
- Nº 1672 (2005/12/15)
Norte da Irlanda
Arquivado processo de «espionagem»
Europa
A procuradoria do Norte da Irlanda desistiu do processo contra três irlandeses acusados de pertencerem a uma alegada rede de espionagem do IRA no Parlamento de Stormont, caso que levou à queda do governo partilhado entre unionistas e republicanos em Outubro de 2002.
A procuradoria informou o Tribunal de Belfast, na quinta-feira, dia 8, que não apresentaria mais provas contra os suspeitos, considerando que o processo judicial deixou de ter «interesse público». Em consequência, o juiz instrutor declarou os três homens inocentes e ordenou a sua libertação imediata.
Reagindo à decisão, os advogados de defesa emitiram um comunicado em que sublinham que «os seus clientes foram vítimas de uma operação política conduzida por elementos dos serviços de segurança, que utilizaram a sua posição para travar deliberadamente o progresso político no país».
A prisão dos acusados, prossegue a nota citada pelo jornal basco Gara, «não só teve consequências para os próprios, como também para respectivas famílias e para toda a comunidade já que estes acontecimentos provocaram o derrube do governo partilhado em Stormont».
A alegada existência de uma rede de espionagem do Exército Republicano Irlandês (IRA) foi o pretexto utilizado pelo unionista David Trimble para ameaçar com uma demissão em bloco do governo. Na sequência da crise aberta, as autoridades de Londres suspenderam de funções o executivo do norte da Irlanda, situação que se arrasta até hoje.
Os acusados eram Denis Donaldson, chefe de gabinete do Sinn Fein no Castelo de Stormont, o seu genro, Ciaran Kerney e William Mackessy, funcionário da instituição.