Bush no Médio Oriente
George Bush encontrou-se terça-feira com seis dirigentes árabes em Sharm El-Sheik, no Egipto. Os contactos visaram garantir apoios para o «roteiro» para a paz no Médio Oriente, antes da reunião agendada para ontem com o primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, e o seu homólogo palestiniano, Mahmud Abbas, na cidade jordana de Aqaba.
A iniciativa de Bush, que deliberadamente deixou de lado o presidente da Autoridade Palestiniana, Yasser Arafat, está longe de reunir consenso. Ainda abaladas pela invasão do Iraque, as difíceis as relações dos EUA com o mundo árabe ressentem-se da imposição norte-americana de escolher os interlocutores palestinianos e, sobretudo, da conivência de Washington com Israel, que só aceita discutir o plano de paz sob reserva.
No encerramento desta edição desconhecia-se ainda o resultado da reunião tripartida de ontem (Bush, Sharon e Abbas), mas sabia-se que a administração norte-americana pretendia obter uma declaração de cada uma das partes em confronto que fosse além da aceitação formal do «roteiro» apresentado pelo Quarteto composto pelos EUA, ONU, União Europeia e Rússia.
A aceitação do princípio de um Estado Palestiniano, previsto no «roteiro», não é sequer a questão mais polémica. Isso mesmo ficou claro quando há dias Sharon reconheceu a necessidade de acabar com «a ocupação», contrária aos interesses israelitas, mas salvaguardando que Telavive não pretende desmantelar os colonatos e muito menos aceitar o direito ao regresso dos cerca de 3,5 milhões de refugiados palestinianos.
A questão dos refugiados condiciona, naturalmente, a posição do lado palestiniano, que estando disposto a reiterar o reconhecimento do Estado de Israel, não aceita o seu carácter judeu, segregacionista de outras etnias, porque isso significaria a renúncia ao direito ao regresso dos refugiados.
Provocações
Não menos importante é a questão dos colonatos, que entre outras coisas põem em causa a continuidade territorial e a viabilidade do Estado palestiniano. Já esta semana, notícias vinda a público davam conta que Israel apenas estaria disposto a desmantelar 10 colonatos, o que dificilmente pode ser entendido de outra forma que não seja uma provocação.
A situação no terreno, em vésperas do encontro na Jordânia, também não era de molde a suscitar grandes esperanças. Como «gesto de boa vontade», Israel libertou 100 «detidos administrativos» (pessoas presas sem julgamento a pretexto de serem «perigosas para a segurança pública») dos centros de Ofer, na Cisjordânia, e de Ketziot, no Sul de Israel, e reabriu alguns postos de controlo. Mas as principais localidades palestinianas continuavam ocupadas pelas forças israelitas, sob recolher obrigatório apenas levantado alguns horas por dia, e sujeitas a investidas militares com o seu rol de destruição e morte.
Na segunda-feira, dois dias antes do encontro na Jordânia, soldados israelitas mataram um polícia palestiniano na Faixa de Gaza. De acordo com fontes médicas, Nasser Abdelkader, de 47 anos, foi atingido por uma bala quando se encontrava no posto da polícia, entre as cidades de Beit Lahya e Beit Hanun.
A iniciativa de Bush, que deliberadamente deixou de lado o presidente da Autoridade Palestiniana, Yasser Arafat, está longe de reunir consenso. Ainda abaladas pela invasão do Iraque, as difíceis as relações dos EUA com o mundo árabe ressentem-se da imposição norte-americana de escolher os interlocutores palestinianos e, sobretudo, da conivência de Washington com Israel, que só aceita discutir o plano de paz sob reserva.
No encerramento desta edição desconhecia-se ainda o resultado da reunião tripartida de ontem (Bush, Sharon e Abbas), mas sabia-se que a administração norte-americana pretendia obter uma declaração de cada uma das partes em confronto que fosse além da aceitação formal do «roteiro» apresentado pelo Quarteto composto pelos EUA, ONU, União Europeia e Rússia.
A aceitação do princípio de um Estado Palestiniano, previsto no «roteiro», não é sequer a questão mais polémica. Isso mesmo ficou claro quando há dias Sharon reconheceu a necessidade de acabar com «a ocupação», contrária aos interesses israelitas, mas salvaguardando que Telavive não pretende desmantelar os colonatos e muito menos aceitar o direito ao regresso dos cerca de 3,5 milhões de refugiados palestinianos.
A questão dos refugiados condiciona, naturalmente, a posição do lado palestiniano, que estando disposto a reiterar o reconhecimento do Estado de Israel, não aceita o seu carácter judeu, segregacionista de outras etnias, porque isso significaria a renúncia ao direito ao regresso dos refugiados.
Provocações
Não menos importante é a questão dos colonatos, que entre outras coisas põem em causa a continuidade territorial e a viabilidade do Estado palestiniano. Já esta semana, notícias vinda a público davam conta que Israel apenas estaria disposto a desmantelar 10 colonatos, o que dificilmente pode ser entendido de outra forma que não seja uma provocação.
A situação no terreno, em vésperas do encontro na Jordânia, também não era de molde a suscitar grandes esperanças. Como «gesto de boa vontade», Israel libertou 100 «detidos administrativos» (pessoas presas sem julgamento a pretexto de serem «perigosas para a segurança pública») dos centros de Ofer, na Cisjordânia, e de Ketziot, no Sul de Israel, e reabriu alguns postos de controlo. Mas as principais localidades palestinianas continuavam ocupadas pelas forças israelitas, sob recolher obrigatório apenas levantado alguns horas por dia, e sujeitas a investidas militares com o seu rol de destruição e morte.
Na segunda-feira, dois dias antes do encontro na Jordânia, soldados israelitas mataram um polícia palestiniano na Faixa de Gaza. De acordo com fontes médicas, Nasser Abdelkader, de 47 anos, foi atingido por uma bala quando se encontrava no posto da polícia, entre as cidades de Beit Lahya e Beit Hanun.