A ABISSAL DIFERENÇA
«O PCP não fechou para Forum nem resumiu a isso a sua actividade nesse período»
A questão do papel dos partidos políticos e da sua pretensa desactualidade face aos movimentos sociais, voltou a vir à baila no decorrer do processo de preparação e realização do Fórum Social Português. Deixando para outra altura a abordagem mais circunstanciada desta questão (inclusive os métodos utilizados por alguns militantes activos do antipartidarismo, as desavergonhadas golpaças a que recorrem e o natural carinho com que a comunicação social dominante trata e difunde as suas provocações), regista-se, por agora, o facto óbvio de a generalidade dos que, erradamente, contrapõem os movimentos sociais aos partidos políticos, terem o PCP como referência primeira em matéria partidária. De tal forma que, por vezes, ouvindo-os, dir-se-ia que quando dizem «partidos» se referem a um único partido: o PCP - e que, desaparecido este, eles ficariam com a tarefa cumprida ou, pelo menos, com mais de meio caminho andado.
Os messias agora tão na moda, a boa nova que anunciam e os fiéis que os seguem, configuram um espaço dito de esquerda que tem a particularidade de nele caberem todas as forças e organizações políticas e sociais... à excepção do PCP. Porquê? Porque, segundo dizem esses messias, fazendo-se eco de outros messias de outras eras, o PCP é antigo, é velho, está ultrapassado... Dito de outra forma e como deve ser: a existência de um partido comunista, revolucionário, portador de um projecto transformador e com disponibilidade, determinação e coragem para lutar por esse projecto, é uma realidade que, naturalmente, desagrada a muita gente. Inclusive a gente que se apresenta e se faz passar por utente do espaço da esquerda mas que, de facto, é muito mais anticomunista do que anti-seja-o-que-for (coisa que muito agrada e muitos aplausos suscita aos donos do Mundo).
Ora, para incómodo e irritação dos messias e de quem os aplaude, o PCP não desiste de ser comunista, ou seja: de lutar todos os dias pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País (e contra a política de direita que põe em causa esses interesses); de persistir na luta pelo aprofundamento da democracia (e contra os que, todos os dias, a empobrecem); de se bater por uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração (e contra o sistema dominante assente na opressão, na exploração, na desigualdade, na violência) – e de, sem pretender quaisquer exclusividades, procurar atrair a essas lutas todas as forças democráticas e de esquerda: partidos e associações políticas, movimentos sociais e outras estruturas, respeitando a autonomia de cada uma.
Como se sabe, o PCP possui características orgânicas e interventivas que, em consonância com o seu projecto e os objectivos essenciais da sua luta, assumem singulares especificidades.
Se avaliarmos, comparativamente com o PCP, a quantidade, a qualidade e a dimensão, da actividade da generalidade das restantes forças que participaram no Fórum Social Português (quer os partidos políticos, quer os movimentos sociais, quer esses agrupamentos de facto políticos mas travestidos de sociais) constataremos a abissal diferença existente. Sem auto-satisfações nem jactâncias, apenas atidos à clara certidão da verdade, cumpre dizer que o PCP não fechou para Forum nem resumiu a isso a sua actividade neste período: dando um contributo incontestavelmente decisivo para a realização do FSP, prosseguiu a sua intensa e ampla intervenção, só possível através de uma participação militante sem paralelo no panorama político e partidário nacional.
Sublinhando sempre que continuamos a detectar insuficiências e deficiências que não temos tido a capacidade de superar, vale a pena relembrar – quanto mais não seja como motivo de curiosidade... – o que foi a actividade do PCP neste período. Simultaneamente com a sua intervenção na construção do Fórum Social Português, os comunistas – militantes do PCP e da JCP – levaram por diante uma intensa e diversificada acção a qual, por si só, é suficiente para mostrar (a quem não saiba) e para confirmar (a quem já o sabe), o papel determinante, indispensável, insubstituível do PCP na sociedade portuguesa.
Assim, enquanto intervinham responsável e activamente na construção do FSP, os comunistas realizavam várias assembleias de organizações, enriquecendo o funcionamento democrático interno do Partido; davam continuidade às iniciativas inseridas nas campanhas «Mil localidades – participação e desenvolvimento» e «Em Movimento, por um Portugal com Futuro» e a outras iniciativas visando o reforço do Partido, nomeadamente o recrutamento de novos militantes, a campanha de contactos, a difusão do Avante!; levavam a cabo múltiplos debates, em vários pontos do País, sobre temas tão diversos e importantes como Educação, Emprego, Literacia, Situação Internacional, Literatura; promoviam iniciativas de solidariedade concreta com povos em luta em vários pontos do Mundo; organizavam festas, convívios, almoços e jantares de confraternização com a participação de milhares de militantes e amigos do Partido; davam início às jornadas de trabalho de construção da Festa do Avante! e prosseguiam idênticas jornadas visando a construção da Festa da Alegria. E assim será no dia a seguir ao Fórum. E nos dias seguintes.
ND: Não há, no vocabulário português, as palavras necessárias para qualificar o texto de José António Saraiva sobre Álvaro Cunhal, publicado na última edição do Expresso. Limitamo-nos, por isso, a registar o seu carácter inqualificável.
Os messias agora tão na moda, a boa nova que anunciam e os fiéis que os seguem, configuram um espaço dito de esquerda que tem a particularidade de nele caberem todas as forças e organizações políticas e sociais... à excepção do PCP. Porquê? Porque, segundo dizem esses messias, fazendo-se eco de outros messias de outras eras, o PCP é antigo, é velho, está ultrapassado... Dito de outra forma e como deve ser: a existência de um partido comunista, revolucionário, portador de um projecto transformador e com disponibilidade, determinação e coragem para lutar por esse projecto, é uma realidade que, naturalmente, desagrada a muita gente. Inclusive a gente que se apresenta e se faz passar por utente do espaço da esquerda mas que, de facto, é muito mais anticomunista do que anti-seja-o-que-for (coisa que muito agrada e muitos aplausos suscita aos donos do Mundo).
Ora, para incómodo e irritação dos messias e de quem os aplaude, o PCP não desiste de ser comunista, ou seja: de lutar todos os dias pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País (e contra a política de direita que põe em causa esses interesses); de persistir na luta pelo aprofundamento da democracia (e contra os que, todos os dias, a empobrecem); de se bater por uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração (e contra o sistema dominante assente na opressão, na exploração, na desigualdade, na violência) – e de, sem pretender quaisquer exclusividades, procurar atrair a essas lutas todas as forças democráticas e de esquerda: partidos e associações políticas, movimentos sociais e outras estruturas, respeitando a autonomia de cada uma.
Como se sabe, o PCP possui características orgânicas e interventivas que, em consonância com o seu projecto e os objectivos essenciais da sua luta, assumem singulares especificidades.
Se avaliarmos, comparativamente com o PCP, a quantidade, a qualidade e a dimensão, da actividade da generalidade das restantes forças que participaram no Fórum Social Português (quer os partidos políticos, quer os movimentos sociais, quer esses agrupamentos de facto políticos mas travestidos de sociais) constataremos a abissal diferença existente. Sem auto-satisfações nem jactâncias, apenas atidos à clara certidão da verdade, cumpre dizer que o PCP não fechou para Forum nem resumiu a isso a sua actividade neste período: dando um contributo incontestavelmente decisivo para a realização do FSP, prosseguiu a sua intensa e ampla intervenção, só possível através de uma participação militante sem paralelo no panorama político e partidário nacional.
Sublinhando sempre que continuamos a detectar insuficiências e deficiências que não temos tido a capacidade de superar, vale a pena relembrar – quanto mais não seja como motivo de curiosidade... – o que foi a actividade do PCP neste período. Simultaneamente com a sua intervenção na construção do Fórum Social Português, os comunistas – militantes do PCP e da JCP – levaram por diante uma intensa e diversificada acção a qual, por si só, é suficiente para mostrar (a quem não saiba) e para confirmar (a quem já o sabe), o papel determinante, indispensável, insubstituível do PCP na sociedade portuguesa.
Assim, enquanto intervinham responsável e activamente na construção do FSP, os comunistas realizavam várias assembleias de organizações, enriquecendo o funcionamento democrático interno do Partido; davam continuidade às iniciativas inseridas nas campanhas «Mil localidades – participação e desenvolvimento» e «Em Movimento, por um Portugal com Futuro» e a outras iniciativas visando o reforço do Partido, nomeadamente o recrutamento de novos militantes, a campanha de contactos, a difusão do Avante!; levavam a cabo múltiplos debates, em vários pontos do País, sobre temas tão diversos e importantes como Educação, Emprego, Literacia, Situação Internacional, Literatura; promoviam iniciativas de solidariedade concreta com povos em luta em vários pontos do Mundo; organizavam festas, convívios, almoços e jantares de confraternização com a participação de milhares de militantes e amigos do Partido; davam início às jornadas de trabalho de construção da Festa do Avante! e prosseguiam idênticas jornadas visando a construção da Festa da Alegria. E assim será no dia a seguir ao Fórum. E nos dias seguintes.
ND: Não há, no vocabulário português, as palavras necessárias para qualificar o texto de José António Saraiva sobre Álvaro Cunhal, publicado na última edição do Expresso. Limitamo-nos, por isso, a registar o seu carácter inqualificável.