OPA dos
Quando, com toda a pompa e circunstância, os OPAdões e os OPAdinhos, tão piores uns que outros, anunciaram as suas acções, operações, manipulações bolsitas, a reacção foi à medida da(s) pompa(s) e da(s) circunstância(s) dos anúncios. Mesmo os que contra elas estiveram e estão, por interesses que são os seus, entraram no coro, ou pelo menos nada disseram que desafinasse este, de alguns consensos que o povoléu, aqueles e aquelas que «ouvêem» as comunicações sociais, têm a obrigação de digerir como se papinha fosse.
Parece-me que se podem identificar três ideias que foram feitas à medida dos interesses de todos os que entendem destas coisas, sabem destas operações, defendem estes caminhos que a economia tem percorrido, independentemente de minudências, ou de interesses mais particulares. Embora por vezes tão antagónicos que há lutas ferozes lá entre eles.
1ª ideia feita – a de que esta iniciativa dos OPAdos foi uma coisa verdadeiramente espantosa, reveladora de uma coragem e de uma capacidade de intervir na vida social merecedora dos maiores elogios.
Cá por mim, sem essa coragem de que eles terão (também) esse monopólio, acho que ideia está mal feita. E acho que está mal feita porque, sem dizer que foi um vento de moda que atravessou o continente, o facto é que, mais ou menos pelos mesmos dias, outras OPAs apareceram por outras paragens, retirando inovação, originalidade, coragem (essas coisas todas) aos nossos domésticos e nada modestos OPAdos.
O que em nada diminuiu a soberba empáfia com que os OPAdos se apresentaram, e receberam os aplausos dos congéneres cá do burgo (ou cá da burguesia). Soberba empáfia que não olha a idades porque não se sabe quem mais inchado e balofo se mostra, se o pai, se o filho se o do Espírito Santo, perdão, não foi este, foi o do BCP, perdão, do ex-BCP que agora tem o nome de Millénio.
2ª ideia feita – a de que estas operações, por muito que possam ser discutidas, uma virtude têm: fizeram-se no lugar próprio, «no mercado», e de tudo podem ser acusados os seus promotores menos de terem saído das baias do funcionamento da economia, tal como ela está, hoje, organizada.
Pegaria neste final para mostrar como esta ideia também está longe de ter sido bem feita. Na verdade, o funcionamento da economia, hoje, está organizado de maneira a que a chamada economia de mercado seja a única que existe, e o que a ela não pertença, ou se integra, ou não tem razão para existir.
Mas, mesmo assim, a que mercado se referem os que encómios levantam quanto à justeza do procedimento? É que mercado, tal como se ensinava na «pré-história», ou pouco depois, é um lugar de encontro entre produtores e consumidores, entre quem oferece e quem procura. Há até curvas e pontos de intersecção que marcam, indelevelmente, o objectivo de encontro.
Ora, o que fez acontecer no «mercado» a que se referem os que a ele se referiram nada tem a ver com mercado, no sentido de encontro. É, bem mais, um acto de desencontro. E tão de desencontro é que até se lhe chama hostil. Não se trata de perguntar: nós procuramos, quem tem para oferecer o que procuramos? Qual quê!... Não se trata, por isso, de um mercado, de um encontro, mas de uma captura, de uma caça, de uma invasão e ocupação à boa maneira de outros exemplos contemporâneos (e humanitários, como se desculpa, sem vergonha, quem os promove).
3ª ideia feita – a de que as operações lançadas vieram animar a economia portuguesa, que mortiça estava e bem precisava de uns sobressaltos destes, cheios de vigor, de vitalidade, uma espécie de vitamina OPA de que ninguém se tinha lembrado até estes engenheiros e doutores (MBA ou lá o que são) a terem aplicado como terapêutica.
Com toda a modéstia, mas quem sou eu…, acho que é outra ideia muito mal feita. Antes de mais porque confunde economia com finanças e especulação. Das operações lançadas, quaisquer que sejam os seus destinos, não sairá um átomo (perdão, estou a ser energeticamente incorrecto…), um grama, um decilitro, de riqueza, daquilo que satisfaz necessidades humanas, que esta – se me não engano – ainda é a função da economia: racionalizar a combinação de recursos para a satisfação de necessidades humanas, sempre renovadas e novas porque também novos são os recursos e as suas combinações.
É claro que «grandes economistas», os que OPAram e os que os louvaram, não têm esta concepção da economia, ou dela se esqueceram tão embrenhados estão em jogos de monopólio e casino, tendo já ultrapassado essas coisas da pesca, da agricultura, da indústria, obsolescências e velharias quando não encaradas como meros meios de acumular capital financeiro.
Diga-se de outra maneira: estas operações apenas servem para concentrar capital financeiro nas mãos de quem o possa fazer, venham elas – as mãos – de onde vierem, transferindo a posse de valor criado pelo trabalho, de mais-valias nascidas na exploração da força de trabalho e já apossadas. Assim se vai fazendo a concentração e a centralização da riqueza.
E que se passa no governo português?, porque tudo isto se passa aqui nas nossas barbas...
Bom… deixa correr, espera, fará o seu papel de accionista igual aos outros accionistas quando chegar a altura das assembleias-gerais, que a economia – tal como a entendem – é que manda. Neles, sim, na sociedade que os elegeu, não.
Nem ainda, nem nunca o conseguirá totalmente. Há sempre alguéns que resistem algures…
1ª ideia feita – a de que esta iniciativa dos OPAdos foi uma coisa verdadeiramente espantosa, reveladora de uma coragem e de uma capacidade de intervir na vida social merecedora dos maiores elogios.
Cá por mim, sem essa coragem de que eles terão (também) esse monopólio, acho que ideia está mal feita. E acho que está mal feita porque, sem dizer que foi um vento de moda que atravessou o continente, o facto é que, mais ou menos pelos mesmos dias, outras OPAs apareceram por outras paragens, retirando inovação, originalidade, coragem (essas coisas todas) aos nossos domésticos e nada modestos OPAdos.
O que em nada diminuiu a soberba empáfia com que os OPAdos se apresentaram, e receberam os aplausos dos congéneres cá do burgo (ou cá da burguesia). Soberba empáfia que não olha a idades porque não se sabe quem mais inchado e balofo se mostra, se o pai, se o filho se o do Espírito Santo, perdão, não foi este, foi o do BCP, perdão, do ex-BCP que agora tem o nome de Millénio.
2ª ideia feita – a de que estas operações, por muito que possam ser discutidas, uma virtude têm: fizeram-se no lugar próprio, «no mercado», e de tudo podem ser acusados os seus promotores menos de terem saído das baias do funcionamento da economia, tal como ela está, hoje, organizada.
Pegaria neste final para mostrar como esta ideia também está longe de ter sido bem feita. Na verdade, o funcionamento da economia, hoje, está organizado de maneira a que a chamada economia de mercado seja a única que existe, e o que a ela não pertença, ou se integra, ou não tem razão para existir.
Mas, mesmo assim, a que mercado se referem os que encómios levantam quanto à justeza do procedimento? É que mercado, tal como se ensinava na «pré-história», ou pouco depois, é um lugar de encontro entre produtores e consumidores, entre quem oferece e quem procura. Há até curvas e pontos de intersecção que marcam, indelevelmente, o objectivo de encontro.
Ora, o que fez acontecer no «mercado» a que se referem os que a ele se referiram nada tem a ver com mercado, no sentido de encontro. É, bem mais, um acto de desencontro. E tão de desencontro é que até se lhe chama hostil. Não se trata de perguntar: nós procuramos, quem tem para oferecer o que procuramos? Qual quê!... Não se trata, por isso, de um mercado, de um encontro, mas de uma captura, de uma caça, de uma invasão e ocupação à boa maneira de outros exemplos contemporâneos (e humanitários, como se desculpa, sem vergonha, quem os promove).
3ª ideia feita – a de que as operações lançadas vieram animar a economia portuguesa, que mortiça estava e bem precisava de uns sobressaltos destes, cheios de vigor, de vitalidade, uma espécie de vitamina OPA de que ninguém se tinha lembrado até estes engenheiros e doutores (MBA ou lá o que são) a terem aplicado como terapêutica.
Com toda a modéstia, mas quem sou eu…, acho que é outra ideia muito mal feita. Antes de mais porque confunde economia com finanças e especulação. Das operações lançadas, quaisquer que sejam os seus destinos, não sairá um átomo (perdão, estou a ser energeticamente incorrecto…), um grama, um decilitro, de riqueza, daquilo que satisfaz necessidades humanas, que esta – se me não engano – ainda é a função da economia: racionalizar a combinação de recursos para a satisfação de necessidades humanas, sempre renovadas e novas porque também novos são os recursos e as suas combinações.
É claro que «grandes economistas», os que OPAram e os que os louvaram, não têm esta concepção da economia, ou dela se esqueceram tão embrenhados estão em jogos de monopólio e casino, tendo já ultrapassado essas coisas da pesca, da agricultura, da indústria, obsolescências e velharias quando não encaradas como meros meios de acumular capital financeiro.
Diga-se de outra maneira: estas operações apenas servem para concentrar capital financeiro nas mãos de quem o possa fazer, venham elas – as mãos – de onde vierem, transferindo a posse de valor criado pelo trabalho, de mais-valias nascidas na exploração da força de trabalho e já apossadas. Assim se vai fazendo a concentração e a centralização da riqueza.
E que se passa no governo português?, porque tudo isto se passa aqui nas nossas barbas...
Bom… deixa correr, espera, fará o seu papel de accionista igual aos outros accionistas quando chegar a altura das assembleias-gerais, que a economia – tal como a entendem – é que manda. Neles, sim, na sociedade que os elegeu, não.
Nem ainda, nem nunca o conseguirá totalmente. Há sempre alguéns que resistem algures…