MAIS CONFIANÇA

«Uma prática militante que é fonte de força essencial do Partido»

Comecemos pela saudação do Comité Central às organizações e militantes do Partido e da JCP pelo empenhamento notável com que têm vindo a levar por diante as orientações do XVII Congresso – empenhamento que, mesmo correspondendo a uma prática habitual, nem por isso deixa de ser digno de realce na actual situação concreta.
Esta prática militante, sendo decorrente do tipo de partido que é o PCP – da sua natureza, das suas características, dos seus princípios, das suas normas de funcionamento, do seu projecto – é, ao mesmo tempo e por isso mesmo, a sua fonte de força essencial e o motor decisivo da sua intervenção revolucionária.
O CC sublinhou, igualmente, as frentes de luta prioritárias no momento actual: a construção e a realização da Festa do Avante! – a uma semana de distância e ainda a exigir muitos esforços, muita militância; as fases da batalha eleitoral das autárquicas que se seguem ao gigantesco trabalho que foi a elaboração e apresentação das listas da CDU – um processo que confirmou plenamente as potencialidades do nosso reforço nas eleições de 9 de Outubro; as eleições presidenciais, com a importância e o significado que têm – e para as quais arrancámos em força, sendo os primeiros a anunciar a apresentação de uma candidatura e voltando a sê-lo na decisão sobre quem protagoniza essa candidatura.
A estas três prioridades conjunturais há que acrescentar, como frentes de luta de todos os dias, por um lado aquela que é, sempre, prioridade das prioridades: o reforço orgânico, militante, interventivo, social, eleitoral, político, do Partido; por outro lado, o combate à política de direita - a essa política incendiária que há 29 anos vem queimando, para além da Floresta Nacional, a democracia, os direitos dos trabalhadores, a soberania nacional – e que só com a luta (de massas, eleitoral e institucional) pode ser extinta.

Mais listas, mais candidatos e candidatas, mais jovens, mais independentes; mais CDU, mais força para travarmos a batalha eleitoral, mais possibilidades de êxito nessa batalha, tudo isto traduzindo a afirmação evidente de um projecto diferente de todos os outros: aberto, amplo, plural, democrático, de esquerda e com provas dadas: eis o que pode concluir-se do que foi o processo de elaboração das listas e do conteúdo das iniciativas já realizadas de apresentação dessas listas. Como se afirma no Comunicado aprovado pelo CC, a CDU apresenta-se nestas eleições legitimada pelo seu trabalho e intervenção passados e presentes, como uma força associada ao que de mais inovador a acção das autarquias apresenta, uma voz indispensável na defesa dos interesses das populações e uma presença crítica, exigente e construtiva para garantir uma gestão transparente e eficaz em todas as autarquias onde, mesmo em minoria, se encontre presente – e sabendo que, como evidencia a história do Poder Local no nosso País, a obra desenvolvida ao longo dos anos pelos eleitos da CDU, para além dos benefícios directos que gerou para as populações respectivas, obrigou, pelos seus resultados e pelo seu exemplo, a que eleitos de outras forças políticas, para não perderem o comboio, fizessem o que, em muitos casos, sem isso, jamais fariam.
Assim, a CDU apresenta-se com a garantia de prosseguir esse caminho dando continuidade a uma intervenção dignificadora do Poder Local Democrático e que o defenda dos constantes ataques de que é alvo por parte dos partidos da política de direita; de intensificar a vertente participativa na sua gestão autárquica, consciente de que o enriquecimento da democracia reside precisamente na maior participação dos cidadãos nessa gestão; de tudo fazer para melhorar a vida das populações.
Por tudo isso, crescem as razões para uma maior confiança nos resultados de 9 de Outubro.

A questão das presidenciais assume, na opinião do CC, uma importância relevante. Nelas estão em jogo questões que têm a ver com os ataques ao regime democrático e à Constituição da República, na linha de anteriores ofensivas e, agora, perspectivando mais graves desenvolvimentos – ou seja, uma situação que só uma candidatura do PCP está em condições de desmascarar e combater. Por outro lado, o facto de o Governo PS/Sócrates estar a prosseguir a política de direita dos anteriores, defraudando as esperanças e expectativas expressas nas últimas legislativas, provoca um profundo e amplo descontentamento na sociedade portuguesa – descontentamento que tenderá a acentuar-se na altura da realização das presidenciais e que só encontra espaço eficaz de desenvolvimento numa candidatura comunista.
Em 30 de Junho passado, o CC decidiu apresentar uma candidatura própria. Ela aí está visando, nomeadamente: a afirmação de um projecto de democracia avançada, com as suas vertentes política, económica, social, cultural e de afirmação inequívoca da soberania nacional; a mobilização do Partido e do eleitorado para combater e derrotar os objectivos da direita de se apropriar do controlo do órgão de soberania Presidência da República; o sublinhar incisivo das responsabilidades que competem ao PR de defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição; colocar no centro do debate a exigência de uma ruptura com a política de direita e a implementação de uma política de esquerda, construída pela participação dos cidadãos na vida política, e que inicie a resolução dos múltiplos e graves problemas do País. Ela aí está, protagonizada pelo secretário-geral do Partido, camarada Jerónimo de Sousa, e acrescentando mais confiança à confiança com que travamos as batalhas do momento.