande capital; à política que visava a eliminação das desigualdades e injustiças sociais, contrapõe-se, hoje, a política que acentua e agrava essas injustiças e desigualdades; à política patriótica de defesa da soberania nacional e da solidariedade com todos os povos, contrapõe-se, hoje, uma prática de sujeição antipatriótica e servil às ordens do imperialismo internacional; à política de paz, que pôs termo às guerras coloniais, contrapõe-se, hoje, uma política de envolvimento de Portugal em criminosas guerras de ocupação que tornam os governos PS e PSD/CDS co-responsáveis no assassinato de centenas de milhar de homens, mulheres e crianças inocentes; à democracia moderna, progressista, participada, do povo e para o povo, virada para o futuro, contrapõe-se, hoje, esta democracia velha, de fachada, de faz-de-conta, cada vez mais carenciada de conteúdo democrático, de costas viradas para Abril e de olhos postos no passado; ao regime democrático nascido de Abril e moldado de acordo com os interesses dos trabalhadores, do povo e do País, contrapõe-se este regime de política única nascido da contra-revolução de Abril, moldado às ordens do grande capital opressor e explorador e da nova ordem imperialista de cariz totalitário e fascizante – enfim, aos catorze empolgantes meses que, com o Companheiro Vasco como primeiro-ministro, mudaram Portugal, colocaram o nosso País na primeira fila do progresso e da modernidade à escala europeia e constituíram o período mais luminoso da nossa história, sucederam-se três décadas de governos que, com primeiros-ministros gémeos no ódio à revolução de Abril e repescando velharias travestidas de modernidade, têm vindo a retomar velhas formas de exploração, de opressão, de limitações dos direitos, liberdades e garantias, que trazem consigo pedaços do tempo sombrio que em Abril, Abril venceu.
É por tudo isso que, contra a vontade dos contra-revolucionários, que hoje têm no Governo PS/Sócrates o seu principal instrumento de acção, a figura, o exemplo, a memória do Companheiro Vasco continua viva e a constituir um estímulo poderoso à luta por Abril.
Nas múltiplas iniciativas comemorativas do dia da liberdade que por todo o País vão ocorrer, milhares e milhares de homens, mulheres e jovens, gritarão a frase que melhor expressa a sua determinação de continuar essa luta: 25 de Abril sempre – que o mesmo é gritar, neste primeiro ano em que não temos O Vasco a desfilar connosco nas comemorações populares, Companheiro Vasco sempre.